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arquivo de notícias maio / junho 2008 |

Festival
de vídeo em Barcelona premiou os melhores mini-metragens
Quinta-feira,
19.06.2008 I
Vídeo digital I Notícia
"Identidad David" foi
premiado como a Melhor Idéia na terceira edição do festival de mini-metragens
Función Video, celebrado no último fim de semana em Barcelona e que reuniu
mais de 200 trabalhos gravados com celular ou câmera
fotográfica.
O vídeo, produzido pela
artista Ana Álvarez-Errecalde, que também é fotógrafa, foi
premiado porque "reflete uma boa proposta visual e sonora ao
serviço de uma boa idéia tratada com sutileza e elegância", segundo
a ata do jurado do certame. Por outro lado, o prêmio de melhor
edição foi para "La Boquería", de Jesús García Jorda, porque "soube resolver bem as relações entre
a imagem e o som brincando com o ritmo e as sensações. Pela habilidade, ao mesmo
tempo, de substituir a elipse temporal através do uso engenhoso
da câmera digital".
O prêmio de melhor plano-seqüência foi para "Despistado", de Jordi Celma Domènec.
O jurado do festival explicou que "este plano-seqüência consegue recolher todo
o jogo narrativo no qual se baseia e
que é na sua simplicidade que reside sua originalidade". Com uma menção
especial ficou o mini-metragem "Mira, mira, mira, mira", do barcelonês
Manuel Mira, porque "consegue narrar uma pequena história cotidiana
mostrando um grande domínio da linguagem cinematográfica; interesantes
enquadramentos e uma edição perfeitamente integrada dentro da história".
Finalmente, a menção do público para o melhor mini-metragem foi
entregue à Natalia Cristóbal e Diego Benchuya, pelo documentário "Retratos en
movimiento", uma história que reflete a vida de um heroinômano,
intervindo apenas com o olhar e deixando que o personagem se
expresse e conte aos espectadores uma parte da sua história em
primeira pessoa.
Com grande sucesso de público, o
festival mais uma vez refletiu nesta edição sobre a
revolução que vive o mercado da tecnologia digital e a aproximação que estas novas
ferramentas proporcionam às pessoas de se expressar artisticamente.
O resultado pode ser visto
na
página oficial do certame, que reúne os trabalhos
premiados e os outros finalistas.

Corpo entra em cartaz
nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira
Quinta-feira,
29.05.2008 I Cinema I Notícia
Nesta sexta-feira chega aos
cinemas
Corpo, que recentemente conquistou o prêmio de melhor filme
estrangeiro no The Method Independent Film Festival, em Los Angeles,
e é o primeiro longa-metragem dos diretores Rubens Rewald e Rossana
Foglia.
O filme conta a história de Artur,
um médico legista solitário e imaginativo, que recebe em sua mesa um
corpo encontrado em uma vala comum, misteriosamente preservado por
mais de trinta anos. Em suas investigações, Artur descobre que o
cadáver pertence à uma guerrilheira e que esta tem uma filha,
Fernanda, a quem ele consegue localizar, embora a moça garanta não
ter nenhuma relação com a mulher encontrada.
Cabe então a Artur seguir as
pistas que possam conduzir à resolução do caso. O cadáver que jaz em
sua mesa torná-se o elemento convergente da história de seis
personagens: um é o próprio legista; os outros são Lara, sua chefe
no IML; a militante de esquerda morta; a jovem Helena, sua melhor
amiga; Fernanda, que se parece muito com o corpo; e uma socióloga
que tem o mesmo nome da guerrilheira.
Segundo os realizadores do longa,
dois fatos da recente história política brasileira estão
relacionados à concepção do filme: a descoberta, em 1990, de uma
vala clandestina no cemitério de Perus (em São Paulo), com ossadas
de centenas de pessoas desaparecidas durante o regime militar; e a
divulgação, em 2004, de fotos do jornalista Vladimir Herzog sendo
torturado pelas forças repressoras, dias antes de sua morte,
oficialmente relatada como suicídio.
