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arquivo de notícias julho / agosto 2009 |

Michelle Pucci,
Rafaella Marques e Simone Martins atuam no espetáculo da Vigor
Mortis I Foto: Divulgação
Vigor Mortis realiza últimas apresentações de Nervo Craniano Zero em
Curitiba
Sexta-feira,
28.08.2009 I
Esta matéria em espanhol
Concluirá neste fim de semana a temporada de
Nervo Craniano Zero, peça encenada pela companhia curitibana
Vigor Mortis, que permanecerá em cartaz no Ateliê de Criação Teatral
(ACT), na capital paranaense, até o próximo domingo.
O espetáculo, que
tem texto e direção de Paulo Biscaia Filho, conta com as atuações de
Rafaella Marques, Michelle Pucci e Simone Martins. As duas primeiras
são atrizes estáveis da companhia, tendo participado de montagens
como Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho e
Hitchcock Blonde. A última foi escolhida através de testes e
se mudou de São Paulo para Curitiba para fazer parte da peça.
Na trama, a
doutora Barbara Bava (Martins) perdeu sua licença médica após um
acidente durante pesquisas com sua nova criação: o chip Melpomene,
um indutor de dopamina instalado no nervo craniano zero. O objetivo
do chip era estimular a criatividade em seus pacientes. No entanto,
Bava é surpreendida por uma reação inesperada do chip: seus usuários
não mais tinham circulação de sangue, nem fome ou sono. Ainda assim,
o chip era capaz de regular todas as funções mantendo o corpo ativo
e com uma capacidade infinita de criatividade sempre que a dopamina
fosse estimulada.
Por sua vez, Bruna Bloch (Pucci) é uma escritora de sucesso que,
temendo não ter mais inspiração para escrever novos best sellers,
contrata a Dra. Bava para continuar suas experiências e
posteriormente ter o chip instalado em si mesma. Porém, antes de
fazer isso, é preciso ter certeza do funcionamento do chip em seres
humanos. Bruna então publica um anúncio em jornal contratando uma
cobaia para o experimento.
A única a
responder o anúncio de Bruna é Cristi Costa (Marques), uma simplória
garota do interior com sonhos de ser uma grande cantora; estes são
quebrados depois que ela é nacionalmente humilhada em um programa de
calouros na TV. Sem alternativa, Cristi aceita então ser uma cobaia
com o chip Melpomone em seu nervo craniano zero.
Depois do término
da temporada, o grupo irá se dedicar à preparação de seus novos
espetáculos — Janela e Jardim e Manson Superstar
devem ser montadas ainda este ano — e na divulgação do filme
Morgue Story, a bem sucedida incursão da Vigor Mortis no cinema.
O longa, que vem recebendo vários prêmios e críticas elogiosas de
revistas como a
Variety, marca o início da trajetória do grupo nas telas,
trabalho que terá continuidade em 2010, com a realização de outros
projetos.
Nervo Craniano
Zero terá suas últimas apresentações nesta sexta e no sábado às
21:00, e no domingo, às 19:00. O ACT está localizado na rua Paulo Graeser Sobrinho, 305,
e os ingressos tem um custo de R$ 15. As reservas podem ser feitas
através de e-mail.
Com informação
do site da
Vigor Mortis e da
Gazeta do Povo.

Os atores Rubens
Caribé e Giselle Itié são dois dos protagonistas do thriller Invasão
I Foto: Divulgação
Treze
filmes são selecionados para o Festival Brasileiro de Toronto deste
ano
Terça-feira,
25.08.2009 I
Esta matéria em espanhol
Os organizadores
do Brazilian Film
Festival of Toronto (BRAFFT) divulgaram a lista dos treze filmes
que participarão da mostra competitiva da terceira edição, que será
realizada de 4 a 8 de setembro no Bloor Cinema, no Canadá.
Um dos destaques é
Inversão, de
Edu
Felistoque, que ainda não estreou comercialmente e que traz no
elenco Alexandre Barillari, Giselle Itié, Marisol Ribeiro e Rubens
Caribé, entre outros. No longa, uma delegada recém-formada (Ribeiro)
tenta resolver o desaparecimento de um empresário. Mergulhada em um
universo liderado por homens, ela deverá aprender a conviver com o
submundo do crime e a inversão de valores.
Já
Se
Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte (A
Concepção, Meu Mundo em Perigo), chegará a Toronto com
o retrospecto de ter recebido vários prêmios em Los Angeles, Paris,
Miami, Rio de Janeiro e Brasília. Protagonizado por Cauã Reymond,
João Miguel, Caroline Abras e Luiza Mariani, o filme conta ainda com
a presença de atores como
Leandra Leal,
Milhem Cortaz, Murilo Grossi e
Roberta Rodrigues.
Outro título
interessante será
Blackout, curta-metragem que marca a estreia de Daniel
Rezende na direção, depois de ter montado filmes como Cidade de
Deus, Diários de Motocicleta e Tropa de Elite.
Wagner Moura e Augusto Madeira interpretam um assessor e um
suplente parlamentar que resolvem fumar um baseado numa sala em
reforma da Assambleia Legislativa. Mas o que era para ser um momento
de relax vira uma constante sucessão de revelações e surpresas que
pioram a cada segundo.
Além da mostra
competitiva, o festival também terá vários eventos paralelos e uma
mostra convidada, da qual farão parte os longas Divã (de José
Alvarenga Jr.), Nome Próprio (de Murilo Salles) e Praça
Saens Peña (de Vinícius Reis) e o curta O Erroversível
(de Rodrigo Moreira).
Os outros dez
filmes a se apresentar na mostra competitiva são: Loki-Arnaldo
Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle; O Menino da Porteira,
de Jeremias Moreira; Simonal-Ninguém Sabe o Duro que Dei, de
Claudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer; A Ilha, de Ale
Camargo; A Montanha Mágica, de Petrus Cariry; Ao Vivo,
de Peppe Siffredi e Antonio Guerino; De Braços Abertos, de
Bel Noronha; Enfim Dois, de Thiago Vieira; Pelo Ouvido,
de Joaquim Haickel; e Sildenafil, de Clovis Mello.

A peça Édipo será
apresentada em diversas cidades colombianas I Foto: Teatro del
Presagio
Supercurtas: Aldeia Cultural no Twitter e teatro no Brasil, Bolívia
e Colômbia
Segunda-feira,
24.08.2009 I
Esta matéria em espanhol
Aldeia Cultural inaugura perfil no Twitter
Com o fim de
estabelecer um contato mais direto com seus leitores, o ALDEIA
CULTURAL acaba de criar seu perfil no
Twitter.
Este será um elemento complementar ao trabalho realizado pelo
portal, de maneira similar ao que ocorre no grupo existente no
Facebook. Além disso, a comunidade
Teatro Brasileiro foi criada também agora na rede social, com o
objetivo de promover as artes cênicas brasileiras e divulgar
apresentações e convocatórias. Convidamos a todos a nos seguir por
estes novos meios.
Brasil I Vigor Mortis faz sessão extra na quarta
A companhia
curitibana
Vigor Mortis realizará uma sessão extra a R$ 2,00 de seu
espetáculo
Nervo Craniano Zero no Ateliê de Criação Teatral - ACT (rua
Paulo Graeser Sobrinho, 305, Curitiba). A apresentação terá início
às 21:00 desta quarta-feira; depois disso, a peça permanecerá em
cartaz normalmente, de quinta a sábado às 21:00 e domingo às 19:00.
Nervo... tem texto e direção de Paulo Biscaia Filho e
as atuações de Michelle Pucci, Simone Martins e Rafaella Marques.
Bolívia I La Cueva se apresenta em
Cochabamba
O Teatro La Cueva, de Sucre, se apresentará no mARTadero de
Cochabamba com sua mais recente peça, El Libertador en su
Abrigo de Madera (O Libertador em seu Abrigo de Madeira).
As sessões serão realizadas de 28 a 30 deste mês, às 19:30. A peça
gira em torno aos últimos dias de Simón Bolívar, quando este deixou
o poder na Colômbia para seu definitivo retiro até sua morte em
Santa Marta. Manuela Sáenz, a amante, e José Palacios, o fiel amigo
e mordomo, narram o fim do libertador. Para informações e reservas,
chamar aos números 797-86318 ou 707-70575.
Colômbia I Édipo sai em turnê pelo país
A companhia
Teatro
del Presagio apresentará Edipo - Poema Dramático en un
Acto (Édipo - Poema Dramático em um Ato), hoje na
cidade de Cali, a partir das 19:00, no Promedico (avenida 6AN, Nº
22N-54). A peça, escrita e dirigida por Diego Fernando Montoya,
também fará parte do
Festival
Internacional do Oriente Antioquenho, com sessões em El Retiro
(25), Santuario (26) e San Carlos (28 deste mês). No dia 29, será a
vez de se apresentar em Caldas, no marco do XIII Festival
Metropolitano de Teatro; nos dias 30 e 31, na
V Festa das Artes Cênicas, em Medellín.

Mariana Vargas e
Juan Pablo Koria são dois dos protagonistas do filme que
inaugurou o festival
Festival Iberoamericano de Cinema
começou em Santa Cruz com lançamento
Sexta-feira,
21.08.2009 I
Cobertura especial I
Esta matéria em espanhol
A décima-primeira edição do Festival Iberoamericano de Cinema de Santa
Cruz teve início ontem à noite com uma cerimônia realizada no Cine Center, seguida da
apresentação de
Zona Sur
(Zona Sul,
ver o trailer),
o mais recente filme do diretor boliviano Juan Carlos
Valdivia.
O ato de inauguração contou con a presença do realizador dos
filmes
Jonás y la Ballena Rosada e
American Visa, assim como parte do elenco que compõe o longa.
O filme, que apresenta o cotidiano de uma família da classe
alta pacenha, composta por uma mulher divorciada e seus três filhos,
chegou respaldado por excelentes críticas da imprensa especializada
e foi recebido com aplausos e aprovação pelos espectadores que
assistiram à primeira jornada do certame crucenho.
Depois da abertura, é a hora do público conhecer os
treze filmes que competem pelos prêmios Tatu-Tumpa, as quais começarão a
ser projetadas a partir de hoje. São elas El Frasco
(Argentina), El Nido Vacío (Argentina), Feliz Natal
(Brasil), El Regalo (Chile), La Buena Vida (Chile),
La Nana (Chile), Conozca la cabeza de Juan Pérez (México),
Purgatorio (México), El Premio (Peru), La Teta
Asustada (Peru), Gigante (Uruguai), Polvo nuestro que
estás en los cielos (Uruguai) e 1, 2 y 3 Mujeres
(Venezuela).
Além da seleção
oficial, também serão
realizadas as mostras de retrospectiva dos três homenageados desta edição: a espanhola Assumpta
Serna, o argentino Diego Peretti e a uruguaia Natalia Oreiro. Em outras sedes,
a sala Casateatro será o
lugar de exibição da mostra Bolívia Digital, com projeções
dos longas Verse (de Alejandro Pereira), La
Maldición de Rocha (de Roberto Carreño) e No Veo España
(de Marcelo Murillo), além de um ciclo de curtas vascos. Similar
programação terá a cidade de Montero, localizada a 50 km de Santa
Cruz.
Na sexta-feira 28,
quando concluirá esta versão do festival, serão conhecidos os
premiados nas categorias de melhor filme, diretor, ator,
atriz, longa de estreia, roteiro e fotografia. Na página web da
revista cultural
AlmaZen é possível encontrar informação detalhada sobre todos os
filmes finalistas deste ano.
Acompanhe a
cobertura especial
do festival pelo ALDEIA CULTURAL (em espanhol).

