arquivo de notícias julho / agosto 2009

 

Michelle Pucci, Rafaella Marques e Simone Martins atuam no espetáculo da Vigor Mortis I Foto: Divulgação

 

Vigor Mortis realiza últimas apresentações de Nervo Craniano Zero em Curitiba

Sexta-feira, 28.08.2009 I Esta matéria em espanhol


Concluirá neste fim de semana a temporada de Nervo Craniano Zero, peça encenada pela companhia curitibana Vigor Mortis, que permanecerá em cartaz no Ateliê de Criação Teatral (ACT), na capital paranaense, até o próximo domingo.

 

O espetáculo, que tem texto e direção de Paulo Biscaia Filho, conta com as atuações de Rafaella Marques, Michelle Pucci e Simone Martins. As duas primeiras são atrizes estáveis da companhia, tendo participado de montagens como Garotas Vampiras Nunca Bebem Vinho e Hitchcock Blonde. A última foi escolhida através de testes e se mudou de São Paulo para Curitiba para fazer parte da peça.

 

Na trama, a doutora Barbara Bava (Martins) perdeu sua licença médica após um acidente durante pesquisas com sua nova criação: o chip Melpomene, um indutor de dopamina instalado no nervo craniano zero. O objetivo do chip era estimular a criatividade em seus pacientes. No entanto, Bava é surpreendida por uma reação inesperada do chip: seus usuários não mais tinham circulação de sangue, nem fome ou sono. Ainda assim, o chip era capaz de regular todas as funções mantendo o corpo ativo e com uma capacidade infinita de criatividade sempre que a dopamina fosse estimulada.

 

Por sua vez, Bruna Bloch (Pucci) é uma escritora de sucesso que, temendo não ter mais inspiração para escrever novos best sellers, contrata a Dra. Bava para continuar suas experiências e posteriormente ter o chip instalado em si mesma. Porém, antes de fazer isso, é preciso ter certeza do funcionamento do chip em seres humanos. Bruna então publica um anúncio em jornal contratando uma cobaia para o experimento.

 

A única a responder o anúncio de Bruna é Cristi Costa (Marques), uma simplória garota do interior com sonhos de ser uma grande cantora; estes são quebrados depois que ela é nacionalmente humilhada em um programa de calouros na TV. Sem alternativa, Cristi aceita então ser uma cobaia com o chip Melpomone em seu nervo craniano zero.

 

Depois do término da temporada, o grupo irá se dedicar à preparação de seus novos espetáculos — Janela e Jardim e Manson Superstar devem ser montadas ainda este ano — e na divulgação do filme Morgue Story, a bem sucedida incursão da Vigor Mortis no cinema. O longa, que vem recebendo vários prêmios e críticas elogiosas de revistas como a Variety, marca o início da trajetória do grupo nas telas, trabalho que terá continuidade em 2010, com a realização de outros projetos.

 

Nervo Craniano Zero terá suas últimas apresentações nesta sexta e no sábado às 21:00, e no domingo, às 19:00. O ACT está localizado na rua Paulo Graeser Sobrinho, 305, e os ingressos tem um custo de R$ 15. As reservas podem ser feitas através de e-mail.

 

Com informação do site da Vigor Mortis e da Gazeta do Povo.

 

Os atores Rubens Caribé e Giselle Itié são dois dos protagonistas do thriller Invasão I Foto: Divulgação

 

Treze filmes são selecionados para o Festival Brasileiro de Toronto deste ano

Terça-feira, 25.08.2009 I Esta matéria em espanhol

 

Os organizadores do Brazilian Film Festival of Toronto (BRAFFT) divulgaram a lista dos treze filmes que participarão da mostra competitiva da terceira edição, que será realizada de 4 a 8 de setembro no Bloor Cinema, no Canadá.

 

Um dos destaques é Inversão, de Edu Felistoque, que ainda não estreou comercialmente e que traz no elenco Alexandre Barillari, Giselle Itié, Marisol Ribeiro e Rubens Caribé, entre outros. No longa, uma delegada recém-formada (Ribeiro) tenta resolver o desaparecimento de um empresário. Mergulhada em um universo liderado por homens, ela deverá aprender a conviver com o submundo do crime e a inversão de valores.

 

Se Nada Mais Der Certo, de José Eduardo Belmonte (A Concepção, Meu Mundo em Perigo), chegará a Toronto  com o retrospecto de ter recebido vários prêmios em Los Angeles, Paris, Miami, Rio de Janeiro e Brasília. Protagonizado por Cauã Reymond, João Miguel, Caroline Abras e Luiza Mariani, o filme conta ainda com a presença de atores como Leandra Leal, Milhem Cortaz, Murilo Grossi e Roberta Rodrigues.

 

Outro título interessante será Blackout, curta-metragem que marca a estreia de Daniel Rezende na direção, depois de ter montado filmes como Cidade de Deus, Diários de Motocicleta e Tropa de Elite. Wagner Moura e Augusto Madeira interpretam um assessor e um suplente parlamentar que resolvem fumar um baseado numa sala em reforma da Assambleia Legislativa. Mas o que era para ser um momento de relax vira uma constante sucessão de revelações e surpresas que pioram a cada segundo.

 

Além da mostra competitiva, o festival também terá vários eventos paralelos e uma mostra convidada, da qual farão parte os longas Divã (de José Alvarenga Jr.), Nome Próprio (de Murilo Salles) e Praça Saens Peña (de Vinícius Reis) e o curta O Erroversível (de Rodrigo Moreira).

 

Os outros dez filmes a se apresentar na mostra competitiva são:  Loki-Arnaldo Baptista, de Paulo Henrique Fontenelle; O Menino da Porteira, de Jeremias Moreira; Simonal-Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Claudio Manoel, Calvito Leal e Micael Langer; A Ilha, de Ale Camargo; A Montanha Mágica, de Petrus Cariry; Ao Vivo, de Peppe Siffredi e Antonio Guerino; De Braços Abertos, de Bel Noronha; Enfim Dois, de Thiago Vieira; Pelo Ouvido, de Joaquim Haickel; e Sildenafil, de Clovis Mello.

 

A peça Édipo será apresentada em diversas cidades colombianas I Foto: Teatro del Presagio

 

Supercurtas: Aldeia Cultural no Twitter e teatro no Brasil, Bolívia e Colômbia

Segunda-feira, 24.08.2009 I Esta matéria em espanhol


Aldeia Cultural inaugura perfil no Twitter

Com o fim de estabelecer um contato mais direto com seus leitores, o ALDEIA CULTURAL acaba de criar seu perfil no Twitter. Este será um elemento complementar ao trabalho realizado pelo portal, de maneira similar ao que ocorre no grupo existente no Facebook. Além disso, a comunidade Teatro Brasileiro foi criada também agora na rede social, com o objetivo de promover as artes cênicas brasileiras e divulgar apresentações e convocatórias. Convidamos a todos a nos seguir por estes novos meios.

 

Brasil I Vigor Mortis faz sessão extra na quarta

A companhia curitibana Vigor Mortis realizará uma sessão extra a R$ 2,00 de seu espetáculo Nervo Craniano Zero no Ateliê de Criação Teatral - ACT (rua Paulo Graeser Sobrinho, 305, Curitiba). A apresentação terá início às 21:00 desta quarta-feira; depois disso, a peça permanecerá em cartaz normalmente, de quinta a sábado às 21:00 e domingo às 19:00. Nervo... tem texto e direção de Paulo Biscaia Filho e as atuações de Michelle Pucci, Simone Martins e Rafaella Marques.
 

Bolívia I La Cueva se apresenta em Cochabamba
O Teatro La Cueva, de Sucre, se apresentará no mARTadero de Cochabamba com sua mais recente peça, El Libertador en su Abrigo de Madera (O Libertador em seu Abrigo de Madeira). As sessões serão realizadas de 28 a 30 deste mês, às 19:30. A peça gira em torno aos últimos dias de Simón Bolívar, quando este deixou o poder na Colômbia para seu definitivo retiro até sua morte em Santa Marta. Manuela Sáenz, a amante, e José Palacios, o fiel amigo e mordomo, narram o fim do libertador. Para informações e reservas, chamar aos números 797-86318 ou 707-70575.

 

Colômbia I Édipo sai em turnê pelo país

A companhia Teatro del Presagio apresentará Edipo - Poema Dramático en un Acto (Édipo - Poema Dramático em um Ato), hoje na cidade de Cali, a partir das 19:00, no Promedico (avenida 6AN, Nº 22N-54). A peça, escrita e dirigida por Diego Fernando Montoya, também fará parte do Festival Internacional do Oriente Antioquenho, com sessões em El Retiro (25), Santuario (26) e San Carlos (28 deste mês). No dia 29, será a vez de se apresentar em Caldas, no marco do XIII Festival Metropolitano de Teatro; nos dias 30 e 31, na V Festa das Artes Cênicas, em Medellín.

 

Mariana Vargas e Juan Pablo Koria são dois dos protagonistas do filme que inaugurou o festival

 

Festival Iberoamericano de Cinema começou em Santa Cruz com lançamento

Sexta-feira, 21.08.2009 I Cobertura especial I Esta matéria em espanhol


A décima-primeira edição do Festival Iberoamericano de Cinema de Santa Cruz teve início ontem à noite com uma cerimônia realizada no Cine Center, seguida da apresentação de Zona Sur (Zona Sul, ver o trailer), o mais recente filme do diretor boliviano Juan Carlos Valdivia.


O ato de inauguração contou con a presença do realizador dos filmes Jonás y la Ballena Rosada e American Visa, assim como parte do elenco que compõe o longa. O filme, que apresenta o cotidiano de uma família da classe alta pacenha, composta por uma mulher divorciada e seus três filhos, chegou respaldado por excelentes críticas da imprensa especializada e foi recebido com aplausos e aprovação pelos espectadores que assistiram à  primeira jornada do certame crucenho.

Depois da abertura, é a hora do público conhecer os treze filmes que competem pelos prêmios Tatu-Tumpa, as quais começarão a ser projetadas a partir de hoje. São elas El Frasco (Argentina), El Nido Vacío (Argentina), Feliz Natal (Brasil), El Regalo (Chile), La Buena Vida (Chile), La Nana (Chile), Conozca la cabeza de Juan Pérez (México), Purgatorio (México), El Premio (Peru), La Teta Asustada (Peru), Gigante (Uruguai), Polvo nuestro que estás en los cielos (Uruguai) e 1, 2 y 3 Mujeres (Venezuela).