Contudo, Corpo não se
concentra em reconstituir os fatos ocorridos no período da ditadura
militar, preferindo partir para a discussão dos vestígios dessa
época na era atual, como "algo a ser resolvido, e não enterrado". Os
diretores, que também assinam o roteiro do filme, se mostram
particularmente interessados no impacto desses acontecimentos no
presente, ou seja, nos resíduos que estes deixaram e que persistem
até os dias de hoje.
O filme conta com Leonardo
Medeiros no papel de Artur, o médico legista que deve montar as
peças desse complexo quebra-cabeça. O elenco tem ainda os atores
Rejane Arruda, Chris Couto, Louise Cardoso, Regiane Alves, Antônio
Petrin, Sônia Guedes, Zecarlos Machado, Rogério Brito, Gustavo
Machado e Doró Cross.
Link externo: Veja o
tráiler do filme.

Cacá Diegues: "Existe
talento e amor ao cinema nas novas gerações"
Domingo,
18.05.2008 I Cinema I Entrevista exclusiva I
Esta matéria em espanhol
Considerado um dos mais
importantes realizadores da história do cinema brasileiro, Cacá
Diegues nasceu em Maceió, Alagoas, em 19 de maio de 1940, mas se
mudou para o Rio de Janeiro com apenas seis anos de idade. Nessa
cidade ele construiu uma trajetória composta por dezenas de filmes,
prêmios e o reconhecimento do público e da crítica.
Desde 5 Vezes Favela (sua
estréia conjunta na direção de um longa, em 1961) até filmes mais
recentes como Tieta do Agreste (1995) e O Maior Amor do
Mundo do Mundo (2006), o diretor conseguiu equilibrar sucessos
de crítica e bilheteria, como ocorreu com Bye Bye Brasil
(1979) e Deus é Brasileiro (2003). Seu filme Xica da Silva
(1976) levou mais de 5,5 milhões de pessoas às salas de cinema, uma
marca só superada por Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno
Barreto.
Ao mesmo tempo, Diegues sempre
foi uma voz ativa da classe artística de seu país. Em 1969, viu-se
obrigado a partir ao exílio, primeiro na Itália e logo na França,
devido à sua resistência ao regime militar vigente nessa época. No
início dos anos 80, utilizou em uma entrevista a expressão 'patrulhas
ideológicas' para se referir aos que perseguiam novas idéias em nome
de velhas teorias. Em agosto do ano passado, o realizador foi
homenageado pelo Festival Iberoamericano de Cinema de Santa Cruz de la
Sierra. Aqui, uma breve entrevista com o cineasta.
ALDEIA CULTURAL (AC): O
senhor é considerado um dos principais realizadores brasileiros
desde o Cinema Novo, mas — ao contrário da maioria dos cineastas
daquela época — sempre demonstrou ter muita sintonia com o público.
¿Por que o senhor acha que obteve o sucesso que os mestres da sua
geração não tiveram e como avalia o movimento meio século depois de
sua existência?
Cacá Diegues (CD): O
Cinema Novo fundou o cinema moderno no Brasil, até hoje as pegadas
do movimento estão aí, nas gerações mais novas, nos novos filmes e
cineastas. Isso não quer dizer que se deva reproduzir o que
aconteceu há quase 50 anos, é preciso fazer filmes de hoje, sobre o
estado do mundo de hoje, para as pessoas que vivem hoje. Essa
consciência talvez responda a sua outra pergunta, sobre a
popularidade de meus filmes.
AC: Conte um pouco
sobre o projeto 5 Vezes Favela, que ganhará uma nova
versão mais de 40 anos depois (levando em conta que hoje a
problemática das favelas cariocas é muito mais complexa do que
naquele tempo).
CD: As novas tecnologias
deram acesso ao cinema e ao audiovisual em geral a segmentos da
população brasileira que nunca tiveram acesso a eles. Nas favelas
cariocas hoje se filma muito, em digital, com edição em final cut.
Tenho certeza que é desta espécie de 'cinema de periferia' que virá
a próxima grande novidade do cinema brasileiro. Esse projeto de 5
Vezes Favela, agora por eles mesmos, visa apenas colocar isso em
cena, trazer para o seio do cinema brasileiro essa novidade. O filme
será todo escrito, dirigido e realizado pelos cineastas de favelas
cariocas, nosso papel nele é
apenas o de coordenar sua produção.