Festival causou
polêmica ao distinguir uma mulher que censurou seu próprio filme I
Edison Vara/Press Foto
Vexame em Gramado: 'atriz' Xuxa é homenageada e eleita rainha do
cinema
Segunda-feira, 17.08.2009
I
Esta matéria em espanhol
O
Festival
de Cinema de Gramado, cuja 37ª edição foi concluída no último
sábado, teve uma das jornadas mais vergonhosas de sua história em
sua noite de premiação, na quinta, ao conceder um Kikito a 'atriz' e
apresentadora Xuxa Meneghel pelo 'conjunto da obra' e proclamá-la
como 'rainha do cinema'.
A decisão do
festival, que nos últimos anos tem entrado em decadência e vem sendo
superado em importância por vários outros certames cinematográficos
no Brasil, provocou uma série de críticas entre jornalistas e
espectadores, já que além de ter produzido e 'atuado' em filmes de
qualidade duvidosa, Xuxa ainda apagou de sua filmografia dois
títulos que fez em início de carreira, chegando inclusive a obter
proibição judicial para a exibição e comercialização de um deles.
Os dois filmes que
Xuxa não costuma incluir em sua trajetória foram lançados em 1982,
quando ela ainda tinha 19 anos e era mais conhecida por ter sido
namorada do ex-jogador Pelé e por seus ensaios de nudez em revistas
masculinas. Os longas que a apresentadora não menciona são:
Fuscão Preto (no qual deu vida a uma jovem perseguida por um
Fusca, com direito a cenas de sexo dela com o carro) e Amor,
Estranho Amor, que ficou famoso por uma parte em que seu
personagem, uma prostituta, seduz nua um menino de 12 anos.
Amor, Estranho
Amor provavelmente seja o único filme da carreira de Xuxa que
mereça ser visto, já que foi dirigido por Walter Hugo Khouri — um
dos maiores cineastas brasileiros em todos os tempos — e
protagonizado por atores como
Tarcísio Meira e
Vera Fischer. Mas a apresentadora conseguiu que a justiça
proibisse sua comercialização, de tal modo que o longa hoje só pode
ser obtido na Internet ou nos Estados Unidos, onde circula
livremente. Na época de filmação do longa (1979), Xuxa tinha 16
anos; já o ator Marcelo Ribeiro, que contava com apenas nove,
recentemente voltou à mídia ao escrever um livro e protagonizar um
filme pornô.
Em Gramado, o
repórter Celso Sabadin, da revista
Cineclick, classificou a jornada de premiação como uma
noite de 'horror e indignação', na qual a 'rainha dos baixinhos' — e
agora também do cinema — proferiu um discurso cheio de rancor,
afirmando que não tinha "vergonha de ser povo, loira e vencedora" e
que "jamais poderia pensar que o Festival de Gramado fosse capaz de
superar os preconceitos e premiar uma pessoa do povo e suburbana
como ela".
Segundo o
Jornal
de Gramado, Xuxa teria cobrado um cachê de R$ 60.000 para
aceitar ser homenageada pelo festival, que recebe fundos públicos
para sua realização. Os organizadores do evento, no entanto,
negam a informação, embora tenham pago jatinho e carro blindado
para a apresentadora, que não concedeu entrevistas e durante todo o
tempo esteve cercada por seguranças. Ao descer do palco no final da
homenagem, Xuxa abraçou o jornalista
Luiz Carlos Merten, sussurrando uma enigmática frase em seu
ouvido: "Eles tiveram que me engolir".

A Teta Assustada
participa do Festival de Lima meses depois de conquistar o Urso de
Ouro
Curtas de cinema
e teatro na América do Sul: um giro por Brasil, Bolívia e Peru
Sexta-feira,
14.08.2009 I Cinema e teatro, América Latina I
Esta matéria em espanhol
Peru.
Festival de Lima ingressa na sua reta final com variada programação
O
13º
Encontro Latino-americano de Cinema - Festival de Lima, que se
iniciou há uma semana, ingressa na sua reta final com uma série de
projeções e atividades paralelas a serem realizadas. Aos
homenageados deste ano — Isabelle Huppert, Ventura Pons e Carlos Gassols — somaram-se dezenas de
convidados de vários países, como o
cineasta argentino Ezequiel Acuña, os brasileiros Bruno Barreto
(diretor) e
Daniel de Oliveira (ator),
os realizadores chilenos
Andrés Wood
e Alicia Scherson e a actriz peruana
Tatiana Astengo,
que atualmente mora na capital espanhola; da mesma forma, os cubanos
Juan Carlos Tabío,
Jorge Perugorría,
Mirtha
Ibarra, Manuel Pérez e Annia Bú Maure também marcaram presença no certame limenho. Espanha
é o país convidado, com mostras dedicadas ao cinema clássico,
à produção valenciana e ao que há de mais recente nesse país, com
filmes como
El Patio de Mi Cárcel,
La Leyenda del Tiempo,
Mataharis
e
Retorno a Hansala.
Na seção de
longa-metragens de ficção, 20 títulos de Argentina, Brasil, Chile,
Colômbia, Cuba, Guatemala, México, Peru e Uruguai competem pelos
prêmios que serão entregues este fim de semana.
Bolívia.
Companhia Ditirambo festeja seus dez anos até o próximo domingo
O
Festival de Teatro Ditirambo, realizado pela companhia crucenha
homônima, se realiza em Santa Cruz desde a noite de ontem até o próximo
domingo, na Casa da Cultura municipal.
O evento é um modo de festejar os dez anos de trajetória do
tradicional elenco, que em breve também deverá estrear a peça
Pinóquio. Para esta ocasião, a programação inclui
El Mito (estreia da peça que relata três histórias do
oriente boliviano),
Entiéndemetúamí (comédia para maiores de 15
anos),
Romeo y Julieta (livre) e
La Ramita de Hierbabuena (convidada). O custo dos
ingressos é de Bs 30 (maiores) e Bs 20 (menores e estudantes). A
programação é a que segue abaixo:
Quinta-feira 13 I 19:00
I El Mito
Sexta-feira 14 I 20:30
I Entiéndemetúamí
Sábado 15 I 17:00
I El Mito
Sábado 15 I 19:00
I Romeo y Julieta
Sábado 15 I 20:30
I Entiéndemetúamí
Domingo 16 I 17:00
I La Ramita de Hierbabuena
Domingo 16 I 19:00
I Romeo y Julieta
Domingo 16 I 20:30
I Entiéndemetúamí
Brasil. Atriz Roberta Uhller se apresenta
com duas peças em São Paulo
Desde a semana
passada a atriz Roberta Uhller está em cartaz com duas peças na
capital paulista. A primeira, Doce Outono,
estreou dia 4, enquanto a outra, Aguardo Notícias da Polônia,
o fez no dia seguinte. Em
Doce Outono, a atriz divide
o palco com Celso Melez, em
uma peça escrita e dirigida por Ralph
Maizza, que
apresenta três cenas: um casal cuja mulher sofre delírios devido a uma
doença desconhecida, dois irmãos muito diferentes que se
reencontram e duas mulheres idealistas que discutem sobre o mundo e
suas vidas. Em Aguardo..., João Fábio Cabral dirige um
texto próprio que fala sobre uma jovem cantora que se muda para uma
cidade grande em busca de um sonho, mas se depara com outra realidade
(com informação do site
Bigorna).
Aguardo Notícias da Polônia
Com Fábio Rhoden,
Gabi Cywinski, Guilherme Gonzalez, Júlia Bobrow e Roberta Uhller
Teatro Augusta I
Quarta e quinta-feira I 21:00 I R$ 30,00 I 16 anos I Até 27 de
agosto.
Doce Outono
Com Fernando Soffiatti, Didio Perini,
Roberta Uhller, Celso Melez, Flávia Tápias e Mariana Blanski
Espaço dos Satyros 1 I
Terça-feira I 21:00 I R$ 20,00 I 14 anos I Até 29 de
setembro.