 

Além da seleção oficial, também serão realizadas as mostras de retrospectiva dos três homenageados desta edição: a espanhola Assumpta Serna, o argentino Diego Peretti e a uruguaia Natalia Oreiro. Em outras sedes, a sala Casateatro será o lugar de exibição da mostra Bolívia Digital, com projeções dos longas Verse (de Alejandro Pereira), La Maldición de Rocha (de Roberto Carreño) e No Veo España (de Marcelo Murillo), além de um ciclo de curtas vascos. Similar programação terá a cidade de Montero, localizada a 50 km de Santa Cruz.

 

Na sexta-feira 28, quando concluirá esta versão do festival, serão conhecidos os premiados nas categorias de melhor filme, diretor, ator, atriz, longa de estreia, roteiro e fotografia. Na página web da revista cultural AlmaZen é possível encontrar informação detalhada sobre todos os filmes finalistas deste ano.

 

Acompanhe a cobertura especial do festival pelo ALDEIA CULTURAL (em espanhol).

 

Festival causou polêmica ao distinguir uma mulher que censurou seu próprio filme I Edison Vara/Press Foto

 

Vexame em Gramado: 'atriz' Xuxa é homenageada e eleita rainha do cinema

Segunda-feira, 17.08.2009 I Esta matéria em espanhol

 

O Festival de Cinema de Gramado, cuja 37ª edição foi concluída no último sábado, teve uma das jornadas mais vergonhosas de sua história em sua noite de premiação, na quinta, ao conceder um Kikito a 'atriz' e apresentadora Xuxa Meneghel pelo 'conjunto da obra' e proclamá-la como 'rainha do cinema'.

 

A decisão do festival, que nos últimos anos tem entrado em decadência e vem sendo superado em importância por vários outros certames cinematográficos no Brasil, provocou uma série de críticas entre jornalistas e espectadores, já que além de ter produzido e 'atuado' em filmes de qualidade duvidosa, Xuxa ainda apagou de sua filmografia dois títulos que fez em início de carreira, chegando inclusive a obter proibição judicial para a exibição e comercialização de um deles.

 

Os dois filmes que Xuxa não costuma incluir em sua trajetória foram lançados em 1982, quando ela ainda tinha 19 anos e era mais conhecida por ter sido namorada do ex-jogador Pelé e por seus ensaios de nudez em revistas masculinas. Os longas que a apresentadora não menciona são: Fuscão Preto (no qual deu vida a uma jovem perseguida por um Fusca, com direito a cenas de sexo dela com o carro) e Amor, Estranho Amor, que ficou famoso por uma parte em que seu personagem, uma prostituta, seduz nua um menino de 12 anos.

 

Amor, Estranho Amor provavelmente seja o único filme da carreira de Xuxa que mereça ser visto, já que foi dirigido por Walter Hugo Khouri — um dos maiores cineastas brasileiros em todos os tempos — e protagonizado por atores como Tarcísio Meira e Vera Fischer. Mas a apresentadora conseguiu que a justiça proibisse sua comercialização, de tal modo que o longa hoje só pode ser obtido na Internet ou nos Estados Unidos, onde circula livremente. Na época de filmação do longa (1979), Xuxa tinha 16 anos; já o ator Marcelo Ribeiro, que contava com apenas nove, recentemente voltou à mídia ao escrever um livro e protagonizar um filme pornô.

 

Em Gramado, o repórter Celso Sabadin, da revista Cineclick, classificou a  jornada de premiação como uma noite de 'horror e indignação', na qual a 'rainha dos baixinhos' — e agora também do cinema — proferiu um discurso cheio de rancor, afirmando que não tinha "vergonha de ser povo, loira e vencedora" e que "jamais poderia pensar que o Festival de Gramado fosse capaz de superar os preconceitos e premiar uma pessoa do povo e suburbana como ela".

 

Segundo o Jornal de Gramado, Xuxa teria cobrado um cachê de R$ 60.000 para aceitar ser homenageada pelo festival, que recebe fundos públicos para sua realização. Os organizadores do evento, no entanto, negam a informação, embora tenham pago jatinho e carro blindado para a apresentadora, que não concedeu entrevistas e durante todo o tempo esteve cercada por seguranças. Ao descer do palco no final da homenagem, Xuxa abraçou o jornalista Luiz Carlos Merten, sussurrando uma enigmática frase em seu ouvido: "Eles tiveram que me engolir".

 

A Teta Assustada participa do Festival de Lima meses depois de conquistar o Urso de Ouro

 

Curtas de cinema e teatro na América do Sul: um giro por Brasil, Bolívia e Peru

Sexta-feira, 14.08.2009 I Cinema e teatro, América Latina I Esta matéria em espanhol

 

Peru. Festival de Lima ingressa na sua reta final com variada programação

O 13º Encontro Latino-americano de Cinema - Festival de Lima, que se iniciou há uma semana, ingressa na sua reta final com uma série de projeções e atividades paralelas a serem realizadas. Aos homenageados deste ano — Isabelle Huppert, Ventura Pons e Carlos Gassols — somaram-se dezenas de convidados de vários países, como o cineasta argentino Ezequiel Acuña, os brasileiros Bruno Barreto (diretor) e Daniel de Oliveira (ator), os realizadores chilenos Andrés Wood e Alicia Scherson e a actriz peruana Tatiana Astengo, que atualmente mora na capital espanhola; da mesma forma, os cubanos Juan Carlos Tabío, Jorge Perugorría, Mirtha Ibarra, Manuel Pérez e Annia Bú Maure também marcaram presença no certame limenho. Espanha é o país convidado, com mostras dedicadas ao cinema clássico, à produção valenciana e ao que há de mais recente nesse país, com filmes como El Patio de Mi Cárcel, La Leyenda del Tiempo, Mataharis e Retorno a Hansala. Na seção de longa-metragens de ficção, 20 títulos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, Guatemala, México, Peru e Uruguai competem pelos prêmios que serão entregues este fim de semana.

 

Bolívia. Companhia Ditirambo festeja seus dez anos até o próximo domingo

O Festival de Teatro Ditirambo, realizado pela companhia crucenha homônima, se realiza em Santa Cruz desde a noite de ontem até o próximo domingo, na Casa da Cultura municipal. O evento é um modo de festejar os dez anos de trajetória do tradicional elenco, que em breve também deverá estrear a peça Pinóquio. Para esta ocasião, a programação inclui El Mito (estreia da peça que relata três histórias do oriente boliviano), Entiéndemetúamí (comédia para maiores de 15 Clique sobre a imagem para ampliá-laanos), Romeo y Julieta (livre) e La Ramita de Hierbabuena (convidada). O custo dos ingressos é de Bs 30 (maiores) e Bs 20 (menores e estudantes). A programação é a que segue abaixo:

 

Quinta-feira 13 I 19:00 I El Mito

Sexta-feira 14 I 20:30 I Entiéndemetúamí

Sábado 15 I 17:00 I El Mito

Sábado 15 I 19:00 I Romeo y Julieta

Sábado 15 I 20:30 I Entiéndemetúamí

Domingo 16 I 17:00 I La Ramita de Hierbabuena

Domingo 16 I 19:00 I Romeo y Julieta

Domingo 16 I 20:30 I Entiéndemetúamí

Brasil. Atriz Roberta Uhller se apresenta com duas peças em São Paulo

Desde a semana passada a atriz Roberta Uhller está em cartaz com duas peças na capital paulista. A primeira, Doce Outono, estreou dia 4, enquanto a outra, Aguardo Notícias da Polônia, o fez no dia seguinte. Em Doce Outono, a atriz divide o palco com Celso Melez, em uma peça escrita e dirigida por Ralph Clique sobre a imagem para ampliá-laMaizza, que apresenta três cenas: um casal cuja mulher sofre delírios devido a uma doença desconhecida, dois irmãos muito diferentes que se reencontram e duas mulheres idealistas que discutem sobre o mundo e suas vidas. Em Aguardo..., João Fábio Cabral dirige um texto próprio que fala sobre uma jovem cantora que se muda para uma cidade grande em busca de um sonho, mas se depara com outra realidade (com informação do site Bigorna).


Aguardo Notícias da Polônia

Com Fábio Rhoden, Gabi Cywinski, Guilherme Gonzalez, Júlia Bobrow e Roberta Uhller 

Teatro Augusta I Quarta e quinta-feira I 21:00 I R$ 30,00 I 16 anos I Até 27 de agosto.

Doce Outono

Com Fernando Soffiatti, Didio Perini, Roberta Uhller, Celso Melez, Flávia Tápias e Mariana Blanski

Espaço dos Satyros 1 I Terça-feira I 21:00 I R$ 20,00 I 14 anos I Até 29 de setembro.

 

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A atriz mora em Berlim e trabalha desde os anos 90 na TV e no cinema europeu I Foto: Divulgação

 

Série Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Luka Omoto, atriz

Domingo, 09.08.2009 I Esta matéria em espanhol I Veja todas as entrevistas

 

Dona de um currículo que inclui ao redor de três dezenas de filmes para o cinema e a televisão da Alemanha, onde mora há vários anos, até pouco tempo atrás a atriz carioca Luka Omoto curiosamente ainda não havia atuado em português frente às câmeras, embora já o tenha feito em outros idiomas nos diversos projetos de que formou parte.

 

A estreia em uma produção brasileira aconteceu em 2007, quando Luka foi escolhida para integrar o elenco do seriado Alice, que a HBO exibiu no ano passado para toda a América Latina e os Estados Unidos; nele, a atriz deu vida a Dani, a amiga que 'apresenta' São Paulo para a protagonista, ajudando-a a se inserir no meio. Além de render ótimas críticas, o personagem acabou se tornando um dos mais populares da série, como se comprova ao ler opiniões publicadas em blogs, redes sociais e fóruns de discussão espalhados pela rede.

 

De ascendência oriental (a mãe é brasileira e o pai é nissei), Luka já possui a experiência de ter filmado em outros países europeus, mas deseja também trabalhar no cinema brasileiro, como revelou nesta entrevista concedida ao ALDEIA CULTURAL no mês passado. A atriz fala ainda sobre alguns dos personagens que interpretou, de como foi parar na Alemanha e de seus primeiros anos vivendo naquele país e, claro, de sua participação na série da HBO. 

 

Clique sobre a imagem para ampliá-laEntrevista I Luka Omoto

"Por mim daqui pra frente eu só faria Alice"


ALDEIA CULTURAL (AC). Você iniciou sua carreira muito nova no Rio de Janeiro, participando de algumas peças de teatro. Quais são suas lembranças da época em que atuava nos palcos cariocas?
LUKA OMOTO (LO). Na verdade são as melhores possíveis. Na minha primeira peça eu ainda tinha 14 anos e ficamos sete meses em cartaz no Teatro Nelson Rodrigues. Nessa época meus pais costumavam passar o fim de semana em Angra, então eu ficava sozinha no Rio e aproveitava pra fazer tudo o que tinha direito! Já M. Butterfly foi uma experiência e tanto, pois eu era relativamente inexperiente e contracenava com gente como o Raul Cortez. Lembro de uma vez no final de um espetáculo ter dito pro meu namorado que estava me sentindo como depois de um orgasmo: feliz e aliviada!
 