AC:
O senhor começou a fazer cinema numa época de utopias,
efervescência política e uma juventude engajada e com vontade
de 'mudar o mundo'. Quase sempre essa inquietude ideológica e
inconformismo social iam pra tela. Hoje, quais são as suas
motivações temáticas e no que elas mudaram com relação às do seu
início de carreira?
CD: Não faço cinema como quem faz um 'projeto de
engenharia', com finalidades e meios precisos. Me deixo quase sempre
levar pelo que me interessa nesse momento, no momento em que filmo.
Mas é claro que existe dentro de mim uma permanente angústia pelo
Brasil e pelo mistério do cinema. São esses os motores do que faço.
AC: O governo
brasileiro tem hoje um projeto polêmico de classificação indicativa.
Estaremos diante de uma versão mais requintada das patrulhas
ideológicas?
CD: Não sei se são 'patrulhas
ideológicas', mas será certamente um retrocesso muito grande em
relação às conquistas democráticas que fizemos desde o fim da
ditadura militar.
AC: No exterior, falá-se
muito da 'retomada do cinema brasileiro'. O cinema nacional está de
bem com o público e a crítica. Entretanto — e apesar das leis de
incentivo — fazer cinema (e principalmente
exibi-lo e distribui-lo em condições decentes) continua sendo muito
difícil. Quão real é a imagem de bonança da produção brasileira e o
que falta fazer para que o Brasil se transforme numa verdadeira
potência cinematográfica?
CD: Falta muito para que o
Brasil se torne uma 'potência cinematográfica'. Mas existe talento e
amor ao cinema nestas novas gerações de cineastas, reveladas pela
Retomada. Do ponto de vista estético e estritamente cinematográfico,
sou muito otimista quanto ao futuro do cinema brasileiro. Mas esse
futuro ainda depende muito da economia do cinema no Brasil, e esta é
frágil, precária e sempre em crise.

Filme
rodado em Belo Horizonte estréia nas salas de cinema do país
Sábado,
10.05.2008 I Cinema I Notícia
O filme
5 Frações de Uma Quase História estreou nesta sexta-feira
nas salas de cinema do país, apresentando cinco histórias cujos
protagonistas têm suas vidas transformadas em um único fim de semana
em Belo Horizonte.
O longa tem a direção de Armando
Mendz, Cristiano Abud, Cris Azzi, Guilherme Fiúza, Lucas Gontijo e
Thales Bahia. O roteiro foi escrito por um dos realizadores (Abud),
baseado em obras de Gero Camilo, Paulo Leônidas e Yury Hermuche.
Apesar da sinopse de cada episódio ser bem diferente, a solidão é o
elemento comum à todas as histórias.
Carlos é um fotógrafo que tem um
fetiche com pés femininos. Um homem pregado frente à TV vive no
limite entre o delírio e a realidade. O funcionário de um tribunal
recebe de um juiz corrupto a proposta de assumir em seu lugar a
autoria de um crime. Antônio trabalha em um matadouro e está envolto
em uma grave crise conjugal. Uma mulher solitária marca um encontro
à cegas com um rapaz e lhe manifesta seu sonho de se casar a
qualquer custo.
Nos papéis principais do filme,
estão os atores Cláudio Jaborandy, Cynthia Falabella, Gero Camilo,
Leonardo Medeiros, Luiz Arthur, Murilo Grossi, Nivaldo Pedrosa e
Jece Valadão. Este último fez com Cinco Frações o seu último
trabalho no cinema, na pele de um juíz que cometeu um crime e agora
precisa da ajuda de um carimbador para poder se safar da justiça.
Vencedor do Prêmio Especial do
Júri e do prêmio de Melhor Direção de Arte (para Adriane Lemos), no
Cine PE - Festival do Audiovisual, o filme mineiro marca a estréia
na direção de um longa-metragem de seus seis diretores. No entanto,
todo eles têm uma experiência profissional que inclui mais de 20
longas e inúmeros curtas, documentários, videoclipes e
comerciais publicitários, em diferentes funções técnicas.