A atriz mora em
Berlim e trabalha desde os anos 90 na TV e no cinema europeu I Foto:
Divulgação
Série
Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Luka Omoto, atriz
Domingo, 09.08.2009 I
Esta matéria em espanhol I
Veja todas as
entrevistas
Dona de um
currículo que inclui ao redor de três dezenas de filmes para o
cinema e a televisão da Alemanha, onde mora há vários anos, até
pouco tempo atrás a atriz carioca Luka Omoto curiosamente ainda não
havia atuado em português frente às câmeras, embora já o tenha feito
em outros idiomas nos diversos projetos de que formou parte.
A estreia em uma
produção brasileira aconteceu em 2007, quando Luka foi escolhida
para integrar o elenco do seriado
Alice, que a
HBO exibiu no ano passado para toda a América Latina e os Estados
Unidos; nele, a atriz deu vida a Dani, a amiga que 'apresenta' São
Paulo para a protagonista, ajudando-a a se inserir no meio. Além de
render ótimas críticas, o personagem acabou se tornando um dos mais
populares da série, como se comprova ao ler opiniões publicadas em
blogs, redes sociais e fóruns de discussão espalhados pela rede.
De ascendência
oriental (a mãe é brasileira e o pai é nissei), Luka já possui a
experiência de ter filmado em outros países europeus, mas deseja
também trabalhar no cinema brasileiro, como revelou nesta entrevista
concedida ao ALDEIA CULTURAL no mês passado. A atriz fala ainda
sobre alguns dos personagens que interpretou, de como foi parar na
Alemanha e de seus primeiros anos vivendo naquele país e, claro, de
sua participação na série da HBO.
Entrevista
I Luka Omoto
"Por mim daqui pra frente
eu só faria Alice"
ALDEIA CULTURAL (AC). Você iniciou sua carreira
muito nova no Rio de Janeiro, participando de algumas peças de
teatro. Quais são suas lembranças da época em que atuava nos palcos
cariocas?
LUKA OMOTO (LO). Na verdade são as melhores possíveis. Na
minha primeira peça eu ainda tinha 14 anos e ficamos sete meses em
cartaz no Teatro Nelson Rodrigues. Nessa época meus pais costumavam
passar o fim de semana em Angra, então eu ficava sozinha no Rio e
aproveitava pra fazer tudo o que tinha direito! Já M.
Butterfly foi uma experiência e tanto, pois eu era
relativamente inexperiente e contracenava com gente como o
Raul Cortez. Lembro de uma vez no final de um espetáculo ter
dito pro meu namorado que estava me sentindo como depois de um
orgasmo: feliz e aliviada!
AC.
Posteriormente, você seguiu rumo à Alemanha, onde mora até hoje.
O que te motivou a se mudar para esse país e como foram seus
primeiros anos morando lá? Pergunta manjada, porém inevitável: teve
alguma Dani que te ajudou na adaptação ao novo lugar?
LO. Estava eu em um final de tarde em casa vendo TV quando
meu irmão chegou dizendo que havia conseguido convites para o show
do Paul McCartney no Maracanã. Apesar de não ser muito fã dele
acabei resolvendo ir (como diz o meu irmão: "De graca até injeção na
testa e ônibus errado!"). Como não sou muito alta e do gramado não
conseguia ver nada, me escorava um pouco num lourinho que estava em
pé do meu lado. Um ano mais tarde, dois meses pra eu completar 18
anos, eu cheguei em Berlim. Meu primeiro ano foi super tranquilo,
pois fui morar na casa dos pais do tal do lourinho e gracas a Deus
eles eram pessoas maravilhosas. No ano seguinte eu fiz prova de
admissão pra escola estadual de balé
e me mudei para um internato da
escola. Ele ficava no lado oriental da cidade, não tinha telefone em
casa e meu namorado foi estudar em Hamburgo. Essa época foi
realmente punk. Minha Dani foi de certa maneira a Marta Freire,
filha do (advogado e político) Roberto Freire, que na época
era bailarina da Ópera de Berlim e até hoje é super amiga minha. Por
sinal ela se casou com meu antigo marido, pai do meu filho, e sempre
passamos Natal juntas!
AC.
Em todo este tempo, você tem construído uma carreira que já soma
cerca de 30 trabalhos para o cinema e a TV da Alemanha. De todas
essas produções, quais as que você mais gostou de fazer?
LO. Acho que dois trabalhos realmente marcaram bastante:
Liebe in Letzter Minute foi um TV movie rodado em Hamburgo e em
Bangkok, e Silentium um longa austríaco baseado em um romance
do Wolf Hass. Em Liebe... eu fazia a protagonista, uma
tailandesa que mora em Hamburgo e vai pra Tailândia buscar o filho e
acaba se apaixonando por lá. A parte que mais gosto no meu trabalho
é a pesquisa. Fazer o papel de uma tailandesa em Bangkok fez com que
eu realmente tivesse que mergulhar nessa cultura e isso foi com
certeza muito enriquecedor. Em Silentium, apesar de ser uma
comédia (de humor negro, todavia) o tema da minha personagem era
bastante pesado, pois eu fazia o papel de uma virgem que era
violentada por um cantor de ópera nojentíssimo. Li muitos livros a
respeito disso e naquela época foi lancado Dogville, do Lars
von Trier. Fui ver o filme em Viena durante as filmagens e voltei
pra casa sozinha, de noite, morrendo de medo de ser atacada
no meio
da rua. No final das contas quando fomos fazer a cena foi hilário. O
ator (que por sinal é bastante conhecido por aqui) ficava com a
barriga enorme balançando e bufando na minha cara. Realmente era
difícil me concentrar e não começar a gargalhar! É um filme ótimo,
pena que ainda não foi lançado no Brasil.
AC.
E daí veio o Alice, da HBO. Qual era a sua expectativa
para o processo de seleção, como foram os testes e como você ficou
sabendo que teria um dos papéis mais importantes da série?
LO. Depois de mais de 10 anos morando na Alemanha e sem ter
nunca rodado no Brasil, resolvi procurar uma agente em São Paulo. No
dia em que fui levar meu material lá estava rolando o teste. No
mesmo dia à noite me mandaram um e-mail dizendo que eu não fosse
para o Rio pois queriam fazer um recall em dois dias. Isso foi em
janeiro. Cinco meses depois, à meia-noite de um sábado, enquanto eu
preparava as minhas coisas para embarcar pra Cannes, a Vivian
Golombek (responsável do casting) me liga. Eles queriam que
eu estivesse segunda-feira em São Paulo para começar a ensaiar. Eu
tinha um filho, duas gatas, um apartamento e um namorado pra
organizar com quem deixar! Li o roteiro no avião. Aliás naquela
época eu ainda iria fazer a Marcela e a
Silvinha (Lourenço) é que era a Dani!
AC.
Seu personagem (Dani) acabou sendo um dos mais queridos pelos
espectadores da série. Como foi interpretá-lo e qual é a sua
recordação do período de gravações?
LO. Fico super feliz em saber que a Dani é tão querida. Só
percebi isso depois que vi que a Dani tinha mais amigos no Orkut do
que eu!!! A fase inicial dos ensaios foi bastante pesada, não
conhecia ainda o método da Fátima Toledo e ele é muito cansativo,
mas rodar em si foi uma delícia. Adorei tanto a equipe quanto o
elenco! Por mim eu daqui pra frente só fazia Alice!
AC.
Quais são seus projetos atuais ou que deverão ser realizados em
breve?
LO. Meu projeto atual se chama Luiz e tem 10 meses de idade (nasceu
no dia da festa de estreia de Alice!).
Profissionalmente não gosto de falar de projetos que ainda não
acabaram de ser realizados.
AC.
Seu currículo já conta com uma lista bastante extensa de filmes,
mas nenhum deles foi feito no Brasil. Você tem vontade de fazer? Tem
acompanhado o cinema brasileiro ou é difícil assistir morando fora?
LO. O cinema brasileiro tem se desenvolvido de maneira
excelente e sempre que vou ao Brasil aproveito pra tirar o atraso.
Daqui de Berlim só consigo ver os que vem para os festivais ou para
as locadoras, mas já dá pra ter uma boa ideia. Realmente é engraçado
eu nunca ter feito um longa brasileiro. Espero que isso mude bem
rápido!
Fotos: Luka em foto de
divulgação, nos filmes
Silentium e Peer Gynt (com Robert Stadlober) e na série Alice (ao
lado de Andréia Horta).

Mariana Blanski e
Flávia Tápias em um dos relatos da peça dirigida por Ralph Maizza
Teatro da
Curva estreia peça sobre as mudanças que a chegada do outono traz
Segunda-feira,
03.08.2009 I
Esta
matéria em espanhol
A companhia
paulistana
Teatro
da Curva estreará nesta terça, no espaço dos Satyros 1, a peça
Doce Outono, escrita e dirigida por Ralph Maizza, e
que está composta por três histórias curtas (O Filho Próspero,
Traição? e Mundo, Doce Mundo!), todas elas associadas
a chegada dessa estação.
Na primeira cena,
o público acompanha o reencontro entre dois irmãos (Didio Perini e
Fernando Soffiatti) que não se falam há muito tempo. Um deles,
ambicioso e estabilizado financeiramente; o outro, um artista bem
resolvido com suas escolhas profissionais. Conflitos familiares e
lembranças pessoais vem então a tona em um momento delicado, já que
o pai dos dois está a beira da morte.
Em seguida, é a
vez de um casal, interpretado por Roberta Uhller e Celso Melez,
subir ao palco, para apresentar a história de uma mulher que adoece
e cujos sintomas — amnésia e euforia — acabam resultando no
descontrole de ambos. Na última cena, duas mulheres de
aproximadamente 25 anos (Flávia Tápias e Mariana Blanski) estão a
poucos minutos de tomar a resolução mais importante de suas vidas.
Idealistas, ambas refletem sobre a vida que escolheram para si e
suas consequências.
De acordo com
Maizza, cada uma das cenas é um encontro entre duas pessoas, que
refletem sobre si mesmas e tomam alguma atitude em relação ao mundo
que as rodeia; assim, além de ouvir o texto, por momentos o público
também interpreta o subtexto presente na peça. A referência ao
outono, tanto no título como na trama, não ocorre por acaso. "Outono
remete a mudanças, algumas boas, outras não, algumas inclusive
impostas. Mudanças que exigem que os personagens sigam em frente de
alguma maneira. Ou não", explica o diretor.
Doce Outono
é a segunda montagem do Teatro da Curva em 2009 (a primeira foi
Born To Be Wild, de Jarbas Capusso Filho). Em seis anos
de existência, a companhia encenou adaptações de Voltaire e Álvares
de Azevedo e textos de
Mário
Bortolotto, Marcos Gomes e do próprio Maizza. Nesse período,
peças como A Bola da Vez, Noite na Taverna,
Medusa de Rayban e Otimismo, entre
outras, foram levadas ao palco.
A temporada do
novo espetáculo do Teatro da Curva deverá se estender até o fim de
setembro, com sessões sempre às terças-feiras, às 21:00. A peça,
recomendada para maiores de 14 anos, tem uma duração de 60 minutos e
os ingressos um custo de R$ 20 (R$ 5 para moradores da praça
Roosevelt).
Doce Outono
Texto e Direção:
Ralph Maizza
Elenco (por ordem de entrada): Fernando Soffiatti, Didio Perini,
Roberta Uhller, Celso Melez, Flávia Tápias e Mariana Blanski
Iluminação: Celso Melez I Trilha: Ralph Maizza
Produção: Celso Melez, Didio Perini e Ralph Maizza
Duração: 60
minutos I Gênero: Drama I Classificação: 14 anos
Estreia: 4 de agosto I Temporada: 4 de agosto a 29 de setembro (terças,
às 21:00)
Lugar: Espaço dos Satyros 1 (Praça Franklin Roosevelt, 214,
Consolação)
Telefone: 3258-6345 I Ingressos: R$ 20 e R$ 5 (moradores da praça)
Outras fotos do espetáculo
  
Fotos:
Roberta Uhller e Celso Melez; Flávia Tápias; Didio Perini e Fernando
Soffiatti