AC. Posteriormente, você seguiu rumo à Alemanha, onde mora até hoje. O que te motivou a se mudar para esse país e como foram seus primeiros anos morando lá? Pergunta manjada, porém inevitável: teve alguma Dani que te ajudou na adaptação ao novo lugar?
LO. Estava eu em um final de tarde em casa vendo TV quando meu irmão chegou dizendo que havia conseguido convites para o show do Paul McCartney no Maracanã. Apesar de não ser muito fã dele acabei resolvendo ir (como diz o meu irmão: "De graca até injeção na testa e ônibus errado!"). Como não sou muito alta e do gramado não conseguia ver nada, me escorava um pouco num lourinho que estava em pé do meu lado. Um ano mais tarde, dois meses pra eu completar 18 anos, eu cheguei em Berlim. Meu primeiro ano foi super tranquilo, pois fui morar na casa dos pais do tal do lourinho e gracas a Deus eles eram pessoas maravilhosas. No ano seguinte eu fiz prova de admissão pra escola estadual de balé
Clique sobre a imagem para ampliá-lae me mudei para um internato da escola. Ele ficava no lado oriental da cidade, não tinha telefone em casa e meu namorado foi estudar em Hamburgo. Essa época foi realmente punk. Minha Dani foi de certa maneira a Marta Freire, filha do (advogado e político) Roberto Freire, que na época era bailarina da Ópera de Berlim e até hoje é super amiga minha. Por sinal ela se casou com meu antigo marido, pai do meu filho, e sempre passamos Natal juntas!
 

AC. Em todo este tempo, você tem construído uma carreira que já soma cerca de 30 trabalhos para o cinema e a TV da Alemanha. De todas essas produções, quais as que você mais gostou de fazer?
LO. Acho que dois trabalhos realmente marcaram bastante: Liebe in Letzter Minute foi um TV movie rodado em Hamburgo e em Bangkok, e Silentium um longa austríaco baseado em um romance do Wolf Hass. Em Liebe... eu fazia a protagonista, uma tailandesa que mora em Hamburgo e vai pra Tailândia buscar o filho e acaba se apaixonando por lá. A parte que mais gosto no meu trabalho é a pesquisa. Fazer o papel de uma tailandesa em Bangkok fez com que eu realmente tivesse que mergulhar nessa cultura e isso foi com certeza muito enriquecedor. Em Silentium, apesar de ser uma comédia (de humor negro, todavia) o tema da minha personagem era bastante pesado, pois eu fazia o papel de uma virgem que era violentada por um cantor de ópera nojentíssimo. Li muitos livros a respeito disso e naquela época foi lancado Dogville, do Lars von Trier. Fui ver o filme em Viena durante as filmagens e voltei pra casa sozinha, de noite, morrendo de medo de ser atacada
Clique sobre a imagem para ampliá-lano meio da rua. No final das contas quando fomos fazer a cena foi hilário. O ator (que por sinal é bastante conhecido por aqui) ficava com a barriga enorme balançando e bufando na minha cara. Realmente era difícil me concentrar e não começar a gargalhar! É um filme ótimo, pena que ainda não foi lançado no Brasil.
 

AC. E daí veio o Alice, da HBO. Qual era a sua expectativa para o processo de seleção, como foram os testes e como você ficou sabendo que teria um dos papéis mais importantes da série?
LO. Depois de mais de 10 anos morando na Alemanha e sem ter nunca rodado no Brasil, resolvi procurar uma agente em São Paulo. No dia em que fui levar meu material lá estava rolando o teste. No mesmo dia à noite me mandaram um e-mail dizendo que eu não fosse para o Rio pois queriam fazer um recall em dois dias. Isso foi em janeiro. Cinco meses depois, à meia-noite de um sábado, enquanto eu preparava as minhas coisas para embarcar pra Cannes, a Vivian Golombek (responsável do casting) me liga. Eles queriam que eu estivesse segunda-feira em São Paulo para começar a ensaiar. Eu tinha um filho, duas gatas, um apartamento e um namorado pra organizar com quem deixar! Li o roteiro no avião. Aliás naquela época eu ainda iria fazer a Marcela e a Silvinha (Lourenço) é que era a Dani!
 

Clique sobre a imagem para ampliá-laAC. Seu personagem (Dani) acabou sendo um dos mais queridos pelos espectadores da série. Como foi interpretá-lo e qual é a sua recordação do período de gravações?
LO. Fico super feliz em saber que a Dani é tão querida. Só percebi isso depois que vi que a Dani tinha mais amigos no Orkut do que eu!!! A fase inicial dos ensaios foi bastante pesada, não conhecia ainda o método da Fátima Toledo e ele é muito cansativo, mas rodar em si foi uma delícia. Adorei tanto a equipe quanto o elenco! Por mim eu daqui pra frente só fazia Alice!

 

AC. Quais são seus projetos atuais ou que deverão ser realizados em breve?
LO. Meu projeto atual se chama Luiz e tem 10 meses de idade (nasceu no dia da festa de estreia de Alice!). Profissionalmente não gosto de falar de projetos que ainda não acabaram de ser realizados.
 

AC. Seu currículo já conta com uma lista bastante extensa de filmes, mas nenhum deles foi feito no Brasil. Você tem vontade de fazer? Tem acompanhado o cinema brasileiro ou é difícil assistir morando fora? 
LO. O cinema brasileiro tem se desenvolvido de maneira excelente e sempre que vou ao Brasil aproveito pra tirar o atraso. Daqui de Berlim só consigo ver os que vem para os festivais ou para as locadoras, mas já dá pra ter uma boa ideia. Realmente é engraçado eu nunca ter feito um longa brasileiro. Espero que isso mude bem rápido!

 

Fotos: Luka em foto de divulgação, nos filmes Silentium e Peer Gynt (com Robert Stadlober) e na série Alice (ao lado de Andréia Horta).

 

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Mariana Blanski e Flávia Tápias em um dos relatos da peça dirigida por Ralph Maizza

 

Teatro da Curva estreia peça sobre as mudanças que a chegada do outono traz

Segunda-feira, 03.08.2009 I Esta matéria em espanhol

 

A companhia paulistana Teatro da Curva estreará nesta terça, no espaço dos Satyros 1, a peça Doce Outono, escrita e dirigida por Ralph Maizza, e que está composta por três histórias curtas (O Filho Próspero, Traição? e Mundo, Doce Mundo!), todas elas associadas a chegada dessa estação.

 

Na primeira cena, o público acompanha o reencontro entre dois irmãos (Didio Perini e Fernando Soffiatti) que não se falam há muito tempo. Um deles, ambicioso e estabilizado financeiramente; o outro, um artista bem resolvido com suas escolhas profissionais. Conflitos familiares e lembranças pessoais vem então a tona em um momento delicado, já que o pai dos dois está a beira da morte.

 

Em seguida, é a vez de um casal, interpretado por Roberta Uhller e Celso Melez, subir ao palco, para apresentar a história de uma mulher que adoece e cujos sintomas — amnésia e euforia — acabam resultando no descontrole de ambos. Na última cena, duas mulheres de aproximadamente 25 anos (Flávia Tápias e Mariana Blanski) estão a poucos minutos de tomar a resolução mais importante de suas vidas. Idealistas, ambas refletem sobre a vida que escolheram para si e suas consequências.

 

De acordo com Maizza, cada uma das cenas é um encontro entre duas pessoas, que refletem sobre si mesmas e tomam alguma atitude em relação ao mundo que as rodeia; assim, além de ouvir o texto, por momentos o público também interpreta o subtexto presente na peça. A referência ao outono, tanto no título como na trama, não ocorre por acaso. "Outono remete a mudanças, algumas boas, outras não, algumas inclusive impostas. Mudanças que exigem que os personagens sigam em frente de alguma maneira. Ou não", explica o diretor.

 

Doce Outono é a segunda montagem do Teatro da Curva em 2009 (a primeira foi Born To Be Wild, de Jarbas Capusso Filho). Em seis anos de existência, a companhia encenou adaptações de Voltaire e Álvares de Azevedo e textos de Mário Bortolotto, Marcos Gomes e do próprio Maizza. Nesse período, peças como A Bola da Vez, Noite na Taverna, Medusa de Rayban e Otimismo, entre outras, foram levadas ao palco.

 

A temporada do novo espetáculo do Teatro da Curva deverá se estender até o fim de setembro, com sessões sempre às terças-feiras, às 21:00. A peça, recomendada para maiores de 14 anos, tem uma duração de 60 minutos e os ingressos um custo de R$ 20 (R$ 5 para moradores da praça Roosevelt).


Doce Outono

 

Texto e Direção: Ralph Maizza
Elenco (por ordem de entrada): Fernando Soffiatti, Didio Perini, Roberta Uhller, Celso Melez, Flávia Tápias e Mariana Blanski
Iluminação: Celso Melez I Trilha: Ralph Maizza
Produção: Celso Melez, Didio Perini e Ralph Maizza

Duração: 60 minutos I Gênero: Drama I Classificação: 14 anos
Estreia: 4 de agosto I Temporada: 4 de agosto a 29 de setembro (terças, às 21:00)
Lugar: Espaço dos Satyros 1 (Praça Franklin Roosevelt, 214, Consolação)
Telefone: 3258-6345 I Ingressos: R$ 20 e R$ 5 (moradores da praça)

 

Outras fotos do espetáculo

 

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Fotos: Roberta Uhller e Celso Melez; Flávia Tápias; Didio Perini e Fernando Soffiatti

 

A atriz encarnou a Marcela da série Alice e atualmente se prepara para novos trabalhos no cinema

 

Série Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Gabrielle Lopez, atriz

Terça-feira, 28.07.2009 I Esta matéria em espanhol I Veja todas as entrevistas

 

Brasiliense, mas morando já há alguns anos em São Paulo, a atriz Gabrielle Lopez vive um ótimo momento de sua carreira, com diversos trabalhos acumulados principalmente no cinema e no teatro, embora provavelmente seja mais conhecida pela personagem Marcela, que interpretou na série Alice, exibida pela rede internacional de televisão HBO no ano passado e que atualmente é reprisada no Brasil.

 

Gabrielle estreou no cinema em Subterrâneos, primeiro longa-metragem de José Eduardo Belmonte, que voltou a chamá-la para coprotagonizar A Concepção, filme que ganhou prêmios, dividiu opiniões e impulsou a carreira do diretor e de boa parte do elenco. Mais recentemente, a atriz esteve também no curta-metragem V.I.D.A., de Geison Ferreira e Vinicius Zinn (o Nicholas de Alice), além de outros trabalhos.