Todos os relatos de Cinco
Frações de Uma Quase História foram filmados em apenas cinco
semanas, com uma equipe de cerca de 50 pessoas. Ao todo, 35 atores
formaram o elenco e ao redor de 600 figurantes participaram da
filmagem, que foi realizada em mais de 60 diferentes locações da
cidade de Belo Horizonte.

Os
Satyros procuram atores e estagiários de produção para próximas
peças
Domingo,
04.05.2008 I Teatro I Notícia
A Companhia de Teatro Os Satyros deu início a uma seleção de atores
para sua próxima montagem, sobre um texto inspirado na obra
do Marquês de Sade. A peça, cuja estréia ocorrerá em agosto, fechará
a trilogia dedicada ao autor, composta também por A Filosofia na
Alcova e Os 120 Dias de Sodoma.
Dirigida por Rodolfo García
Vázquez, esta nova peça concluirá o trabalho do grupo baseado na
obra do escritor francês, autor de vários clássicos com os quais
escandalizou a Igreja católica e a conservadora sociedade parisina
do século XVIII. "A Filosofia na Alcova" (1795) e "Os 120 Dias de
Sodoma" (1785) estão entre os textos mais conhecidos de Sade e deram
origem a duas das mais famosas produções realizadas pelo elenco
paulistano. A primeira foi estreada em 1993 e remontada dez anos
depois, ficando três anos em cartaz no segundo ciclo.
Por sua vez, Os 120 Dias de
Sodoma foi apresentada em 2006 e poderá ser vista até 29 de
junho no Espaço Dois da companhia, com um elenco integrado por Beto
Bellini, Heitor Saraiva, Robson Regato, Antonio Campos, Marcelo
Tomás, Erika Forlim, Marta Baião, Rodrigo Souza, Diogo Moura,
Herbert Barros, Carlos Beme, Carolina Angrisani, Andressa Cabral,
Samira Lochter, Patrícia Santos, Sheyna Queiroz, Felipe Thiago,
Bruno Tarcis, Henrique Mello, Juscelino Rosa e Danilo Amaral.
Além do casting para a peça de
encerramento da trilogia do Marquês de Sade (os interessados podem
mandar currículos para este
correio eletrônico), os Satyros também estão à procura de
estagiários para produção e de atores para uma montagem que será
dirigida por Rubens Ewald Filho. Os currículos deverão ser enviados
para e-mail 1 e
e-mail 2,
respectivamente.

Diretor colombiano Gustavo
Nieto Roa volta com dois filmes em 2008
Domingo,
04.05.2008 I Cinema I Entrevista exclusiva I
Ler esta matéria em espanhol
Depois de quase 20 anos, o diretor colombiano
Gustavo Nieto Roa voltou a apresentar um novo filme,
Entre
Sábanas (Entre Lençóis), que está completando três semanas
em cartaz no seu país e que em breve ganhará uma versão em
português.
O novo longa do realizador se
soma a uma lista que inclui alguns dos filmes de maior bilheteria da
história do cinema colombiano. Em um período de apenas três anos
(1978-1980), o diretor rodou nada menos do que cinco dos sete
maiores sucessos de público do seu país, inclusive O Taxista
Milionário, com o qual obteve o recorde de 1,5 milhão de pessoas
em 1979, uma marca superada somente quinze anos depois.
Apesar da crise do setor
cinematográfico na Colômbia ter afastado Nieto Roa da direção no fim
dos anos 80, ele manteve um trabalho constante na produção e
distribuição de filmes em vários países do continente. Além disso, é
dono de uma das maiores empresas de dublagem e legendas no Brasil,
onde filmará seu próximo longa, uma espécie de versão local de
Entre Sábanas, com um roteiro escrito pelo paulista Renê
Belmonte, que também assina o texto do original em espanhol.