A atriz
encarnou a Marcela da série Alice e atualmente se prepara para novos trabalhos no cinema
Série
Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Gabrielle Lopez, atriz
Terça-feira,
28.07.2009 I
Esta matéria em espanhol I
Veja todas as
entrevistas
Brasiliense, mas
morando já há alguns anos em São Paulo, a atriz
Gabrielle Lopez vive um ótimo momento de sua carreira, com
diversos trabalhos acumulados principalmente no cinema e no teatro, embora provavelmente seja mais conhecida pela personagem Marcela,
que interpretou na série
Alice, exibida pela rede
internacional de televisão HBO no ano passado e que atualmente é
reprisada no Brasil.
Gabrielle estreou
no cinema em Subterrâneos, primeiro longa-metragem de José
Eduardo Belmonte, que voltou a chamá-la para coprotagonizar
A Concepção, filme que ganhou prêmios, dividiu opiniões e
impulsou a carreira do diretor e de boa parte do elenco. Mais
recentemente, a atriz esteve também no curta-metragem
V.I.D.A., de Geison Ferreira e Vinicius Zinn (o Nicholas
de Alice), além de outros trabalhos.
Na entrevista
concedida ao ALDEIA CULTURAL, a atriz fala sobre o ambiente no set
de algumas de suas principais produções, das sensações que
experimentou ao fazer a série da HBO e também de seus atuais
projetos profissionais, tanto sobre os palcos como frente às câmeras.
Entrevista
I Gabrielle Lopez
"Alice foi uma experiência transformadora"
ALDEIA CULTURAL (AC). No ano passado, a HBO exibiu a série
Alice, na qual você interpretou um dos papéis principais.
Como você recorda a experiência de ter participado dela?
GABRIELLE LOPEZ (GL). Foi uma experiência transformadora.
Primeiro porque dei vida à personagem Marcela, que tem uma energia
diferente da minha. Vivê-la foi passear em universos diferentes da
minha realidade e poder enxergar outras possibilidades. Também tive
o privilégio de ser dirigida por quatro diretores talentosíssimos:
Karim Aïnouz, Sérgio Machado, Márcia Faria e Jhonny Araújo. A cada
dois episódios a direção era revezada por um dos quatro. Como a
linguagem era cinematográfica, me senti muito à vontade , pois até
hoje vivenciei mais cinema e teatro, que considero processos
completamente artesanais. Participei de uma experiência intensa, o
que me instigou a trabalhar com a minha verdade e o meu material
humano. Tive total liberdade de trazer meu olhar para as cenas. Isso
é fantástico!!! Quando executo um trabalho, não me preocupo só com o
resultado, o mais importante pra mim é a experiência humana contida
na estória. Foi uma honra viver uma personagem com um universo tão
rico como o da Marcela. Só pra ilustrar melhor a experiência, foi
como um filme rodado em oito meses.
AC. Alice tem uma estética que impressiona; tanto a trilha
sonora como a ambientação chamaram muito a atenção de quem viu a
série. Você tinha ideia de como ia ser o resultado antes de vê-lo na
tela ou foi uma surpresa também para os atores?
GL. Eu não tinha ideia do resultado. Mas o processo já era
completamente satisfatório. Ali já se percebia que todo o projeto e
sua execução estavam em mãos de talentosos artistas. Quando assisti
o resultado, pela primeira vez, nossa... fiquei muito emocionada.
Lembro que quando cheguei à casa da Marcela pela primeira vez, nos
ensaios, achei tudo
tão bonito. Ali comecei a sentir a atmosfera que viveria nas
filmagens. Com o Karim na
direção
geral, eu tinha certeza que seria, no mínimo, interessante. Ele é um
profissional de muita sensibilidade, já conhecia seu trabalho. A
trilha foi uma surpresa pra mim. Ouvi quando foi ao ar. Achei a cara
da série! Adorei!
AC. Uma das subtramas que os espectadores mais gostaram
com certeza foi o envolvimento entre Marcela, Dani e Téo. As pessoas
comentam isso com você? E como foi o entrosamento com Luka Omoto e
Juliano Cazarré? Com o Juliano você já havia feito outros trabalhos
antes, não é mesmo?
GL. Fui e ainda sou muito abordada por causa desse trio (risos).
Realmente deu o que falar, principalmente quando a Marcela trai a
Dani com o Téo. Pra minha surpresa, o público
torceu pra Marcela e vibrou muito com a nossa trama. A Luka eu
conheci nos ensaios. O Juliano já conhecia, trabalhamos juntos no
longa A Concepção em 2004. Para tornarmos esse trio íntimo,
contamos com a preparação da Fátima Toledo. Exercitávamos situações
que provocavam nossa intimidade e amizade. E depois de suar
bastante, nos tornamos amigos. Confesso que por já conhecer o
Cazarré facilitou realizar as cenas mais delicadas.
Volta e meia recebo recados para a Marcela (risos). Tem gente
que se diz inspirado nela.
AC. Vamos falar agora do longa que projetou a carreira do
José Eduardo Belmonte: A Concepção. Um filme ousado, em que
tanto o diretor como os atores assumiram vários
riscos. Como foi fazer esse filme?
GL.
Conheci o Belmonte em seu primeiro longa Subterrâneos e por
causa da nossa afinidade ele escreveu a Ariane (personagem que vivi
no longa A Concepção). Quando formalizou
o convite, não pensei duas vezes porque desde a nossa primeira
experiência profissional percebi que tínhamos química. Senti que
podíamos dar mais um passo juntos. O Belmonte
tem uma maneira de tirar do ator o que o próprio ator desconhece.
Suas personagens são sempre muito angustiadas e caminham na
desconstrução. Fazer o filme foi apenas uma
extensão de um processo que começou em 2001 e, logicamente pra mim,
com um grande apreço, pois o Belmonte foi meu primeiro diretor no
cinema. Riscos? Será que existe algum filme que não seja arriscado?
Como atriz, não consigo responder essa pergunta. Acho que desde o
dia que nascemos corremos riscos (risos). Quando vou para um
trabalho não penso no que pode dar errado. Vou de corpo e alma com o
coração na mão bem quente e pulsando, pronto pra entregar. Para
fazer o filme, moramos durante as filmagens na Academia de Tênis em
Brasília, acho que durante dois meses, e tínhamos ensaios diários.
Tudo minuciosamente sob o olhar do diretor. A equipe inteira também
se envolveu com o nosso 'clima concepcionista' e por isso tudo era
muito sincero e divertido. Foi um processo de descobertas e
entrosamento entre os atores (personagens). Precisávamos de
intimidade e confiança mútua. A hora que a câmera chegou foi só um
detalhe. Me dediquei completamente pra Ariane e aconteceu um
episódio curioso durante as filmagens. Antes de filmar a cena onde o
pai da Ariane tem um AVC (acidente vascular cerebral), meu
pai que mora em Brasília (minha cidade natal) teve um AVC. Como o
mote da história do filme era dar 'truque' no outro, a equipe
inteira achou que eu, Gabrielle, estava dando um truque.
Posso dizer que foram muitas emoções na realização desse filme que
adoro. Mas não foi fácil! Fiquei um bom tempo impregnada com a
energia da Ariane e tudo foi tão intenso que
depois quando voltei pra minha realidade, em São Paulo, parecia que
estava me separando de entes queridos. Às vezes assisto o filme pra
matar a saudade, inclusive do
David
Bowie, pois suas músicas foram nosso soundtrack no set.
AC. Você também morou durante alguns anos nos EUA. Quanto
tempo você esteve no país e o que fez durante esse período?
GL. Morei cinco anos em Michigan e um ano em New York. A
princípio fui fazer intercâmbio cultural aos 17 anos e acabei
ficando para cursar artes cênicas na faculdade, nesse período
trabalhei
com teatro e depois de formada segui rumo a New York para
complementar meus estudos e experimentar a "Big Apple".
AC. Outro trabalho recente seu foi o V.I.D.A.,
curta-metragem que aborda com sensibilidade um assunto ainda não
muito explorado, como é o da depressão. Conte um pouco sobre esse
projeto.
GL. Fui convidada pra esse projeto pelo ator Vinicius Zinn
(nos conhecemos na série Alice) e seu amigo Geison
Ferreira. Ambos dirigiram o curta e roterizaram com a parceria da
Ana Maria Saad. Achei o tema muito pertinente e informativo. A minha
personagem representa "quem convive com o doente", no caso a irmã
sofre da doença e negligencia cuidados com
a sua filha. Assumi o papel de quem não sabe lidar com o problema e
acha que o outro é preguiçoso, louco ou coisa parecida. Foi
desafiante trabalhar com esse tema, até porque já tive depressão e
sei o quanto o preconceito e a ignorância são prejudiciais para os
envolvidos. Como estávamos abordando um assunto muito delicado,
havia um silêncio, um respeito e a direção foi muito precisa.
Sabíamos que o V.I.D.A. era uma história baseada em
fatos reais.
AC. Você também fez bastante teatro. Tem algum plano para
atuar em uma nova peça em breve ou pretende priorizar trabalhos na
TV e no cinema?
GL. Tenho projetos no teatro que estão em desenvolvimento. Um
deles é novidade pra mim porque se trata de uma peça para internet
que irá ao ar em agosto. Além de estar em contato com textos de
novos autores para futuros trabalhos. Meu foco não está nos veículos
de comunicação, mas sim no que cada trabalho abrange; como direção,
autor, personagem, etc. Pretendo priorizar trabalhos que me
proporcionem dignidade e desenvolvimento profissional. No mínimo
isso. De resto, sou apaixonada pelo meu ofício. Qualquer trabalho é
um grande desafio. Este ano, por exemplo, tive e tenho recebido mais
convites para fazer cinema, alguns já foram fechados! O cinema me
quer, lá vou eu (risos)!!!
Fotos: Gabrielle com Juliano Cazarré (Téo) em Alice, no material de
divulgação de A Concepção e novamente na rodagem da série da HBO, ao lado de
Antônio Abujamra (Elder).

A cidade do
interior fluminense sediará em setembro a primeira edição do
encontro
Festival Infantil de Esquetes de Rio Bonito aguarda inscrições até
fim de agosto
Segunda-feira,
27.07.2009 I
Do site oficial
O
1º Festival Infantil de Esquetes de Rio Bonito, que será
realizado de 23 a 27 de setembro deste ano, aceitará até o próximo
30 de agosto a inscrição de trabalhos que tenham de dez a vinte
minutos de duração, os quais serão selecionados por uma comissão
indicada pela organização do evento.
Esta primeira
edição do festival ocorre por iniciativa do ator Alexis Ferreira,
que desde o ano passado desenvolve o projeto social
Nós do
Interior, no qual dá aulas de teatro para crianças carentes de
Rio Bonito. Entre os principais planos da organização está a
produção de espetáculos profissionais focados na cultura brasileira,
além de oficinas de leitura dramatizada, interpretação para TV e
cinema, canto, música, circo e dança, entre outras.
A ideia de criar e
levar adiante o projeto foi do próprio Ferreira, que inspirado pelo
trabalho do jornalista e ator Guti Fraga e sua equipe com o
Nós do Morro,
resolveu fazer algo similar em sua cidade. Hoje o projeto oferece
cursos de teatro para iniciantes, abrindo e ampliando os horizontes
para quase 100 crianças e adolescentes de escolas públicas locais.
O festival, que
oferece hospedagem gratuita para grupos de fora da cidade, entregará
troféus para o grupo que obtiver o terceiro lugar e também nas
categorias de melhor ator, atriz, ator coadjuvante, atriz
coadjuvante, direção, figurino, iluminação, trilha sonora, maquiagem,
cenário e texto. Haverá ainda um prêmio especial do júri do evento e
do júri popular, e premiação em dinheiro para o segundo (R$ 500) e
primeiro colocado (R$ 1.000).
A taxa de
inscrição é de R$ 25 por grupo e o valor deverá ser depositado no
Banco do Brasil AG 0627-0 C/C 9.803-5. As inscrições poderão ser
feitas pelo correio, com envio ao seguinte endereço: Rua Tenente
Coronel José Carlos Marinho, 21 - Centro - Rio Bonito - RJ , CEP
28800-000. O envelope deverá conter apenas o pseudônimo do remetente.
Para obter mais
informação, conferir o regulamento completo ou inscrever um trabalho
no festival de Rio Bonito, deve-se visitar a
página web do evento, escrever ao
e-mail ou então
telefonar para os números (21) 2734-3075 ou (21) 8776-3849.