 

Na entrevista concedida ao ALDEIA CULTURAL, a atriz fala sobre o ambiente no set de algumas de suas principais produções, das sensações que experimentou ao fazer a série da HBO e também de seus atuais projetos profissionais, tanto sobre os palcos como frente às câmeras.

 

Entrevista I Gabrielle Lopez

"Alice foi uma experiência transformadora"


ALDEIA CULTURAL (AC). No ano passado, a HBO exibiu a série Alice, na qual você interpretou um dos papéis principais. Como você recorda a experiência de ter participado dela?
GABRIELLE LOPEZ (GL). Foi uma experiência transformadora. Primeiro porque dei vida à personagem Marcela, que tem uma energia diferente da minha. Vivê-la foi passear em universos diferentes da minha realidade e poder enxergar outras possibilidades. Também tive o privilégio de ser dirigida por quatro diretores talentosíssimos: Karim Aïnouz, Sérgio Machado, Márcia Faria e Jhonny Araújo. A cada dois episódios a direção era revezada por um dos quatro. Como a linguagem era cinematográfica, me senti muito à vontade , pois até hoje vivenciei mais cinema e teatro, que considero processos completamente artesanais. Participei de uma experiência intensa, o que me instigou a trabalhar com a minha verdade e o meu material humano. Tive total liberdade de trazer meu olhar para as cenas. Isso é fantástico!!! Quando executo um trabalho, não me preocupo só com o resultado, o mais importante pra mim é a experiência humana contida na estória. Foi uma honra viver uma personagem com um universo tão rico como o da Marcela. Só pra ilustrar melhor a experiência, foi como um filme rodado em oito meses.

AC. Alice tem uma estética que impressiona; tanto a trilha sonora como a ambientação chamaram muito a atenção de quem viu a série. Você tinha ideia de como ia ser o resultado antes de vê-lo na tela ou foi uma surpresa também para os atores?
GL. Eu não tinha ideia do resultado. Mas o processo já era completamente satisfatório. Ali já se percebia que todo o projeto e sua execução estavam em mãos de talentosos artistas. Quando assisti o resultado, pela primeira vez, nossa... fiquei muito emocionada. Lembro que quando cheguei à casa da Marcela pela primeira vez, nos ensaios, achei tudo
tão bonito. Ali comecei a sentir a atmosfera que viveria nas filmagens. Com o Karim na
Clique na imagem para ampliá-ladireção geral, eu tinha certeza que seria, no mínimo, interessante. Ele é um profissional de muita sensibilidade, já conhecia seu trabalho. A trilha foi uma surpresa pra mim. Ouvi quando foi ao ar. Achei a cara da série! Adorei!

AC. Uma das subtramas que os espectadores mais gostaram com certeza foi o envolvimento entre Marcela, Dani e Téo. As pessoas comentam isso com você? E como foi o entrosamento com Luka Omoto e Juliano Cazarré? Com o Juliano você já havia feito outros trabalhos antes, não é mesmo?
GL. Fui e ainda sou muito abordada por causa desse trio (risos). Realmente deu o que falar, principalmente quando a Marcela trai a Dani com o Téo. Pra minha surpresa, o público
torceu pra Marcela e vibrou muito com a nossa trama. A Luka eu conheci nos ensaios. O Juliano já conhecia, trabalhamos juntos no longa A Concepção em 2004. Para tornarmos esse trio íntimo, contamos com a preparação da Fátima Toledo. Exercitávamos situações que provocavam nossa intimidade e amizade. E depois de suar bastante, nos tornamos amigos. Confesso que por já conhecer o Cazarré facilitou realizar as cenas mais delicadas.
Volta e meia recebo recados para a Marcela (risos). Tem gente que se diz inspirado nela.

AC. Vamos falar agora do longa que projetou a carreira do José Eduardo Belmonte: A Concepção. Um filme ousado, em que tanto o diretor como os atores assumiram vários
riscos. Como foi fazer esse filme?

GL. Conheci o Belmonte em seu primeiro longa Subterrâneos e por causa da nossa afinidade ele escreveu a Ariane (personagem que vivi no longa A Concepção). Quando formalizou
o convite, não pensei duas vezes porque desde a nossa primeira experiência profissional percebi que tínhamos química. Senti que podíamos dar mais um passo juntos. O Belmonte
tem uma maneira de tirar do ator o que o próprio ator desconhece. Suas personagens são sempre muito angustiadas e caminham na desconstrução. Fazer o filme foi apenas uma
extensão de um processo que começou em 2001 e, logicamente pra mim, com um grande apreço, pois o Belmonte foi meu primeiro diretor no cinema. Riscos? Será que existe algum filme que não seja arriscado? Como atriz, não consigo responder essa pergunta. Acho que desde o dia que nascemos corremos riscos (risos). Quando vou para um trabalho não penso no que pode dar errado. Vou de corpo e alma com o coração na mão bem quente e pulsando, pronto pra entregar. Para fazer o filme, moramos durante as filmagens na Academia de Tênis em Brasília, acho que durante dois meses, e tínhamos ensaios diários. Tudo minuciosamente sob o olhar do diretor. A equipe inteira também se envolveu com o nosso 'clima concepcionista' e por isso tudo era muito sincero e divertido. Foi um processo de descobertas e entrosamento entre os atores (personagens). Precisávamos de intimidade e confiança mútua. A hora que a câmera chegou foi só um detalhe. Me dediquei completamente pra Ariane e aconteceu um episódio curioso durante as filmagens. Antes de filmar a cena onde o pai da Ariane tem um AVC (acidente vascular cerebral), meu pai que mora em Brasília (minha cidade natal) teve um AVC. Como o mote da história do filme era dar 'truque' no outro, a equipe inteira achou que eu, Gabrielle, estava dando um truque. Posso dizer que foram muitas emoções na realização desse filme que adoro. Mas não foi fácil! Fiquei um bom tempo impregnada com a energia da Ariane e tudo foi tão intenso que depois quando voltei pra minha realidade, em São Paulo, parecia que estava me separando de entes queridos. Às vezes assisto o filme pra matar a saudade, inclusive do David Bowie, pois suas músicas foram nosso soundtrack no set.

AC. Você também morou durante alguns anos nos EUA. Quanto tempo você esteve no país e o que fez durante esse período?
GL. Morei cinco anos em Michigan e um ano em New York. A princípio fui fazer intercâmbio cultural aos 17 anos e acabei ficando para cursar artes cênicas na faculdade, nesse período
Clique na imagem para ampliá-latrabalhei com teatro e depois de formada segui rumo a New York para complementar meus estudos e experimentar a "Big Apple".

AC. Outro trabalho recente seu foi o V.I.D.A., curta-metragem que aborda com sensibilidade um assunto ainda não muito explorado, como é o da depressão. Conte um pouco sobre esse projeto.
GL. Fui convidada pra esse projeto pelo ator Vinicius Zinn (nos conhecemos na série Alice) e seu amigo Geison Ferreira. Ambos dirigiram o curta e roterizaram com a parceria da Ana Maria Saad. Achei o tema muito pertinente e informativo. A minha personagem representa "quem convive com o doente", no caso a irmã sofre da doença e negligencia cuidados com a sua filha. Assumi o papel de quem não sabe lidar com o problema e acha que o outro é preguiçoso, louco ou coisa parecida. Foi desafiante trabalhar com esse tema, até porque já tive depressão e sei o quanto o preconceito e a ignorância são prejudiciais para os envolvidos. Como estávamos abordando um assunto muito delicado, havia um silêncio, um respeito e a direção foi muito precisa. Sabíamos que o V.I.D.A. era uma história baseada em fatos reais.

AC. Você também fez bastante teatro. Tem algum plano para atuar em uma nova peça em breve ou pretende priorizar trabalhos na TV e no cinema?
GL. Tenho projetos no teatro que estão em desenvolvimento. Um deles é novidade pra mim porque se trata de uma peça para internet que irá ao ar em agosto. Além de estar em contato com textos de novos autores para futuros trabalhos. Meu foco não está nos veículos de comunicação, mas sim no que cada trabalho abrange; como direção, autor, personagem, etc. Pretendo priorizar trabalhos que me proporcionem dignidade e desenvolvimento profissional. No mínimo isso. De resto, sou apaixonada pelo meu ofício. Qualquer trabalho é um grande desafio. Este ano, por exemplo, tive e tenho recebido mais convites para fazer cinema, alguns já foram fechados! O cinema me quer, lá vou eu (risos)!!! 

 

Fotos: Gabrielle com Juliano Cazarré (Téo) em Alice, no material de divulgação de A Concepção e novamente na rodagem da série da HBO, ao lado de Antônio Abujamra (Elder). 

 

A cidade do interior fluminense sediará em setembro a primeira edição do encontro

 

Festival Infantil de Esquetes de Rio Bonito aguarda inscrições até fim de agosto

Segunda-feira, 27.07.2009 I Do site oficial

 

O 1º Festival Infantil de Esquetes de Rio Bonito, que será realizado de 23 a 27 de setembro deste ano, aceitará até o próximo 30 de agosto a inscrição de trabalhos que tenham de dez a vinte minutos de duração, os quais serão selecionados por uma comissão indicada pela organização do evento.

 

Esta primeira edição do festival ocorre por iniciativa do ator Alexis Ferreira, que desde o ano passado desenvolve o projeto social Nós do Interior, no qual dá aulas de teatro para crianças carentes de Rio Bonito. Entre os principais planos da organização está a produção de espetáculos profissionais focados na cultura brasileira, além de oficinas de leitura dramatizada, interpretação para TV e cinema, canto, música, circo e dança, entre outras.

 

A ideia de criar e levar adiante o projeto foi do próprio Ferreira, que inspirado pelo trabalho do jornalista e ator Guti Fraga e sua equipe com o Nós do Morro, resolveu fazer algo similar em sua cidade. Hoje o projeto oferece cursos de teatro para iniciantes, abrindo e ampliando os horizontes para quase 100 crianças e adolescentes de escolas públicas locais.

 

O festival, que oferece hospedagem gratuita para grupos de fora da cidade, entregará troféus para o grupo que obtiver o terceiro lugar e também nas categorias de melhor ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, direção, figurino, iluminação, trilha sonora, maquiagem, cenário e texto. Haverá ainda um prêmio especial do júri do evento e do júri popular, e premiação em dinheiro para o segundo (R$ 500) e primeiro colocado (R$ 1.000).

 

A taxa de inscrição é de R$ 25 por grupo e o valor deverá ser depositado no Banco do Brasil AG 0627-0 C/C 9.803-5. As inscrições poderão ser feitas pelo correio, com envio ao seguinte endereço: Rua Tenente Coronel José Carlos Marinho, 21 - Centro - Rio Bonito - RJ , CEP 28800-000. O envelope deverá conter apenas o pseudônimo do remetente.