É assim como o prolífico
cineasta, nacido na cidade de Tunja há 66 anos, marca sua volta à
direção com dois longas que poderiam até chegar a ser três, se a
idéia de produzir uma versão para o mercado anglosaxão é levada
adiante. Fiel ao seu estilo de dirigir filmes populares, mas
entrando desta vez em um terreno ainda pouco explorado do cinema
local, Nieto Roa apresenta um longa-metragem que retrata a liberdade
sexual experimentada pela juventude atual.
Durante 90 minutos, Entre
Sábanas narra dez horas da vida de Paula e Roberto, dois
jovens que se conhecem em uma discoteca e terminam a noite no quarto de um motel, onde dão
via livre a seus desejos, sem
compromisso com o que virá depois. Protagonizado pela mexicana Karina Mora
e pelo colombiano
Marlon Moreno, o filme significou também o desafio de rodar praticamente em
só uma locação e com apenas dois atores em cena.
Em uma breve entrevista, Gustavo
Nieto Roa fala sobre seu mais recente filme, conta o motivo pelo qual abandonou a direção de longas
por quase duas décadas
e manifesta seu otimismo com relação ao cinema latino-americano,
afirmando que este tem uma conjuntura favorável como nunca antes em
sua história. Além disso, revela que seu retorno como diretor é
definitivo e que já tem novos projetos em fase de desenvolvimento.
Entrevista
I Gustavo Nieto Roa, cineasta
"Já tomei a
decisão de dedicar o resto da minha vida ao cinema"
ALDEIA CULTURAL (AC): Você dirigiu alguns dos filmes de
maior bilheteria da história do cinema colombiano. No entanto,
permaneceu quase 20 anos sem apresentar um novo trabalho como
diretor. Por que esperou tanto tempo?
GUSTAVO NIETO ROA (GN): Em 1980 tinha dois filmes em exibição,
Tiempo para amar (Tempo para amar) e El Inmigrante Latino
(O Imigrante Latino). Estavam sendo um grande sucesso de
bilheteria e o gerente do Cinema Colômbia daquela época me chamou e
me disse que ia retirar os filmes de cartaz e que não exibiriam mais
meus filmes porque o sucesso que eu estava conseguindo estava
fazendo que o governo quisesse se intrometer nos seus negócios,
impondo impostos para promover o desenvolvimento do cinema
colombiano e controlando os lucros. Diante dessa situação a
pessoa que me ajudava financeiramente, Eduardo Ruiz Martínez, me
disse que não me apoiaria mais. Então eu tive que me dedicar a
outras atividades, e me ocupei delas, adquirindo compromissos, e não
era fácil deixá-las para retornar ao cinema. Mas finalmente eu
percebi que qualquer um poderia administrar os negócios que eu tinha,
mas não era qualquer um que poderia produzir e dirigir um filme, e
foi então que eu decidi voltar ao cinema e agora estou nisso.
AC: Hoje a tecnologia digital é uma realidade e
vários países do continente (como a Colômbia) têm novas leis de
cinema e políticas de incentivo. Como você vê a conjuntura atual
para os realizadores colombianos e latino-americanos em geral?
GN: Não houve outra época
melhor para fazer cinema na América Latina. Primeiro porque hoje há
uma grande demanda do público, ansioso de se ver retratado na tela.
Há uma demanda dos canais de
TV
do mundo inteiro que precisam preencher seus espaços com filmes. Há
muita gente que estudou cinema e está fazendo pressão para que
existam oportunidades de trabalho. Há um interesse dos governos para
que se faça cinema como expressão cultural. Este é o momento para fazer cinema na Colômbia e em qualquer país da América Latina.
AC: Como você
apresentaria Entre
Sábanas, seu mais novo longa?
GN: É um filme que expressa as inquietudes das pessoas sobre
coisas tradicionais mas que hoje em dia se questionam, como a
igualdade da mulher frente ao homem em questões sexuais, a
fidelidade, o amor à primeira vista, a relação a dois e o casamento.
AC: Entre Sábanas é um filme intimista,
talvez o primeiro dessa natureza no cinema colombiano, no qual o
sexo normalmente é retratado de maneira violenta e sem ter um grande
peso na história. Você não acha que o cinema colombiano ficou
devendo na hora de abordar o sexo em seus filmes? Por que você acha
que isso aconteceu e como foi o seu trabalho para conseguir o
realismo do seu filme?