A Companhia Carona
de Teatro apresentará o espetáculo Volúpia no norte catarinense
Mostras
regionais de teatro começam com seis espetáculos em Santa Catarina
Sábado,
25.07.2009 I
Do site oficial I
Esta nota en
español
A Federação
Catarinense de Teatro (Fecate) promove a partir deste mês e até
outubro cinco mostras regionais, a ser realizadas nas cidades de Rio
do Sul, Florianópolis, Chapecó, Curitibanos e São Bento do Sul.
Cada mostra é
realizada em parceria com um grupo de teatro filiado à federação e
selecionado por edital público. A colaboração este ano, por exemplo,
é entre Trip Teatro de Animação (Rio do Sul), Traço Cia. de Teatro
(Florianópolis), Cia. da Gaia de Teatro (Chapecó), Grupo de Teatro
Amador Ser ou Não Ser (Curitibanos) e Grupo Teatral Panacéia (São
Bento do Sul).
Com esta ação, a
Fecate visa fomentar a atividade teatral em diferentes regiões de
Santa Catarina. Para isso, conta com o apoio do Ministério da
Cultura e opta por disponibilizar ingressos gratuitos para todas as
apresentações. Além dos 31 espetáculos propostos por 27 grupos
diferentes, serão realizadas também sete oficinas.
Programação
Julho 24. 25, 26 e 27
Rio do Sul e Vale do Itajaí
Espetáculos: O
Flautista de Hamelin I O incrível ladrão de calcinhas I Volúpia
Renato, o menino
que era rato I O tapete de Maria I À Flor da Pele
Oficina: Trabalho
do ator
Setembro 1, 2, 3, 4, 5 e 6
Chapecó e Oeste Catarinense
Espetáculos: Os
saltimbancos I Nós Três I Amor por Anexins
Caleidoscópio I As
mãos de Eurídice I Filhos de Água
Oficina: O jogo do
clown no trabalho do ator
Setembro 19,
20, 25, 26 e 27
Florianópolis, comunidade de Ratones e São João do Rio Vermelho
Espetáculos: Bom
Apetite I Seo Maneca I Hoje tem Palhaçada I Clóv's, o
internacionável
Oficina: O jogo
cômico
Outubro 19, 20, 21, 23 e 24
Curitibanos e Planalto Serrano
Espetáculos: Puxa
Pé, Contra Tempos, In Memorian Hippes I Vitrine I Zefa e Tácia
Oficina: A arte de
contar histórias
Outubro 19, 20, 21, 22, 23 e 24
São Bento do Sul e Norte Catarinense
Espetáculos: A
Noite dos Palhaços Mudos I Tem Xente uma Fiez I A Luz de Judith
Tanto Trabalho Pra
Nada I O Menino do Dedo Verde I Frágil como Bolha de Sabão
Baião de 2 I Uma
Canção para Finfo I A Feia
Oficinas: O ator
contemporâneo, A direção no teatro contemporâneo, Os desafios da
produção teatral independente

Do Claustro se
transformou em uma das peças mais elogiadas do ano passado no Brasil
I Foto: Eduardo Sofiati
Série
Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Ruy Jobim Neto,
dramaturgo
Terça-feira,
21.07.2009 I
Esta matéria em espanhol I
Veja todas as
entrevistas
A carreira do
cartunista e autor Ruy Jobim Neto sempre esteve relacionada ao
desenho e às charges, presentes em tiras cômicas e passatempos
publicados em diversos jornais, revistas e livros; mas além do
sucesso que obteve ao longo dos anos nessa área, o artista gaúcho
tem há muito tempo uma ligação íntima com o teatro, tendo
desempenhado seu trabalho como dramaturgo e inclusive como ator.
Foi em 1994 que
Jobim Neto incursionou no teatro, quando entrou para o Projeto Artes
Cênicas (PAC), companhia dirigida por Edson Martins e Ubirajara
Mohana, iniciando assim sua trajetória sobre os palcos, que se
estendeu até 2000. Como autor, sua estreia paulistana ocorreu em
2007, com a esquete Virgens à Deriva; no ano seguinte,
o espetáculo Do Claustro e tres peças curtas
apresentadas nas Satyrianas consolidaram a nova etapa da carreira,
que já começa a dar frutos como o recente prêmio de estímulo que
recebeu da Secretaria de Cultura do estado, para seu texto
Lourenço.
Nascido na cidade
de Canoas, mas morando há mais de duas décadas na capital paulista (formou-se
em Cinema na Universidade de São Paulo), o autor se revela
incansável, pois além de estar envolvido em vários projetos, ainda
escreve e colabora com diversos sites e blogs culturais espalhados
pela rede. Nesta entrevista concedida ao ALDEIA CULTURAL, o
dramaturgo fala não só de sua própria obra, mas também daqueles que
considera como os trabalhos de maior destaque da cena paulistana
atual.
Entrevista
I Ruy Jobim Neto
"A
dramaturgia brasileira está cheia de coisa pra dizer"
ALDEIA
CULTURAL (AC): Você é formado em Cinema pela USP e
também já exerceu a
crítica cinematográfica. No entanto, sua carreira esteve mais ligada
ao teatro e aos quadrinhos. Você tem planos de trabalhar também no
cinema?
RUY JOBIM NETO (RJ): Sim, a crítica cinematográfica (comecei
a escrever para a extinta revista Cinemin, da também extinta EBAL,
do Rio de Janeiro, editada pelo memorável Fernando Albagli, isso em
1993) era uma forma de ficar próximo ao mundo do cinema, uma vez que
os anos Collor praticamente foram terra arrasada para as produções
cinematográficas e também para o teatro — que ainda assim sobreviveu.
Os quadrinhos são o meu trabalho de origem, sou cartunista ou,
estendendo, um pretenso contador de histórias. Pretenso porque
contar histórias é sempre difícil, é sempre um desafio. E nos
quadrinhos você exerce também o cinema (tem o corte, o ritmo
interno, os diálogos, o cenário, o enquadramento, os figurinos, a
interpretação, o cinema está todo lá). Sim, ainda tenho intenções de
trabalhar em cinema, de alguma forma, talvez como roteirista, uma
vez que é a primeira vez na história que eu vejo um cinema nosso tão
pujante, pois tenho acompanhado desde a década de 80 essa coisa
toda, e o cinema tem crescido sim, ainda que nos seus passos
crescentes. É animador.
AC:
E como foram seus anos como ator de teatro? Tem intenção de voltar a
atuar?
RJ: Os anos de atuação (de 1994 a 2000) foram importantes porque para
escrever ou dirigir teatro, você precisa ter a visão de dentro.
Fazer teatro é um tripé (é fazer simplesmente, assistir a muito
teatro e ler teatro ou sobre teatro). Daí a necessidade dessa
interação. Mas atuar é algo que não faz parte de meus planos, embora
um diretor amigo meu tenha insistido para que eu atue.
AC:
Em 2008, a peça Do Claustro foi um dos destaques do
Festival de Curitiba e recebeu ótimas críticas durante sua temporada
em São Paulo. Como foi o processo de elaboração da
peça? É verdade que você escreveu o texto já pensando nas duas
atrizes?
RJ: Sim, a peça foi escrita para as duas atrizes, Débora Aoni e Carolina
Mesquita, que tiveram atuações bem elogiadas, na época. São duas
atrizes de muita coragem e que tiveram muita força pra levar aos
palcos as suas personagens. Foi a partir do aval delas (na leitura
da ideia, do enredo da peça) e em conjunto com a música criada
especialmente para a peça pelo maestro Gerson Grünblatt, que a peça
ganhou vida. Claro que o tema veio antes. Eu só tinha uma frase (nem
o título eu tinha) quando conversei com Débora pela primeira vez,
depois da nossa estreia em Virgens à Deriva. Levou
quase um ano inteiro, de março de 2007 a janeiro de 2008, para que a
peça pisasse finalmente no palco. Sobre o festival e as críticas
recebidas, todos foram muito simpáticos conosco, uma vez que nossa
intenção não era agradar a quem quer que fosse. A peça fala de um
Brasil no nascedouro, na nascente, ainda na maternidade. A
influência da Igreja Católica neste destino tem atravancado a
História não só nossa, mas também a da América Latina como um todo e
de toda a Península Ibérica. Era esse desgosto que nós pretendíamos
colocar em cena. Era o que não estava dito em palavras ou em cena,
mas subentendido. O processo de elaboração da peça pode ser dividido
em duas partes bem distintas: 1) o trabalho de três meses de
pesquisa, muita leitura de tudo o que caía às mãos sobre a
civilização do açúcar, o posicionamento da mulher no Ocidente e
especificamente no Brasil, a história da Igreja e também da Ordem
Franciscana (de onde vêm as Clarissas, de Santa Clara), a ida a
Salvador, a conversa com historiadores, a consultoria da (então)
mestranda da UFBA Laís Viena de Souza, que pesquisava para a
maravilhosa dissertação de mestrado dela sobre o Seminário de Belém
da Cachoeira, que era contemporâneo à nossa trama da peça, e uma
pilha de livros; e 2) os cortes de texto (foram mais de 15 páginas
cortadas, graças ao apoio de
Débora, Carolina e o maestro Gerson,
ainda preservando momentos bonitos do texto), o trabalho
propriamente dito das atrizes na criação das personagens, da
preparação de elenco (de Fernanda Levy) com elas e a da direção
(cinematográfica) de Eduardo Sofiati, que se adaptou ao que tínhamos
de orçamento e aos palcos, dando a potência necessária em cena.
Do Claustro foi um imenso desafio para todos nós, sem
dúvida.
AC: Seu blog
Textos Curtos para Teatro reúne uma série de textos de sua
autoria e já acumula visitas dos mais diversos países. Como você tem
sentido a repercussão a esse trabalho?
RJ: Com muita surpresa e alegria, é assim que se pode ver a maneira como
as pessoas tem gostado dos textos do blog. Tem texto lá que
alavancou mais de 5.000 visitas em menos de três meses (como
aconteceu com Descasos Indeléveis para uma Noite em Si Bemol)
e outros textos que serão montados já para as Satyrianas 2009, como
Exame, O Homem que Olhou para Cima e
O Mapa do Coração do Mundo (de que gosto bastante) e que
foram os mais recentes a ser escritos. Virgens à Deriva,
por sua vez, continua a ser montada, e já pisou palcos de todas as
regiões do Brasil e até de Portugal. Ela fala sobre a chegada da
mulher ao Brasil, teve inspiração numa das cenas iniciais do filme
Desmundo, do Alain Fresnot, mas para por aí, o resto é
comédia. É muito bom saber disso e saber que as pessoas têm gostado
dos textos. É tudo muito novo, para ser exato, e a repercussão a
cada novo texto é sempre um grande mistério, uma vez que o texto só
é postado quando ele está devidamente aprovado, que esteja
minimamente razoável para ser publicado, tornado público. O resto
são as repercussões, e tem sido positivas, muitas delas com surpresa,
pois é sempre um desafio escrever e um mistério a recepção dos
textos.
AC:
No ano passado, uma matéria publicada na
Folha de S.Paulo levantou certa polêmica ao afirmar que existe
uma 'crise de dramaturgia' no teatro brasileiro. Você concorda com
isso ou vê uma dramaturgia brasileira forte ainda?
RJ: Eu, pessoalmente, sou muito otimista, tenho que ser, do contrário,
estaria apostando todas as minhas fichas em algo que não teria
alguma porta de saída para o que eu faço. É uma faca de dois gumes.
Ao mesmo tempo em que um diretor (também crítico de cinema) como o
Rubens Ewald Filho fala que não consegue encontrar bons textos
dramatúrgicos brasileiros contemporâneos, a própria Folha On Line,
em seu blog
Cacilda, traz, em matéria do Nelson de Sá, um texto em que
críticos fazem lista dos dramaturgos que estão vindo à tona, cujo
trabalho tem vindo com força, como a Gabriela Mellão (que também
escreveu uma matéria sobre nossa dramaturgia contemporânea, coisa
recente, de capa, para a edição impressa da Bravo!) que lista o
Paulo Santoro, a Silvia Gomez, o Sérgio Roveri, a Grace Passô e o
Newton Moreno. Cada um deles vem com um teatro muito bacana. Existe,
sim, dramaturgia, a questão é que os grupos não encontram os
dramaturgos e os dramaturgos não encontram os grupos. Por isso
bloguei as peças curtas, que são um tipo de aperitivo para as peças
de duração mais longa, como Do Claustro,
Lourenço ou Talhado Mundo. Essa questão do
encontro entre dramaturgos e grupos veio à tona num seminário sobre
a Dramaturgia Brasileira Contemporânea, que aconteceu em 2009 no
Centro Cultural São Paulo. Eu estava escrevendo Lourenço,
que ganhou o Prêmio Estímulo da Secretaria de Estado da Cultura de
São Paulo (dentro do edital de Novos Textos de Dramaturgia para
Teatro 2008/2009), mas parei tudo o que fazia para acompanhar este
simpósio, como plateia. Há ainda outros autores listados na mesma
reportagem do blog da Folha, como o Edu (Eduardo Ruiz), que escreveu
os belos Chorávamos Terra Ontem à Noite e A
Maçonaria do Silêncio, além do André Fusko, do João Fábio
Cabral (que escreveu o belíssimo Rosa de Vidro, que
fez boa figura no Festival de Curitiba 2009). E tem também as
incursões dramatúrgicas de diretores como Georgette Fadel (em Love'n'Blembers),
Heron Coelho (em Gota D'Água — Um
Breviário, que deu o Shell de
Melhor Atriz para a Georgette, que fez lindamente a Joana, que Chico
e Paulo Pontes escreveram, além do lindo e divertido Calabar —
Breviário, onde havia cenas magistrais, também ao som de Chico
Buarque, com a atriz Luciana Paez, no papel da Bárbara). Há
diretores/atores/dramaturgos, como o batalhador Ricardo Corrêa, que
dirigiu o meu Sobre o Teu Corpo e Duvidei, nas Satyrianas 2008, em
outubro passado. Tem a Adélia Carvalho, lá em Belo Horizonte, ela
com o dramaturgo Walmir José vem trazendo um teatro criativo, já há
mais de dez anos, juntamente com o Grupo As Medeias. Os dois tem
textos maravilhosos, e atuam também, acabaram de fazer uma peça
juntos, escrevendo e atuando, que foi a Erva Daninha. Voltando
para São Paulo, tem o Sérgio Spina, diretor/ator/dramaturgo, que vem
desenvolvendo, ao lado de Luiz Antonio, um trabalho bonito de
dramaturgia dentro da Cia. de Febre, que é deles e das atrizes
Roberta Fonseca e Carol Guedes (que é também diretora, excelente por
sinal, e que levou lindamente o meu Andares Acima também ao palco
nas Satyrianas 2008). Tem o Antonio Rocco, que já tem um trabalho
grande de dramaturgia, inclusive à frente do Teato NexT, que ele
administra. Tem o Lucianno Maza, que dirige, escreve e às vezes até
atua em suas peças, mas que tem um trabalho pulsante, bonito e muito
prolífico, muito produtivo. Tem o Rudifran Pompeu, Prêmio APCA de
Melhor Autor com o belíssimo A Casa (que retornou, às sextas, ao
Casarão da Escola Paulista de Restauro, ali na Major Diogo), que, à
frente do Grupo Redimunho, não para um segundo sequer, eles vieram
com Vesperais nas Janelas, que tem texto final e direção do Rudi,
e que é uma das dez melhores peças em cartaz pela revista Veja, e agora eles vem com novo processo, lendo muito Gabriel García Márquez,
algo sobre o mar, deverá ser lindo, igualmente. Tem o Rogério
Tarifa, que está na São Jorge de Variedades, e vem escrevendo muita
coisa, tem a própria Cibele Forjaz, diretora e iluminadora já
consagrada, que vem criando coisas com a sua Cia. Livre. Tem os
diretores e dramaturgos Marcello Airoldi (que agora vai fazer novela
do Manoel Carlos, na Globo, a Viver a Vida) e que tem escrito
coisas lindas como Um Segundo e Meio (monólogo) ou
A Casa do
Gaspar (montada pelo Vento Forte, de Ilo Krugli) e o Luiz
Valcazaras, que tem escrito e dirigido muita coisa, é um iluminador
experiente, diretor muito rápido, e tem levado muita coisa aos
palcos. Não se pode deixar de citar também a atriz e talentosa
autora teatral (de grande visão de palco) que é a Vanessa Morelli,
que tem peças de um humor ácido, como Margaridas e
Culpados. Não
se pode esquecer o trabalho gigantesco, de formiguinha da
dramaturga Paula Chagas (que tem formado muita gente boa, a exemplo
da também atriz Silvinha Faro, na arte pulsante da dramaturgia) e do
José Cetra, que estão computando peças e autores contemporâneos,
fazendo um levantamento importante dessa dramaturgia, analisando os
números e que em breve trarão às luzes coisas novas sobre o que o
teatro brasileiro tem escrito. Tem muita gente boa de que a imprensa
não fala. Por isso é que é bom acompanhar essas matérias, as mais
novas vão atualizando os trabalhos desses autores. E a dramaturgia brasileira está forte, sim, cheia de coisa pra dizer, pulsante,
vibrante, e repleta de assuntos. Muitos desses nomes que foram
citados acima já estão consagrados, embora o público ainda não os
conheça. É um trabalho de formiga ser conhecido. A imprensa pode
ajudar, evidente. Muitos autores foram citados aqui e a imprensa por
aí sequer ouviu falar. E estão dando um bolão nos palcos. É muita
gente, é muita peça, dizem os críticos que são poucos para
acompanhar tudo. Mas uma hora eles encontram. É possível que já
estejam encontrando aos poucos. É só preciso estar nos palcos pra
ser visto, e muitas vezes o esforço é gigantesco. A gente tem que
acabar produzindo nossas coisas mesmo para que finalmente cheguem às
plateias. É complicado, uma batalha homérica.
AC: Você vai muito ao teatro? O que tem visto nos últimos tempos
que te chamou a atenção, tanto em termos de grupos/espetáculos
como de atuações?
RJ: É necessário ir ao teatro para fazer essa retroalimentação. É
preciso ler e assistir. O que se pode lembrar de bacana que está ou
esteve por aí são Agreste (Shell de Melhor Autor e Melhor Texto,
do Newton Moreno, a peça a que a Marieta Severo assistiu e
encomendou ao autor uma comédia para ela e a Andréa Beltrão, que
contivesse aquela poesia, e daí veio As Centenárias), tem
o Chorávamos
Terra Ontem à Noite, do Eduardo Ruiz, tem o texto de A Casa, que ganhou o APCA, escrito pelo Rudifran Pompeu, a partir do universo de
Guimarães Rosa. Isso em termos de texto. No tocante a montagens,
gosto muito das coisas que o Tapa vem fazendo (a exemplo de Camaradagem
e mesmo peças mais antigas deles como Contos de Sedução
— Maupassant e Major Bárbara e ainda
A Importância de Ser Fiel),
da Cibele Forjaz (como a premiada Rainhas). Em termos de atuação
eu lembro de coisas bonitas como a Julia Bobrow (em Rosa de Vidro, direção do Ruy Cortez), da Isabel Teixeira e da Georgette Fadel (em
Rainhas), e da Anna Cecília Junqueira no monólogo do Mário Prata
dirigido brilhantemente pelo Eric Lenate, Natureza Morta), da Paulinha, a Paula Arruda (no elogiadíssimo
O Céu Cinco Minutos
Antes da Tempestade, da Silvia Gomez, também sob direção de Eric
Lenate, que também vem aí com a maravilhosa, deliciosa e primeira
montagem de Celebração, de Harold Pinter, na Cultura Inglesa, que
tá um primor). Certamente estarei esquecendo gente ou montagem aqui,
mas é bom deixar anotado também o Hélio Cícero, na comemoração dos
dez anos de O Fingidor, Shell de Melhor Texto do Samir Yazbek, que
também dirige a montagem, e o Hélio arrasa fazendo o Fernando Pessoa
e seu duplo, Jorge Madeira. É bárbaro.
AC: E voltando ao seu trabalho como autor, quais são seus
projetos profissionais mais imediatos?
RJ: Há um livro que está vindo por aí, cujo tema não posso adiantar
agora, mas que está muito bonito, com texto meu, com diagramação
linda do Alexandre Silva e com 242 bárbaras caricaturas de Sergio
Morettini (cartunista vencedor do Troféu HQ Mix, detém o Prêmio
Angelo Agostini de Mestre do Quadrinho Nacional e venceu um prêmio
na Romênia, em 2009). Tem a colocação nas escolas do meu infantil
Bem
Longe da Traçalândia, direção de Claudio Cabrera, que a Cia.
Mestremundo de Histórias recentemente abraçou, tendo as atrizes
Luana Nunes e Aline Carcellé no elenco e a direção musical de
Fernando Porto. Além disso, estou escrevendo duas peças encomendadas
(uma para o talentoso grupo Galpão das Artes, de Limoeiro, PE, e
outra que é um musical para um grupo de Salvador, BA), além de duas
peças que já tem diretor (não posso adiantar os títulos e nem os
nomes agora) e tentar viabilizar a produção de Lourenço, a minha
menina dos olhos atual. Para ela devotei, no finalzinho do ano
passado, todas as minhas forças, e ela me deu muita força também, o prêmio (e estímulo) para escrever me vieram imediatamente em
seguida a um momento bastante drástico da minha vida pessoal, meio
como se fosse uma boia de salva-vidas à qual me agarrei. A peça
ganhou exatamente o Prêmio Estímulo da Secretaria de Cultura de São
Paulo para ser escrita, um texto que levou um mês para escrever,
três meses de pesquisa e três montanhas de livros (Do Claustro levou uma montanha e meia).
Lourenço está bem na minha ordem-do-dia
montá-la, não pelo tema que é de época, nem exatamente pelo fato de
trazer à tona um personagem importante bem desconhecido de Nossa
História, mas principalmente por causa dessa urgência nossa,
enquanto civilização, enquanto raça humana, e que tem se refletido
nessas coisas que tem acontecido e que ainda irão acontecer, que
serão terríveis, esses reveses do planeta Terra, em resposta ao que
o homem tem feito com sua passagem por aqui. A partir daí, tenho
outras coisas autorais também para escrever, entre infantis, dramas
e comédias, contanto que sejam colocadas no palco, pois é lá que
elas se completam. Diante do público.
Fotos: Débora
Aoni e Vanessa Morelli em Sobre Teu Corpo e Duvidei (por Felipe Denuzzo),
Amanda Banffy e Renata Becker em Andares Acima (por Elcio Ohnuma) e
Ruy Jobim Neto ao lado do diretor Charlon Cabral no Festival de
Curitiba 2008.