 

Para obter mais informação, conferir o regulamento completo ou inscrever um trabalho no festival de Rio Bonito, deve-se visitar a página web do evento, escrever ao e-mail ou então telefonar para os números (21) 2734-3075 ou (21) 8776-3849.

 

Espetáculo Volúpia, da Cia. da Carona

A Companhia Carona de Teatro apresentará o espetáculo Volúpia no norte catarinense

 

Mostras regionais de teatro começam com seis espetáculos em Santa Catarina

Sábado, 25.07.2009 I Do site oficial I Esta nota en español

 

A Federação Catarinense de Teatro (Fecate) promove a partir deste mês e até outubro cinco mostras regionais, a ser realizadas nas cidades de Rio do Sul, Florianópolis, Chapecó, Curitibanos e São Bento do Sul.

 

Cada mostra é realizada em parceria com um grupo de teatro filiado à federação e selecionado por edital público. A colaboração este ano, por exemplo, é entre Trip Teatro de Animação (Rio do Sul), Traço Cia. de Teatro (Florianópolis), Cia. da Gaia de Teatro (Chapecó), Grupo de Teatro Amador Ser ou Não Ser (Curitibanos) e Grupo Teatral Panacéia (São Bento do Sul).

 

Com esta ação, a Fecate visa fomentar a atividade teatral em diferentes regiões de Santa Catarina. Para isso, conta com o apoio do Ministério da Cultura e opta por disponibilizar ingressos gratuitos para todas as apresentações. Além dos 31 espetáculos propostos por 27 grupos diferentes, serão realizadas também sete oficinas.

 

Programação

 

Julho 24. 25, 26 e 27

Rio do Sul e Vale do Itajaí

Espetáculos: O Flautista de Hamelin I O incrível ladrão de calcinhas I Volúpia

Renato, o menino que era rato I O tapete de Maria I À Flor da Pele

Oficina: Trabalho do ator

 

Setembro 1, 2, 3, 4, 5 e 6

Chapecó e Oeste Catarinense

Espetáculos: Os saltimbancos I Nós Três I Amor por Anexins

Caleidoscópio I As mãos de Eurídice I Filhos de Água

Oficina: O jogo do clown no trabalho do ator

 

Setembro 19, 20, 25, 26 e 27

Florianópolis, comunidade de Ratones e São João do Rio Vermelho

Espetáculos: Bom Apetite I Seo Maneca I Hoje tem Palhaçada I Clóv's, o internacionável

Oficina: O jogo cômico

 

Outubro 19, 20, 21, 23 e 24

Curitibanos e Planalto Serrano

Espetáculos: Puxa Pé, Contra Tempos, In Memorian Hippes I Vitrine I Zefa e Tácia

Oficina: A arte de contar histórias

 

Outubro 19, 20, 21, 22, 23 e 24

São Bento do Sul e Norte Catarinense

Espetáculos: A Noite dos Palhaços Mudos I Tem Xente uma Fiez I A Luz de Judith

Tanto Trabalho Pra Nada I O Menino do Dedo Verde I Frágil como Bolha de Sabão

Baião de 2 I Uma Canção para Finfo I A Feia

Oficinas: O ator contemporâneo, A direção no teatro contemporâneo, Os desafios da produção teatral independente

 

Cenário da peça Do Claustro, escrita por Ruy Jobim Neto l Foto: Eduardo Sofiati

Do Claustro se transformou em uma das peças mais elogiadas do ano passado no Brasil I Foto: Eduardo Sofiati

 

Série Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Ruy Jobim Neto, dramaturgo

Terça-feira, 21.07.2009 I Esta matéria em espanhol I Veja todas as entrevistas

 

A carreira do cartunista e autor Ruy Jobim Neto sempre esteve relacionada ao desenho e às charges, presentes em tiras cômicas e passatempos publicados em diversos jornais, revistas e livros; mas além do sucesso que obteve ao longo dos anos nessa área, o artista gaúcho tem há muito tempo uma ligação íntima com o teatro, tendo desempenhado seu trabalho como dramaturgo e inclusive como ator.

 

Foi em 1994 que Jobim Neto incursionou no teatro, quando entrou para o Projeto Artes Cênicas (PAC), companhia dirigida por Edson Martins e Ubirajara Mohana, iniciando assim sua trajetória sobre os palcos, que se estendeu até 2000. Como autor, sua estreia paulistana ocorreu em 2007, com a esquete Virgens à Deriva; no ano seguinte, o espetáculo Do Claustro e tres peças curtas apresentadas nas Satyrianas consolidaram a nova etapa da carreira, que já começa a dar frutos como o recente prêmio de estímulo que recebeu da Secretaria de Cultura do estado, para seu texto Lourenço.

 

Nascido na cidade de Canoas, mas morando há mais de duas décadas na capital paulista (formou-se em Cinema na Universidade de São Paulo), o autor se revela incansável, pois além de estar envolvido em vários projetos, ainda escreve e colabora com diversos sites e blogs culturais espalhados pela rede. Nesta entrevista concedida ao ALDEIA CULTURAL, o dramaturgo fala não só de sua própria obra, mas também daqueles que considera como os trabalhos de maior destaque da cena paulistana atual.

 

Ruy Jobim NetoEntrevista I Ruy Jobim Neto

"A dramaturgia brasileira está cheia de coisa pra dizer"


ALDEIA CULTURAL (AC): Você é formado em Cinema pela USP e também já exerceu a crítica cinematográfica. No entanto, sua carreira esteve mais ligada ao teatro e aos quadrinhos. Você tem planos de trabalhar também no cinema?
RUY JOBIM NETO (RJ): Sim, a crítica cinematográfica (comecei a escrever para a extinta revista Cinemin, da também extinta EBAL, do Rio de Janeiro, editada pelo memorável Fernando Albagli, isso em 1993) era uma forma de ficar próximo ao mundo do cinema, uma vez que os anos Collor praticamente foram terra arrasada para as produções cinematográficas e também para o teatro — que ainda assim sobreviveu. Os quadrinhos são o meu trabalho de origem, sou cartunista ou, estendendo, um pretenso contador de histórias. Pretenso porque contar histórias é sempre difícil, é sempre um desafio. E nos quadrinhos você exerce também o cinema (tem o corte, o ritmo interno, os diálogos, o cenário, o enquadramento, os figurinos, a interpretação, o cinema está todo lá). Sim, ainda tenho intenções de trabalhar em cinema, de alguma forma, talvez como roteirista, uma vez que é a primeira vez na história que eu vejo um cinema nosso tão pujante, pois tenho acompanhado desde a década de 80 essa coisa toda, e o cinema tem crescido sim, ainda que nos seus passos crescentes. É animador.

AC: E como foram seus anos como ator de teatro? Tem intenção de voltar a atuar?
RJ: Os anos de atuação (de 1994 a 2000) foram importantes porque para escrever ou dirigir teatro, você precisa ter a visão de dentro. Fazer teatro é um tripé (é fazer simplesmente, assistir a muito teatro e ler teatro ou sobre teatro). Daí a necessidade dessa interação. Mas atuar é algo que não faz parte de meus planos, embora um diretor amigo meu tenha insistido para que eu atue.

AC: Em 2008, a peça Do Claustro foi um dos destaques do Festival de Curitiba e recebeu ótimas críticas durante sua temporada em São Paulo. Como foi o processo de elaboração da
peça? É verdade que você escreveu o texto já pensando nas duas atrizes?

RJ: Sim, a peça foi escrita para as duas atrizes, Débora Aoni e Carolina Mesquita, que tiveram atuações bem elogiadas, na época. São duas atrizes de muita coragem e que tiveram muita força pra levar aos palcos as suas personagens. Foi a partir do aval delas (na leitura da ideia, do enredo da peça) e em conjunto com a música criada especialmente para a peça pelo maestro Gerson Grünblatt, que a peça ganhou vida. Claro que o tema veio antes. Eu só tinha uma frase (nem o título eu tinha) quando conversei com Débora pela primeira vez, depois da nossa estreia em Virgens à Deriva. Levou quase um ano inteiro, de março de 2007 a janeiro de 2008, para que a peça pisasse finalmente no palco. Sobre o festival e as críticas recebidas, todos foram muito simpáticos conosco, uma vez que nossa intenção não era agradar a quem quer que fosse. A peça fala de um Brasil no nascedouro, na nascente, ainda na maternidade. A influência da Igreja Católica neste destino tem atravancado a História não só nossa, mas também a da América Latina como um todo e de toda a Península Ibérica. Era esse desgosto que nós pretendíamos colocar em cena. Era o que não estava dito em palavras ou em cena, mas subentendido. O processo de elaboração da peça pode ser dividido em duas partes bem distintas: 1) o trabalho de três meses de pesquisa, muita leitura de tudo o que caía às mãos sobre a civilização do açúcar, o posicionamento da mulher no Ocidente e especificamente no Brasil, a história da Igreja e também da Ordem Franciscana (de onde vêm as Clarissas, de Santa Clara), a ida a Salvador, a conversa com historiadores, a consultoria da (então) mestranda da UFBA Laís Viena de Souza, que pesquisava para a maravilhosa dissertação de mestrado dela sobre o Seminário de Belém da Cachoeira, que era contemporâneo à nossa trama da peça, e uma pilha de livros; e 2) os cortes de texto (foram mais de 15 páginas cortadas, graças ao apoio de
Débora Aoni e Vanessa Morelli em Sobre o Teu Corpo e Duvidei l Foto: Felipe DenuzzoDébora, Carolina e o maestro Gerson, ainda preservando momentos bonitos do texto), o trabalho propriamente dito das atrizes na criação das personagens, da preparação de elenco (de Fernanda Levy) com elas e a da direção (cinematográfica) de Eduardo Sofiati, que se adaptou ao que tínhamos de orçamento e aos palcos, dando a potência necessária em cena. Do Claustro foi um imenso desafio para todos nós, sem dúvida.

AC: Seu blog Textos Curtos para Teatro reúne uma série de textos de sua autoria e já acumula visitas dos mais diversos países. Como você tem sentido a repercussão a esse trabalho?
RJ: Com muita surpresa e alegria, é assim que se pode ver a maneira como as pessoas tem gostado dos textos do blog. Tem texto lá que alavancou mais de 5.000 visitas em menos de três meses (como aconteceu com Descasos Indeléveis para uma Noite em Si Bemol) e outros textos que serão montados já para as Satyrianas 2009, como Exame, O Homem que Olhou para Cima e O Mapa do Coração do Mundo (de que gosto bastante) e que foram os mais recentes a ser escritos. Virgens à Deriva, por sua vez, continua a ser montada, e já pisou palcos de todas as regiões do Brasil e até de Portugal. Ela fala sobre a chegada da mulher ao Brasil, teve inspiração numa das cenas iniciais do filme Desmundo, do Alain Fresnot, mas para por aí, o resto é comédia. É muito bom saber disso e saber que as pessoas têm gostado dos textos. É tudo muito novo, para ser exato, e a repercussão a cada novo texto é sempre um grande mistério, uma vez que o texto só é postado quando ele está devidamente aprovado, que esteja minimamente razoável para ser publicado, tornado público. O resto são as repercussões, e tem sido positivas, muitas delas com surpresa, pois é sempre um desafio escrever e um mistério a recepção dos textos.