GN: O sexo tal como eu o
trato em Entre Sábanas não é algo comum na cinematografia de
nenhum país. Se existe um assunto tabu e difícil de abordar no
cinema é o sexo per se. Isso se deve à nossa tradição
cultural e religiosa, na qual o sexo foi sempre reprimido e visto
como pecaminoso, algo que
deve
se manter escondido. Mas agora, com o desenfreio sexual dos jovens
que faz que milhares de adolescentes engravidem, tornou-se um
assunto que as agências públicas e privadas devem enfrentar. E o meu
filme simplesmente mostra o que as pessoas fazem escondido o tempo
todo nos motéis.
AC: ¿Quais foram as vantagens de filmar com apenas
dois atores e basicamente em uma locação? E, em contrapartida, quais
foram as desvantagens e maiores dificuldades do processo?
GN: É muito difícil filmar
só com dois atores e numa mesma locação pelo fato de conseguir
manter o interesse do público. Com vários atores e locações,
principalmente se há cenas de ação, é muito fácil entreter o
público. Acredito que com Entre Sábanas consegui contar uma
história que mantém o interesse do público e faz que ele saia
contente da sala. Mas não foi fácil.
AC: Depois da exibição de Entre Sábanas,
quais são os seus projetos mais imediatos no cinema?
GN: Vou fazer Entre Lençóis no Brasil. Começo a
rodar agora em maio, com a participação de Reynaldo Gianecchini e Paola Oliveira.
Em seguida eu irei ao México para a filmação de Amor se escribe
con Sexo (Amor se escreve com Sexo), e depois tenho
outros projetos que estão começando a tomar forma para ser
desenvolvidos nesses países. O fato é que eu já tomei a decisão de
dedicar o resto da minha vida à produção e direção de cinema.
Versão brasileira do
site Aldea Cultural já está disponível na Internet
Domingo,
04.05.2008 I Internet I Notícia I
Ler esta matéria em espanhol
A versão brasileira do ALDEA CULTURAL já está na rede para fazer a
cobertura da atividade teatral e cinematográfica no Brasil e na
América Latina, com matérias, reportagens e entrevistas exclusivas.
O ALDEIA CULTURAL surge da
necessidade de acompanhar de perto as artes cênicas no Brasil, além
de proporcionar informação sobre filmes, festivais, peças de teatro
e eventos culturais que acontecem em todo o continente. Tudo isso em
língua portuguesa, em alguns casos utilizando textos veiculados nas
duas versões do site e, em outros, material produzido especialmente
para a edição brasileira.
Assim como a versão em espanhol,
o ALDEIA CULTURAL BRASIL tem como objetivo ser uma referência para os profissionais de
teatro e cinema e servir como plataforma de promoção de seus
trabalhos. Por exemplo, no diretório de atores
(cujo registro será gratuito), todo ator cadastrado terá uma página com seu perfil, currículo e
fotos, tendo ainda a opção de apenas publicar a informação que
considerar necessária.
Do mesmo modo, toda pessoa que
quiser utilizar o portal para realizar a promoção de seu trabalho
poderá fazê-lo sem custo algum e sem necessidade de estar registrado
na página. Ainda assim, o diretório de atores estará desenhado para
obter o maior número de cadastros possível, com o objetivo de tornar
a página mais abrangente e ao mesmo tempo mais visitada por
profissionais da área, aumentando sua funcionalidade.
Criado em julho de 2006, o ALDEA CULTURAL,
que deu origem ao ACB,
é um portal cuja finalidade é promover as atividades de teatro, cinema
e vídeo digital na América Latina. Com um tráfico de mais de
17.000 visitas
no mês de abril e um crescimento contínuo, o site se prepara
atualmente para lançar conteúdos
exclusivos de ficção para a web.
Agora, com o ALDEIA CULTURAL
BRASIL, os
atores e produtores brasileiros também têm uma janela de longo
alcance, podendo difundir seus trabalhos, colocar seu currículo na
rede e estabelecer contatos profissionais. O espaço está dado,
só resta aproveitar.
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