Amores Rasgados foi
um dos espetáculos apresentados até agora na mostra paulista
Mostra
do Macunaíma tem a apresentação de mais quatro peças até segunda
Sábado,
18.07.2009 I
Esta matéria em espanhol
A
70ª Mostra do Teatro Escola Macunaíma, que se realiza desde o 12 de
junho e vai até a próxima segunda-feira, dia 20, tem programada a
apresentação de mais quatro peças, nas diversas salas da instituição
localizada na Unidade Barra Funda, região central da capital
paulista.
Considerada um dos eventos mais tradicionais do teatro paulistano,
a mostra tem ingressos a R$ 12 (meia a R$ 6 e alunos R$ 3) para cada espetáculo e representa um espaço no
qual os estudantes da escola podem apresentar seu trabalho ao público,
sobre textos que eles mesmos escolhem para encenar no palco.
Os quatro
espetáculos que fecharão esta edição da mostra são Love,
Bullets and Music in...Chicago!, O Santo Inquérito,
A Capital Federal e Mente Capta. A
Unidade Barra Funda do Macunaíma fica na rua Adolfo Gordo, 238
(Campos Elíseos, Centro). O telefone para maiores informações é o
3667-0807.
Confira a
programação até o fim da mostra:
Love,
Bullets and Music in...Chicago!
Direção: Zédú
Neves
Gênero: drama tragicômico musical
I Duração: 90
minutos I Recomendação: 12 anos
Assistência de
direção: Juliana Manduca I Preparação musical: Danilo José
Autoria: adaptação
da peça de Maurine Dallas Watkins I Tradução: alunos
Elenco: Aluado
Ramoony,
Ângelo Aleixo, Ariele Ramos, Carol Rodrigues, Cleber Moraes,
Gabriela Ghetti, Helen Cerqueira, Izabela Mariano, Jay Pólvora, Laís
Lenci, Leandro Dona, Luana Paradeda, Luciana Marques, Luciana
Ribeiro, Maiara Schultz, Melissa Lucena, Renato De Vitto, Rita
Libanio e Rodrigo Monteiro
Banda: Pablo Zuazo
(piano), Chicão (contra-baixo) e André (sax)
Sinopse: Uma
dançarina famosa, uma atriz ambiciosa... O teatro, a música e a dança
em suas vidas.. Apenas um detalhe para fazer a diferença... Os
homens no caminho! O destino em Chicago impõe... Love, bullets and
music!
Datas e lugar: 17,
18 e 19 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 1)
O Santo Inquérito
Direção: Adriano
Cypriano
Gênero: teatro
coreográfico I Duração: 50
minutos I Recomendação: 12 anos
Assistência de
direção: Carol Mafra, Sandro Santos e Thaís Tuin
Autoria: Dias
Gomes I Fotografia: Betto Pita
Elenco: Allan Brasileiro, Beatriz Gimene, Betto Pita, Bruno Modena,
Camila Aires, Elaine Vegnaduzzi, Fabio Dantas, Gustavo Guerra,
Kamilla Bastos, Mariana Bazeggio, Renan Pena, Renato Lot, Talita
Alves, Thata Albuquerque e Vanessa Corrêa
Sinopse: Ela sabe que não fez nada de errado. Ele vê que só a
condenação dela poderá livrá-la da perdição do inferno. Há um mínimo
de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca de
liberdade. Nem mesmo em troca do sol.
Datas e lugar: 17, 18 e 19 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 3)
A Capital Federal
Direção: Wanderley Martins
Gênero: comédia
opereta de costumes I Duração: 88 minutos I Recomendação: livre
Assistência de direção: Célio Jemene I Autoria: Arthur Azevedo
Música: Nicolino Milani, Assis Pacheco, Bizet e Flávio Rangel
Figurino: Débora de Souza
Elenco: Alexandre Affonso, Alexandre Cecchi, André Durbano, Áurea
Vieira, Carlos Alberto Brito, Carol Steagall, Débora Veroneze, Diego
Sass, Flavio Mariano, Gleyce Hanna, Henrique Godoy, Jurema Mensorio,
Michael Canuto, Mirucha Santos, Rafael Zampronio e Renata Belarmino
Atores convidados:
André Gaia, Éden Oliveira, Fernanda Maia, Fran Coutinho, Karina
Zichelle, Maurício Barone, Raquel Zichelle e Ronnie Assis
Sinopse: A Capital Federal, de Arthur Azevedo, é um
desdobramento da revista de ano O Tribofe. Este gênero passava
em revista os acontecimentos do ano em uma forma teatral, com muita
música e crítica aos costumes. Nela acontece a vinda de uma família
do interior em visita ao Rio de Janeiro, e que acaba encontrando muita confusão, muitos malandros, biltres, bilontras e
tribofes.
Datas e lugar: 18, 19 e 20 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 2)
Mente Capta
Direção: Ariel Moshe
Gênero: comédia I
Duração: 80 minutos I Recomendação: 10 anos
Assistência de direção: Lucas Barbosa e Cristiane Sena I Autoria:
Mauro Rasi
Elenco: Alexandre Ganico, Antonio Marques, Augusto Calili, Carolina
Christ, Carolina Hamani, Cleusa Passos, Ester Hamani, Flavia Araújo,
Larissa Gonçalves, Luciana Moreira, Luciano Alves, Rafaela Pavão,
Raissa Arruda, Rick Al'majid, Stefanie Malta, Tyasu e Vanessa Ávila
Sinopse: Em uma clínica psiquiátrica, uma médica terapeuta tenta
obter o poder e a disciplina de seus pacientes, através da prática
ilícita, desvio de conduta médica, da prática questionável de
terapias não convencionais. Um microcosmo crítico da sociedade
moderna.
Datas e lugar: 18, 19 e 20 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 4)