AC: No ano passado, uma matéria publicada na Folha de S.Paulo levantou certa polêmica ao afirmar que existe uma 'crise de dramaturgia' no teatro brasileiro. Você concorda com isso ou vê uma dramaturgia brasileira forte ainda?
RJ: Eu, pessoalmente, sou muito otimista, tenho que ser, do contrário, estaria apostando todas as minhas fichas em algo que não teria alguma porta de saída para o que eu faço. É uma faca de dois gumes. Ao mesmo tempo em que um diretor (também crítico de cinema) como o Rubens Ewald Filho fala que não consegue encontrar bons textos dramatúrgicos brasileiros contemporâneos, a própria Folha On Line, em seu blog Cacilda, traz, em matéria do Nelson de Sá, um texto em que críticos fazem lista dos dramaturgos que estão vindo à tona, cujo trabalho tem vindo com força, como a Gabriela Mellão (que também escreveu uma matéria sobre nossa dramaturgia contemporânea, coisa recente, de capa, para a edição impressa da Bravo!) que lista o Paulo Santoro, a Silvia Gomez, o Sérgio Roveri, a Grace Passô e o Newton Moreno. Cada um deles vem com um teatro muito bacana. Existe, sim, dramaturgia, a questão é que os grupos não encontram os dramaturgos e os dramaturgos não encontram os grupos. Por isso bloguei as peças curtas, que são um tipo de aperitivo para as peças de duração mais longa, como Do Claustro, Lourenço ou Talhado Mundo. Essa questão do encontro entre dramaturgos e grupos veio à tona num seminário sobre a Dramaturgia Brasileira Contemporânea, que aconteceu em 2009 no Centro Cultural São Paulo. Eu estava escrevendo Lourenço, que ganhou o Prêmio Estímulo da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (dentro do edital de Novos Textos de Dramaturgia para Teatro 2008/2009), mas parei tudo o que fazia para acompanhar este simpósio, como plateia. Há ainda outros autores listados na mesma reportagem do blog da Folha, como o Edu (Eduardo Ruiz), que escreveu os belos Chorávamos Terra Ontem à Noite e A Maçonaria do Silêncio, além do André Fusko, do João Fábio Cabral (que escreveu o belíssimo Rosa de Vidro, que fez boa figura no Festival de Curitiba 2009). E tem também as incursões dramatúrgicas de diretores como Georgette Fadel (em Love'n'Blembers),
Amanda Banffy e Renata Becker em Andares Acima l Foto: Elcio OhnumaHeron Coelho (em Gota D'Água Um Breviário, que deu o Shell de Melhor Atriz para a Georgette, que fez lindamente a Joana, que Chico e Paulo Pontes escreveram, além do lindo e divertido Calabar — Breviário, onde havia cenas magistrais, também ao som de Chico Buarque, com a atriz Luciana Paez, no papel da Bárbara). Há diretores/atores/dramaturgos, como o batalhador Ricardo Corrêa, que dirigiu o meu Sobre o Teu Corpo e Duvidei, nas Satyrianas 2008, em outubro passado. Tem a Adélia Carvalho, lá em Belo Horizonte, ela com o dramaturgo Walmir José vem trazendo um teatro criativo, já há mais de dez anos, juntamente com o Grupo As Medeias. Os dois tem textos maravilhosos, e atuam também, acabaram de fazer uma peça juntos, escrevendo e atuando, que foi a Erva Daninha. Voltando para São Paulo, tem o Sérgio Spina, diretor/ator/dramaturgo, que vem desenvolvendo, ao lado de Luiz Antonio, um trabalho bonito de dramaturgia dentro da Cia. de Febre, que é deles e das atrizes Roberta Fonseca e Carol Guedes (que é também diretora, excelente por sinal, e que levou lindamente o meu Andares Acima também ao palco nas Satyrianas 2008). Tem o Antonio Rocco, que já tem um trabalho grande de dramaturgia, inclusive à frente do Teato NexT, que ele administra. Tem o Lucianno Maza, que dirige, escreve e às vezes até atua em suas peças, mas que tem um trabalho pulsante, bonito e muito prolífico, muito produtivo. Tem o Rudifran Pompeu, Prêmio APCA de Melhor Autor com o belíssimo A Casa (que retornou, às sextas, ao Casarão da Escola Paulista de Restauro, ali na Major Diogo), que, à frente do Grupo Redimunho, não para um segundo sequer, eles vieram com Vesperais nas Janelas, que tem texto final e direção do Rudi, e que é uma das dez melhores peças em cartaz pela revista Veja, e agora eles vem com novo processo, lendo muito Gabriel García Márquez, algo sobre o mar, deverá ser lindo, igualmente. Tem o Rogério Tarifa, que está na São Jorge de Variedades, e vem escrevendo muita coisa, tem a própria Cibele Forjaz, diretora e iluminadora já consagrada, que vem criando coisas com a sua Cia. Livre. Tem os diretores e dramaturgos Marcello Airoldi (que agora vai fazer novela do Manoel Carlos, na Globo, a Viver a Vida) e que tem escrito coisas lindas como Um Segundo e Meio (monólogo) ou A Casa do Gaspar (montada pelo Vento Forte, de Ilo Krugli) e o Luiz Valcazaras, que tem escrito e dirigido muita coisa, é um iluminador experiente, diretor muito rápido, e tem levado muita coisa aos palcos. Não se pode deixar de citar também a atriz e talentosa autora teatral (de grande visão de palco) que é a Vanessa Morelli, que tem peças de um humor ácido, como Margaridas e Culpados. Não se pode esquecer o trabalho gigantesco, de formiguinha da dramaturga Paula Chagas (que tem formado muita gente boa, a exemplo da também atriz Silvinha Faro, na arte pulsante da dramaturgia) e do José Cetra, que estão computando peças e autores contemporâneos, fazendo um levantamento importante dessa dramaturgia, analisando os números e que em breve trarão às luzes coisas novas sobre o que o teatro brasileiro tem escrito. Tem muita gente boa de que a imprensa não fala. Por isso é que é bom acompanhar essas matérias, as mais novas vão atualizando os trabalhos desses autores. E a dramaturgia brasileira está forte, sim, cheia de coisa pra dizer, pulsante, vibrante, e repleta de assuntos. Muitos desses nomes que foram citados acima já estão consagrados, embora o público ainda não os conheça. É um trabalho de formiga ser conhecido. A imprensa pode ajudar, evidente. Muitos autores foram citados aqui e a imprensa por aí sequer ouviu falar. E estão dando um bolão nos palcos. É muita gente, é muita peça, dizem os críticos que são poucos para acompanhar tudo. Mas uma hora eles encontram. É possível que já estejam encontrando aos poucos. É só preciso estar nos palcos pra ser visto, e muitas vezes o esforço é gigantesco. A gente tem que acabar produzindo nossas coisas mesmo para que finalmente cheguem às plateias. É complicado, uma batalha homérica.

Ruy Jobim Neto ao lado do diretor Charlon Cabral no Festival de Curitiba 2008AC: Você vai muito ao teatro? O que tem visto nos últimos tempos que te chamou a atenção, tanto em termos de grupos/espetáculos como de atuações?
RJ: É necessário ir ao teatro para fazer essa retroalimentação. É preciso ler e assistir. O que se pode lembrar de bacana que está ou esteve por aí são Agreste (Shell de Melhor Autor e Melhor Texto, do Newton Moreno, a peça a que a Marieta Severo assistiu e encomendou ao autor uma comédia para ela e a Andréa Beltrão, que contivesse aquela poesia, e daí veio As Centenárias), tem o Chorávamos Terra Ontem à Noite, do Eduardo Ruiz, tem o texto de A Casa, que ganhou o APCA, escrito pelo Rudifran Pompeu, a partir do universo de Guimarães Rosa. Isso em termos de texto. No tocante a montagens, gosto muito das coisas que o Tapa vem fazendo (a exemplo de Camaradagem e mesmo peças mais antigas deles como Contos de Sedução Maupassant e Major Bárbara e ainda A Importância de Ser Fiel), da Cibele Forjaz (como a premiada Rainhas). Em termos de atuação eu lembro de coisas bonitas como a Julia Bobrow (em Rosa de Vidro, direção do Ruy Cortez), da Isabel Teixeira e da Georgette Fadel (em Rainhas), e da Anna Cecília Junqueira no monólogo do Mário Prata dirigido brilhantemente pelo Eric Lenate, Natureza Morta), da Paulinha, a Paula Arruda (no elogiadíssimo O Céu Cinco Minutos Antes da Tempestade, da Silvia Gomez, também sob direção de Eric Lenate, que também vem aí com a maravilhosa, deliciosa e primeira montagem de Celebração, de Harold Pinter, na Cultura Inglesa, que tá um primor). Certamente estarei esquecendo gente ou montagem aqui, mas é bom deixar anotado também o Hélio Cícero, na comemoração dos dez anos de O Fingidor, Shell de Melhor Texto do Samir Yazbek, que também dirige a montagem, e o Hélio arrasa fazendo o Fernando Pessoa e seu duplo, Jorge Madeira. É bárbaro.