Débora em cena nos
espetáculos Amortempo, Putamerda e Virgens à Deriva
Série
Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Débora Aoni, atriz
paulista
Sábado,
11.07.2009 I
Esta matéria em espanhol I
Veja todas as
entrevistas
Embora atue desde
criança em comerciais de televisão e tenha participado de
várias peças de teatro escritas por reconhecidos autores nacionais
e estrangeiros, foi somente há dois anos que a atriz paulista Débora Aoni decidiu abandonar a carreira publicitária para dedicar sua vida
aos palcos e, mais recentemente, ao cinema.
O nome da atriz surgiu com força no ano passado, quando protagonizou um
dos espetáculos mais elogiados pela crítica em 2008.
Do
Claustro, escrita por Ruy Jobim Neto e dirigida por Eduardo
Sofiati, cumpriu trajetória de sucesso em São Paulo, além de ter
sido apresentada no Festival de Curitiba e no Rio de Janeiro.
Antes disso, Débora já havia atuado em peças como
Amortempo
e
Putamerda,
entre outras, e também na esquete
Virgens à
Deriva, ao lado de Fernanda Sophia e Vanessa Morelli.
Empolgada por sua
estreia no cinema — que considera sua verdadeira paixão e para onde
pretende apontar sua carreira —, Débora conversou com o ALDEIA
CULTURAL, em uma entrevista na qual contou algumas de suas experiências sobre o
palco, além de falar sobre o que a motivou a abraçar de vez a carreira de
atriz e revelar suas diversas referências cinematográficas,
demonstrando estar em sintonia com o que se produz hoje no Brasil e
na América Latina.
Entrevista
I Débora Aoni
"Sou completamente apaixonada pelo cinema"
ALDEIA
CULTURAL (AC): Você faz comerciais desde a infância, mas é
relativamente recente a sua decisão de se dedicar em cheio à
carreira de atriz. Quando e como você optou por dar esse passo?
DÉBORA AONI (DA): Na realidade sempre quis ser atriz,
desde pequena, quando comecei a fazer comerciais de TV. Portanto a
minha decisão em me dedicar totalmente à carreira de atriz foi muito
natural, veio com o passar da adolescência, da experiência por 4
anos como redatora publicitária e o redescobrimento de que sempre
fui atriz e não queria nada com Publicidade! O 'ser atriz' apenas
estava adormecido dentro de mim. Em 2004 comecei a fazer cursos e
oficinas de teatro na Cia. Os Satyros e no Teatro FAAP, onde encenei
espetáculos de Sam Shepard (Louco Para Amar e
Oeste Verdadeiro), Nelson Rodrigues (Toda Nudez Será
Castigada), Federico García Lorca (Amortempo —
um espetáculo com mistura de várias peças e textos do escritor) e
Plínio Marcos (Putamerda — outro espetáculo com
mistura de várias peças e textos do dramaturgo e dos próprios alunos
da oficina). Em 2007 larguei de vez a Publicidade quando fui
convidada para participar da esquete Virgens à Deriva.
Daí pra frente veio uma coisa puxando a outra. O Ruy Jobim Neto me
convidou para atuar em Do Claustro e vi que aquele
momento era a hora da mudança. E fui com tudo, com toda a coragem do
mundo, feliz da vida.
AC: Quem olha de fora vê uma programação com dezenas de
peças acontecendo em São Paulo, curtas e longas sendo produzidos e
um movimento superinteressante no centro da cidade, além de um
mercado amplo em diversas áreas (teatro, TV, cinema, publicidade).
Mas, afinal, como é viver de ser ator na capital paulista?
DA: Realmente São Paulo está com um movimento bem legal de
produção cultural e artística. O cinema, principalmente, está
voltando com tudo. Cidade de Deus foi como uma nova retomada
no cinema brasileiro, injetou ânimo e criatividade em todo mundo que
mexia com isso, que amava mas não sabia onde e como fazer. De
repente começaram a pipocar filmes, novos diretores, atores,
roteiros, pequenas produtoras que fazem cinema na raça e é incrível!
É uma loucura extremamente estimulante ver tudo isso se movendo
freneticamente. Em termos de ser atriz na cidade, o começo é mais
difícil mesmo. Quando você ainda não é relativamente conhecido (como
é o meu caso) ou não está em nenhuma produção que tenha sido
contemplada com leis de incentivo etc., é um pouco difícil em termos
financeiros. Você fica na corda-bamba entre sua vocação/o que te faz
feliz ou ter estabilidade financeira, morar sozinha, ter dinheiro
para o básico e para o lazer (que também é importantíssimo). Então é
meio apertado, faço alguns bicos de hostess, atendente em
livraria, produção em festivais de cinema, freela de
redação, vou me virando. Por outro lado São Paulo tem isso mesmo; é
uma cidade multicultural fortíssima — existem mil instituições,
festivais de cinema e teatro e lugares em que posso ganhar uma
renda
e continuar, ao mesmo tempo, perto do que amo culturalmente: cinema,
teatro, exposições etc. Tudo isso levando a carreira de atriz em
paralelo e como prioridade, claro.
AC: No ano passado, você protagonizou o espetáculo
Do Claustro, que foi muito bem recebido em Curitiba,
Rio de Janeiro e São Paulo. Um ano depois, que lembrança você
tem dessa experiência?
DA: Só lembranças boas e que me fizeram crescer como atriz e
como pessoa. Do Claustro foi um presente do Ruy (Jobim
Neto, autor do texto), foi minha primeira protagonista, com
aquele peso absurdo; o Ruy e todos da equipe confiaram muito em mim
e espero não ter desapontado! Do Claustro está no meu
coração para sempre. Hoje mesmo me lembrei de um trecho que fazia
com a Carol (Mesquita, a outra atriz da peça) e quando terminei de
pensar, falei: "Puta merda, aquilo era do caralho de se fazer!". E
não que essas lembranças maravilhosas tenham sido todas maravilhosas
mesmo. Era um espetáculo muito pesado, só duas protagonistas, houve
momentos de puro caos, pura dor nos ensaios. Mas como eu ouvi de um
ator que gosto muito: "Eu sofro mas eu gozo". Então mesmo quando me
lembro de momentos difíceis como os que você ainda está tateando o
personagem ou quando não consegue fazer uma cena como imaginava,
mesmo nesses momentos, é maravilhoso. Porque o caminho é o tesão da
coisa. Claro que o resultado — o espetáculo — é de extrema
importância. Mas o caminho para chegar nele é que me dá todo o tesão.
Por essas e outras que amo do fundo da minha alma ser atriz.
AC: Outro trabalho em que você esteve presente foi
Amortempo (2005), culminando uma oficina sob direção de
Nora Toledo. Como foi esse processo?
DA: Foi surreal. Pois Lorca é surreal. É forte e verdadeiro.
Seus poemas são umas das coisas mais lindas e tocantes que já li em
toda minha vida. Amortempo foi baseado nas principais
peças de Lorca e quando começamos a ler esses seus poemas e textos,
quando começamos
a entrar e beber de seu mundo, de Granada, de
Flamenco, de vermelhos e cores e tudo de que Lorca nos passava,
entramos numa vibe surreal, poética, de outro mundo. Foi um processo
diferente de Do Claustro (que era realismo puro) mas
igualmente prazeroso. Uma das músicas da trilha sonora de
Amortempo, a música-tema da cena de Yerma, me dava arrepios;
eu chorei escondida na coxia em todos os ensaios e apresentações na
hora que esta música entrava. Lorca é poesia pura, a Nora era poesia
pura, atriz de verdade, diretora sensível e que anda do seu lado, de
mãos dadas. Então foi mágico este espetáculo. Tudo foi mágico.
Aquele palco ali, quando Amortempo ia entrar, se
transformava, virava o céu.
AC: A maioria dos atores tem um verdadeiro fascínio pelas
artes cinematográficas e muita vontade de fazer filmes. No seu caso,
qual é a relação que você tem com o cinema?
DA: Completamente apaixonada, louca, obcecada, cinéfila antes
de tudo. Relação de amor eterno! Na verdade sempre quis fazer
cinema. Comecei com teatro pois acho essencial para qualquer ator
fazer teatro — é lá, no ao vivo, no improviso, no imponderável, que
você aprende muito. Então comecei com teatro de propósito e pretendo
fazer sempre. Mas o cinema... paixão desde pequena. Me lembro com 11
anos indo ao cinema com minha mãe e dizendo: "Mãe, é isso que eu
quero fazer. Mas vou ter que ir lá pra fora, aqui não tem!". Com 11
anos, a referência que eu tinha de cinema no Brasil era a
pornochanchada. Minha mãe era professora de inglês e eu disse que ia
aprender a língua para poder ir 'pra fora' [eu nem sabia onde era
esse fora de que eu falava (risos)] e fazer cinema. De repente, um
belo dia, já adolescente, fui ao cinema e assisti Carlota
Joaquina. Quando terminou eu pensei: "Peraí, alguma coisa mudou
aqui. Isso é cinema de verdade e no Brasil!". Então, hoje em dia,
estou com foco no cinema.
AC: E se você fosse diretora de cinema? Sobre o que seria
seu filme, que diretores seriam seus referentes e que atores você
escalaria para protagonizá-lo?
DA: Não sei sobre o que seria meu filme pois sou uma pessoa
que vai mudando de acordo com o que vou vivendo. Hoje em dia, se
fosse filmar algo, sei lá, amanhã, por exemplo, acho que gostaria de
falar das relações pessoais, com toques de poesia — como Miranda
July fez com Eu, Você e Todos Nós ou Charlie Kaufman com
Sinédoque, NY — isso me interessa muito hoje em dia. Mas posso
ter vontade de falar sobre outra coisa daqui a algum tempo,
muito
difícil responder isso com 100% de certeza. Mas digamos que relações
pessoais e temas polêmicos sempre me interessaram muito
(enfática). Acho que teria que escalar atores relativamente jovens se o tema fosse esse mesmo (risos)! Alguns atores de
que gosto muito: Gael García Bernal (dos meus preferidos), Sean Penn,
Wagner Moura, Selton Mello, João Miguel, Caio Blat e Júlio Andrade (um
ator que não é muito conhecido pelo público aqui no Brasil mas que é
simplesmente maravilhoso), Naomi Watts, Fernanda Torres, Nora Toledo
(ela mesma, minha diretora em Amortempo — você não
sabe o que é essa mulher atuando!), Fernanda D'Umbra (atriz mais
conhecida aqui no teatro também), Catalina Sandino Moreno... Sobre
referência de diretores, tenho desde os clássicos até os atuais, sou
cinéfila mesmo! A primeira vez que vi Amarcord saí do cinema
aos prantos. O que era aquilo? Que magia é aquela? Amores Brutos
e 21 Gramas idem, já vi mais de 10 vezes e continuo me
emocionando toda vez que os vejo. Alejandro González Iñárritu é um
mestre para mim, como foram Fellini e tantos outros. Ele é mestre do
século XXI na América Latina. Buñuel também é uma grande referência
para mim e também gosto muito do que Daniel Burman faz na Argentina.
Aqui no Brasil, tudo que Fernando Meirelles, Walter Salles, Sergio
Machado, Alexandre Stockler, Karim Aïnouz, Heitor Dhalia, Cláudio
Assis e Beto Brant fazem, estou de olhos abertos, sem piscar!
Considero como mestres aqui perto de mim. São geniais. Também tenho
paixão por Woody Allen e seu jeito leve de falar sobre assuntos
espinhosos, Michel Gondry, Almodóvar (ah, como eu amo Almodóvar!),
nossa, são muitos.
AC: Você está envolvida em algum novo projeto? Quais são
os seus planos profissionais a curto e médio prazo?
DA: Acabei de participar do meu primeiro longa-metragem,
ainda sem data prevista para estreia. Mas foi um sonho realizado e
espero que o primeiro filme de muitos. Foi incrível mesmo, estou
muito feliz com este projeto. E estou começando a participar de
algumas reuniões para um novo espetáculo, tudo ainda bem no
comecinho, mas com pessoas muito talentosas e queridas. É o meu
projeto a médio prazo. Fora isso, pretendo seguir mais pelo campo da
atuação em cinema se tudo der certo!
Fotos:
Espetáculos Do Claustro e Putamerda; making of do seu primeiro
longa-metragem.