AC: E voltando ao seu trabalho como autor, quais são seus projetos profissionais mais imediatos?
RJ: Há um livro que está vindo por aí, cujo tema não posso adiantar agora, mas que está muito bonito, com texto meu, com diagramação linda do Alexandre Silva e com 242 bárbaras caricaturas de Sergio Morettini (cartunista vencedor do Troféu HQ Mix, detém o Prêmio Angelo Agostini de Mestre do Quadrinho Nacional e venceu um prêmio na Romênia, em 2009). Tem a colocação nas escolas do meu infantil Bem Longe da Traçalândia, direção de Claudio Cabrera, que a Cia. Mestremundo de Histórias recentemente abraçou, tendo as atrizes Luana Nunes e Aline Carcellé no elenco e a direção musical de Fernando Porto. Além disso, estou escrevendo duas peças encomendadas (uma para o talentoso grupo Galpão das Artes, de Limoeiro, PE, e outra que é um musical para um grupo de Salvador, BA), além de duas peças que já tem diretor (não posso adiantar os títulos e nem os nomes agora) e tentar viabilizar a produção de Lourenço, a minha menina dos olhos atual. Para ela devotei, no finalzinho do ano passado, todas as minhas forças, e ela me deu muita força também, o prêmio (e estímulo) para escrever me vieram imediatamente em seguida a um momento bastante drástico da minha vida pessoal, meio como se fosse uma boia de salva-vidas à qual me agarrei. A peça ganhou exatamente o Prêmio Estímulo da Secretaria de Cultura de São Paulo para ser escrita, um texto que levou um mês para escrever, três meses de pesquisa e três montanhas de livros (Do Claustro levou uma montanha e meia). Lourenço está bem na minha ordem-do-dia montá-la, não pelo tema que é de época, nem exatamente pelo fato de trazer à tona um personagem importante bem desconhecido de Nossa História, mas principalmente por causa dessa urgência nossa, enquanto civilização, enquanto raça humana, e que tem se refletido nessas coisas que tem acontecido e que ainda irão acontecer, que serão terríveis, esses reveses do planeta Terra, em resposta ao que o homem tem feito com sua passagem por aqui. A partir daí, tenho outras coisas autorais também para escrever, entre infantis, dramas e comédias, contanto que sejam colocadas no palco, pois é lá que elas se completam. Diante do público.

 

Fotos: Débora Aoni e Vanessa Morelli em Sobre Teu Corpo e Duvidei (por Felipe Denuzzo), Amanda Banffy e Renata Becker em Andares Acima (por Elcio Ohnuma) e Ruy Jobim Neto ao lado do diretor Charlon Cabral no Festival de Curitiba 2008.

 

Amores Rasgados foi uma das peças da mostra

Amores Rasgados foi um dos espetáculos apresentados até agora na mostra paulista

 

Mostra do Macunaíma tem a apresentação de mais quatro peças até segunda

Sábado, 18.07.2009 I Esta matéria em espanhol

 

A 70ª Mostra do Teatro Escola Macunaíma, que se realiza desde o 12 de junho e vai até a próxima segunda-feira, dia 20, tem programada a apresentação de mais quatro peças, nas diversas salas da instituição localizada na Unidade Barra Funda, região central da capital paulista.

 

Considerada um dos eventos mais tradicionais do teatro paulistano, a mostra tem ingressos a R$ 12 (meia a R$ 6 e alunos R$ 3) para cada espetáculo e representa um espaço no qual os estudantes da escola podem apresentar seu trabalho ao público, sobre textos que eles mesmos escolhem para encenar no palco.

 

Os quatro espetáculos que fecharão esta edição da mostra são Love, Bullets and Music in...Chicago!, O Santo Inquérito, A Capital Federal e Mente Capta. A Unidade Barra Funda do Macunaíma fica na rua Adolfo Gordo, 238 (Campos Elíseos, Centro). O telefone para maiores informações é o 3667-0807.

 

Confira a programação até o fim da mostra:

 

Love, Bullets and Music in...Chicago!
Direção: Zédú Neves

Gênero: drama tragicômico musical I Duração: 90 minutos I Recomendação: 12 anos

Assistência de direção: Juliana Manduca I Preparação musical: Danilo José

Autoria: adaptação da peça de Maurine Dallas Watkins I Tradução: alunos

Elenco: Aluado Ramoony, Ângelo Aleixo, Ariele Ramos, Carol Rodrigues, Cleber Moraes, Gabriela Ghetti, Helen Cerqueira, Izabela Mariano, Jay Pólvora, Laís Lenci, Leandro Dona, Luana Paradeda, Luciana Marques, Luciana Ribeiro, Maiara Schultz, Melissa Lucena, Renato De Vitto, Rita Libanio e Rodrigo Monteiro

Banda: Pablo Zuazo (piano), Chicão (contra-baixo) e André (sax)

Sinopse: Uma dançarina famosa, uma atriz ambiciosa... O teatro, a música e a dança em suas vidas.. Apenas um detalhe para fazer a diferença... Os homens no caminho! O destino em Chicago impõe... Love, bullets and music!

Datas e lugar: 17, 18 e 19 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 1)


O Santo Inquérito

Direção: Adriano Cypriano

Gênero: teatro coreográfico I Duração: 50 minutos I Recomendação: 12 anos

Assistência de direção: Carol Mafra, Sandro Santos e Thaís Tuin

Autoria: Dias Gomes I Fotografia: Betto Pita
Elenco: Allan Brasileiro, Beatriz Gimene, Betto Pita, Bruno Modena, Camila Aires, Elaine Vegnaduzzi, Fabio Dantas, Gustavo Guerra, Kamilla Bastos, Mariana Bazeggio, Renan Pena, Renato Lot, Talita Alves, Thata Albuquerque e Vanessa Corrêa
Sinopse: Ela sabe que não fez nada de errado. Ele vê que só a condenação dela poderá livrá-la da perdição do inferno. Há um mínimo de dignidade que o homem não pode negociar, nem mesmo em troca de liberdade. Nem mesmo em troca do sol.
Datas e lugar: 17, 18 e 19 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 3)

A Capital Federal
Direção: Wanderley Martins

Gênero: comédia opereta de costumes I Duração: 88 minutos I Recomendação: livre
Assistência de direção: Célio Jemene I Autoria: Arthur Azevedo
Música: Nicolino Milani, Assis Pacheco, Bizet e Flávio Rangel
Figurino: Débora de Souza
Elenco: Alexandre Affonso, Alexandre Cecchi, André Durbano, Áurea Vieira, Carlos Alberto Brito, Carol Steagall, Débora Veroneze, Diego Sass, Flavio Mariano, Gleyce Hanna, Henrique Godoy, Jurema Mensorio, Michael Canuto, Mirucha Santos, Rafael Zampronio e Renata Belarmino

Atores convidados: André Gaia, Éden Oliveira, Fernanda Maia, Fran Coutinho, Karina Zichelle, Maurício Barone, Raquel Zichelle e Ronnie Assis
Sinopse: A Capital Federal, de Arthur Azevedo, é um desdobramento da revista de ano O Tribofe. Este gênero passava em revista os acontecimentos do ano em uma forma teatral, com muita música e crítica aos costumes. Nela acontece a vinda de uma família do interior em visita ao Rio de Janeiro, e que acaba encontrando muita confusão, muitos malandros, biltres, bilontras e tribofes.
Datas e lugar: 18, 19 e 20 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 2)

Mente Capta
Direção: Ariel Moshe

Gênero: comédia I Duração: 80 minutos I Recomendação: 10 anos
Assistência de direção: Lucas Barbosa e Cristiane Sena I Autoria: Mauro Rasi
Elenco: Alexandre Ganico, Antonio Marques, Augusto Calili, Carolina Christ, Carolina Hamani, Cleusa Passos, Ester Hamani, Flavia Araújo, Larissa Gonçalves, Luciana Moreira, Luciano Alves, Rafaela Pavão, Raissa Arruda, Rick Al'majid, Stefanie Malta, Tyasu e Vanessa Ávila
Sinopse: Em uma clínica psiquiátrica, uma médica terapeuta tenta obter o poder e a disciplina de seus pacientes, através da prática ilícita, desvio de conduta médica, da prática questionável de terapias não convencionais. Um microcosmo crítico da sociedade moderna.
Datas e lugar: 18, 19 e 20 de julho, às 19:00 e 21:00 (Teatro 4)

 

Débora em cena nos espetáculos Amortempo, Putamerda e Virgens à Deriva

Débora em cena nos espetáculos Amortempo, Putamerda e Virgens à Deriva

 

Série Perfis do Teatro, Cinema e Vídeo no Brasil I Débora Aoni, atriz paulista

Sábado, 11.07.2009 I Esta matéria em espanhol I Veja todas as entrevistas

 

Embora atue desde criança em comerciais de televisão e tenha participado de várias peças de teatro escritas por reconhecidos autores nacionais e estrangeiros, foi somente há dois anos que a atriz paulista Débora Aoni decidiu abandonar a carreira publicitária para dedicar sua vida aos palcos e, mais recentemente, ao cinema.

 

O nome da atriz surgiu com força no ano passado, quando protagonizou um dos espetáculos mais elogiados pela crítica em 2008. Do Claustro, escrita por Ruy Jobim Neto e dirigida por Eduardo Sofiati, cumpriu trajetória de sucesso em São Paulo, além de ter sido apresentada no Festival de Curitiba e no Rio de Janeiro. Antes disso, Débora já havia atuado em peças como Amortempo e Putamerda, entre outras, e também na esquete Virgens à Deriva, ao lado de Fernanda Sophia e Vanessa Morelli.

 

Empolgada por sua estreia no cinema — que considera sua verdadeira paixão e para onde pretende apontar sua carreira —, Débora conversou com o ALDEIA CULTURAL, em uma entrevista na qual contou algumas de suas experiências sobre o palco, além de falar sobre o que a motivou a abraçar de vez a carreira de atriz e revelar suas diversas referências cinematográficas, demonstrando estar em sintonia com o que se produz hoje no Brasil e na América Latina.

 

Débora AoniEntrevista I Débora Aoni

"Sou completamente apaixonada pelo cinema"

 

ALDEIA CULTURAL (AC): Você faz comerciais desde a infância, mas é relativamente recente a sua decisão de se dedicar em cheio à carreira de atriz. Quando e como você optou por dar esse passo?
DÉBORA AONI (DA): Na realidade sempre quis ser atriz, desde pequena, quando comecei a fazer comerciais de TV. Portanto a minha decisão em me dedicar totalmente à carreira de atriz foi muito natural, veio com o passar da adolescência, da experiência por 4 anos como redatora publicitária e o redescobrimento de que sempre fui atriz e não queria nada com Publicidade! O 'ser atriz' apenas estava adormecido dentro de mim. Em 2004 comecei a fazer cursos e oficinas de teatro na Cia. Os Satyros e no Teatro FAAP, onde encenei espetáculos de Sam Shepard (Louco Para Amar e Oeste Verdadeiro), Nelson Rodrigues (Toda Nudez Será Castigada), Federico García Lorca (Amortempo — um espetáculo com mistura de várias peças e textos do escritor) e Plínio Marcos (Putamerda — outro espetáculo com mistura de várias peças e textos do dramaturgo e dos próprios alunos da oficina). Em 2007 larguei de vez a Publicidade quando fui convidada para participar da esquete Virgens à Deriva. Daí pra frente veio uma coisa puxando a outra. O Ruy Jobim Neto me convidou para atuar em Do Claustro e vi que aquele momento era a hora da mudança. E fui com tudo, com toda a coragem do mundo, feliz da vida. 