Justine é uma das
peças que estará em cartaz em julho no Rio de Janeiro
Satyros
iniciam temporada no Rio com a apresentação de sua trilogia
libertina
Sexta-feira,
03.07.2009 I
Do site dos Satyros
A companhia
paulista de teatro
Os Satyros
inicia na noite de hoje uma temporada de um mês no Espaço Cultural
Municipal Sérgio Porto, antigo galpão localizado no bairro de
Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro. A peça escolhida para a
inauguração da mostra é Os 120 Dias de Sodoma, cuja
apresentação começará às 21:00.
Fundado por Ivam
Cabral e Rodolfo García Vázquez, o grupo comemora em 2009 seus 20
anos de existência, tendo revolucionado a cena teatral paulistana e
recuperado a Praça Roosevelt, no centro da cidade, contribuíndo de
forma decisiva para que o lugar se transformasse em um ponto de
grande efervescência artística.
Idealizadores do
evento Satyrianas — que em sua última edição reuniu mais de 30.000
pessoas durante 78 horas de atividades ininterruptas —, os Satyros
estão entre os principais agitadores culturais da capital paulista e
recentemente tem desenvolvido também projetos no cinema e na
televisão. No teatro, já se apresentaram em uma dezena de países e
produziram mais de 60 espetáculos ao longo de duas décadas.
A Mostra Satyros no Rio é composta pelas peças Liz e
Monólogo da Velha Apresentadora, além da Trilogia
Libertina, baseada na obra do Marquês de Sade, que inclui A
Filosofia na Alcova, Os 120 Dias de Sodoma e
Justine. São justamente estas três que se apresentam
este fim de semana, abrindo a temporada da companhia em solo
carioca.
A
Filosofia na Alcova
Sinopse: Dolmancé e Madame de Saint'Ange, dois dos personagens mais
libertinos da história da literatura universal, são os protagonistas
desse texto, escrito originalmente pelo Marquês de Sade, em que é
apresentada a educação sexual de uma jovem virgem, com aulas
práticas e teóricas de libertinagem. Após o período de aprendizado,
a mãe da jovem chega ao palácio dos libertinos para tentar resgatá-la,
quando então é confrontada pelos mentores da jovem e por ela mesma.
Texto: Rodolfo García Vázquez, a partir da obra homônima do Marquês
de Sade.
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Phedra D. Córdoba, Andressa Cabral, Luana Tanaka, Beto
Bellini, Marta Baião, Diogo Moura e Henrique Mello
Quando: domingo 05; a partir de 10/07, sextas, 21:00
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.:
(21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e
terceira idade)
Duração: 80 minutos
Lotação: 130 lugares
Classificação: 18 anos
Temporada: 05 a 17 de julho de 2009
Os
120 Dias de Sodoma
Sinopse: Inspirado
no romance do Marquês de Sade, a montagem, que contou com críticas
favoráveis da imprensa e grande adesão do público, está em cartaz
desde maio de 2006. O espetáculo trata de questões filosóficas e
políticas colocadas pela obra sadeana, em um contexto brasileiro de
corrupção e decadência das instituições sociais.
Texto: Rodolfo García Vázquez, a partir da obra homônima do Marquês
de Sade
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Beto Bellini, Marta Baião, Ruy Andrade, Antônio Campos,
Marcelo Tomás, Angrey Fiel, Carolina Angrisani, Danilo Amaral, Diogo
Moura, Erika Forlim, Henrique Mello, Mauro Persil, Patrícia Santos,
Rodrigo Souza, Rafael Mendes, Samira Lochter, Tiago Martelli, Luana
Tanaka, Robson Catalunha, Luiza Valente e Marcelo Jacob
Quando: sexta 03 e sábado 04; a partir de 11/07, sábados e domingos,
18:30
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.:
(21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e
terceira idade)
Lotação: 130 lugares
Duração: 120 minutos
Classificação: 18 anos
Temporada: 03 a 19 de julho de 2009
Justine
Sinopse: Última parte da trilogia dos Satyros para os textos de
marquês de Sade, a peça conta a história da pura, religiosa e
inocente personagem Justine (Andressa Cabral), que acaba se
envolvendo em experiências de crime, tortura e depravações que
testarão seus valores morais e de conduta, enquanto sua irmã, a bela
e libertina Juliette (Erika Forlim), realiza uma trajetória cheia de
sucessos e prazeres.
Texto: Rodolfo García Vázquez
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Andressa Cabral, Erika Forlim, Marta Baião, Carolina
Angrisani, Antônio Campos, Danilo Amaral, Diogo Moura, Eduardo
Prado, Marcelo Jacob, Gisa Gutervil, Henrique Mello, Luana Tanaka,
Luisa Valente, Marcelo Tomás, Mauro Persil, Robson Catalunha,
Rodrigo Souza, Ruy Andrade, Samira Lochter e Tiago Martelli
Quando: sábados e domingos, 21:00
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.:
(21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e
terceira idade)
Lotação: 130 pessoas
Duração: 80 minutos
Classificação: 18 anos
Gênero: Tragicomédia
Temporada: 04 a 19 de julho de 2009
Liz
Sinopse: Utilizando-se de um tom farsesco e de abstrações, a peça
propõe uma profunda reflexão sobre a tristeza, a solidão e os erros
implícitos na arte de governar. Os personagens Raleigh e Marlowe
fundam um antro de perversão chamado A Escola da Noite, onde
questionam a anestesia de Deus e a soberania de Elizabeth I.
Texto: Reinaldo Montero
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Cléo De Páris, Ivam Cabral, Fábio Penna, Germano Pereira,
Brígida Menegatti, Alberto Guzik, Silvanah Santos, Phedra D.
Córdoba, Tiago Leal, Julia Bobrow e Chico Ribas
Quando: sextas, sábados e domingos, 21:00
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.:
(21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e
terceira idade)
Lotação: 130 lugares
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama
Temporada: 24 a 26 de julho
Monólogo
da Velha Apresentadora
Sinopse: Uma velha
apresentadora de TV surta porque sua empregada foi sequestrada e
começa a falar verdades no ar, acabando por contar sua vida, que não
é nada edificante.
Texto: Marcelo Mirisola
Direção: Josemir Kowalick
Elenco: Alberto Guzik
Trilha sonora: Ivam Cabral
Iluminação: Rodolfo García Vázquez
Assistência de direção: Chico Ribas
Quando: sábados e domingos, 18:30
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.:
(21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e
terceira idade)
Lotação: 130 lugares
Duração: 40 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Comédia
Temporada: 25 e 26 de julho
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