AC: Quem olha de fora vê uma programação com dezenas de peças acontecendo em São Paulo, curtas e longas sendo produzidos e um movimento superinteressante no centro da cidade, além de um mercado amplo em diversas áreas (teatro, TV, cinema, publicidade). Mas, afinal, como é viver de ser ator na capital paulista?
DA: Realmente São Paulo está com um movimento bem legal de produção cultural e artística. O cinema, principalmente, está voltando com tudo. Cidade de Deus foi como uma nova retomada no cinema brasileiro, injetou ânimo e criatividade em todo mundo que mexia com isso, que amava mas não sabia onde e como fazer. De repente começaram a pipocar filmes, novos diretores, atores, roteiros, pequenas produtoras que fazem cinema na raça e é incrível! É uma loucura extremamente estimulante ver tudo isso se movendo freneticamente. Em termos de ser atriz na cidade, o começo é mais difícil mesmo. Quando você ainda não é relativamente conhecido (como é o meu caso) ou não está em nenhuma produção que tenha sido contemplada com leis de incentivo etc., é um pouco difícil em termos financeiros. Você fica na corda-bamba entre sua vocação/o que te faz feliz ou ter estabilidade financeira, morar sozinha, ter dinheiro para o básico e para o lazer (que também é importantíssimo). Então é meio apertado, faço alguns bicos de hostess, atendente em livraria, produção em festivais de cinema, freela de redação, vou me virando. Por outro lado São Paulo tem isso mesmo; é uma cidade multicultural fortíssima — existem mil instituições, festivais de cinema e teatro e lugares em que posso ganhar uma
Espetáculo Do Claustrorenda e continuar, ao mesmo tempo, perto do que amo culturalmente: cinema, teatro, exposições etc. Tudo isso levando a carreira de atriz em paralelo e como prioridade, claro.

AC: No ano passado, você protagonizou o espetáculo Do Claustro, que foi muito bem recebido em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo. Um ano depois, que lembrança você tem dessa experiência?
DA: Só lembranças boas e que me fizeram crescer como atriz e como pessoa. Do Claustro foi um presente do Ruy (Jobim Neto, autor do texto), foi minha primeira protagonista, com aquele peso absurdo; o Ruy e todos da equipe confiaram muito em mim e espero não ter desapontado! Do Claustro está no meu coração para sempre. Hoje mesmo me lembrei de um trecho que fazia com a Carol (Mesquita, a outra atriz da peça) e quando terminei de pensar, falei: "Puta merda, aquilo era do caralho de se fazer!". E não que essas lembranças maravilhosas tenham sido todas maravilhosas mesmo. Era um espetáculo muito pesado, só duas protagonistas, houve momentos de puro caos, pura dor nos ensaios. Mas como eu ouvi de um ator que gosto muito: "Eu sofro mas eu gozo". Então mesmo quando me lembro de momentos difíceis como os que você ainda está tateando o personagem ou quando não consegue fazer uma cena como imaginava, mesmo nesses momentos, é maravilhoso. Porque o caminho é o tesão da coisa. Claro que o resultado — o espetáculo — é de extrema importância. Mas o caminho para chegar nele é que me dá todo o tesão. Por essas e outras que amo do fundo da minha alma ser atriz. 

AC: Outro trabalho em que você esteve presente foi Amortempo (2005), culminando uma oficina sob direção de Nora Toledo. Como foi esse processo?
DA: Foi surreal. Pois Lorca é surreal. É forte e verdadeiro. Seus poemas são umas das coisas mais lindas e tocantes que já li em toda minha vida. Amortempo foi baseado nas principais peças de Lorca e quando começamos a ler esses seus poemas e textos, quando começamos
Espetáculo Putamerdaa entrar e beber de seu mundo, de Granada, de Flamenco, de vermelhos e cores e tudo de que Lorca nos passava, entramos numa vibe surreal, poética, de outro mundo. Foi um processo diferente de Do Claustro (que era realismo puro) mas igualmente prazeroso. Uma das músicas da trilha sonora de Amortempo, a música-tema da cena de Yerma, me dava arrepios; eu chorei escondida na coxia em todos os ensaios e apresentações na hora que esta música entrava. Lorca é poesia pura, a Nora era poesia pura, atriz de verdade, diretora sensível e que anda do seu lado, de mãos dadas. Então foi mágico este espetáculo. Tudo foi mágico. Aquele palco ali, quando Amortempo ia entrar, se transformava, virava o céu.

AC: A maioria dos atores tem um verdadeiro fascínio pelas artes cinematográficas e muita vontade de fazer filmes. No seu caso, qual é a relação que você tem com o cinema?
DA: Completamente apaixonada, louca, obcecada, cinéfila antes de tudo. Relação de amor eterno! Na verdade sempre quis fazer cinema. Comecei com teatro pois acho essencial para qualquer ator fazer teatro — é lá, no ao vivo, no improviso, no imponderável, que você aprende muito. Então comecei com teatro de propósito e pretendo fazer sempre. Mas o cinema... paixão desde pequena. Me lembro com 11 anos indo ao cinema com minha mãe e dizendo: "Mãe, é isso que eu quero fazer. Mas vou ter que ir lá pra fora, aqui não tem!". Com 11 anos, a referência que eu tinha de cinema no Brasil era a pornochanchada. Minha mãe era professora de inglês e eu disse que ia aprender a língua para poder ir 'pra fora' [eu nem sabia onde era esse fora de que eu falava (risos)] e fazer cinema. De repente, um belo dia, já adolescente, fui ao cinema e assisti Carlota Joaquina. Quando terminou eu pensei: "Peraí, alguma coisa mudou aqui. Isso é cinema de verdade e no Brasil!". Então, hoje em dia, estou com foco no cinema. 

AC: E se você fosse diretora de cinema? Sobre o que seria seu filme, que diretores seriam seus referentes e que atores você escalaria para protagonizá-lo?
DA: Não sei sobre o que seria meu filme pois sou uma pessoa que vai mudando de acordo com o que vou vivendo. Hoje em dia, se fosse filmar algo, sei lá, amanhã, por exemplo, acho que gostaria de falar das relações pessoais, com toques de poesia — como Miranda July fez com Eu, Você e Todos Nós ou Charlie Kaufman com Sinédoque, NY — isso me interessa muito hoje em dia. Mas posso ter vontade de falar sobre outra coisa daqui a algum tempo,
Débora em seu primeiro filmemuito difícil responder isso com 100% de certeza. Mas digamos que relações pessoais e temas polêmicos sempre me interessaram muito (enfática). Acho que teria que escalar atores relativamente jovens se o tema fosse esse mesmo (risos)! Alguns atores de que gosto muito: Gael García Bernal (dos meus preferidos), Sean Penn, Wagner Moura, Selton Mello, João Miguel, Caio Blat e Júlio Andrade (um ator que não é muito conhecido pelo público aqui no Brasil mas que é simplesmente maravilhoso), Naomi Watts, Fernanda Torres, Nora Toledo (ela mesma, minha diretora em Amortempo — você não sabe o que é essa mulher atuando!), Fernanda D'Umbra (atriz mais conhecida aqui no teatro também), Catalina Sandino Moreno... Sobre referência de diretores, tenho desde os clássicos até os atuais, sou cinéfila mesmo! A primeira vez que vi Amarcord saí do cinema aos prantos. O que era aquilo? Que magia é aquela? Amores Brutos e 21 Gramas idem, já vi mais de 10 vezes e continuo me emocionando toda vez que os vejo. Alejandro González Iñárritu é um mestre para mim, como foram Fellini e tantos outros. Ele é mestre do século XXI na América Latina. Buñuel também é uma grande referência para mim e também gosto muito do que Daniel Burman faz na Argentina. Aqui no Brasil, tudo que Fernando Meirelles, Walter Salles, Sergio Machado, Alexandre Stockler, Karim Aïnouz, Heitor Dhalia, Cláudio Assis e Beto Brant fazem, estou de olhos abertos, sem piscar! Considero como mestres aqui perto de mim. São geniais. Também tenho paixão por Woody Allen e seu jeito leve de falar sobre assuntos espinhosos, Michel Gondry, Almodóvar (ah, como eu amo Almodóvar!), nossa, são muitos.

AC: Você está envolvida em algum novo projeto? Quais são os seus planos profissionais a curto e médio prazo?
DA: Acabei de participar do meu primeiro longa-metragem, ainda sem data prevista para estreia. Mas foi um sonho realizado e espero que o primeiro filme de muitos. Foi incrível mesmo, estou muito feliz com este projeto. E estou começando a participar de algumas reuniões para um novo espetáculo, tudo ainda bem no comecinho, mas com pessoas muito talentosas e queridas. É o meu projeto a médio prazo. Fora isso, pretendo seguir mais pelo campo da atuação em cinema se tudo der certo! 

 

Fotos: Espetáculos Do Claustro e Putamerda; making of do seu primeiro longa-metragem.

 

Justine é uma das peças que estará em cartaz no Rio

Justine é uma das peças que estará em cartaz em julho no Rio de Janeiro

 

Satyros iniciam temporada no Rio com a apresentação de sua trilogia libertina

Sexta-feira, 03.07.2009 I Do site dos Satyros

 

A companhia paulista de teatro Os Satyros inicia na noite de hoje uma temporada de um mês no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, antigo galpão localizado no bairro de Humaitá, zona sul do Rio de Janeiro. A peça escolhida para a inauguração da mostra é Os 120 Dias de Sodoma, cuja apresentação começará às 21:00.

 

Fundado por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, o grupo comemora em 2009 seus 20 anos de existência, tendo revolucionado a cena teatral paulistana e recuperado a Praça Roosevelt, no centro da cidade, contribuíndo de forma decisiva para que o lugar se transformasse em um ponto de grande efervescência artística.

 

Idealizadores do evento Satyrianas — que em sua última edição reuniu mais de 30.000 pessoas durante 78 horas de atividades ininterruptas —, os Satyros estão entre os principais agitadores culturais da capital paulista e recentemente tem desenvolvido também projetos no cinema e na televisão. No teatro, já se apresentaram em uma dezena de países e produziram mais de 60 espetáculos ao longo de duas décadas.

A Mostra Satyros no Rio é composta pelas peças Liz e Monólogo da Velha Apresentadora, além da Trilogia Libertina, baseada na obra do Marquês de Sade, que inclui A Filosofia na Alcova, Os 120 Dias de Sodoma e Justine. São justamente estas três que se apresentam este fim de semana, abrindo a temporada da companhia em solo carioca.

Foto: Marcelo MaffeiA Filosofia na Alcova


Sinopse: Dolmancé e Madame de Saint'Ange, dois dos personagens mais libertinos da história da literatura universal, são os protagonistas desse texto, escrito originalmente pelo Marquês de Sade, em que é apresentada a educação sexual de uma jovem virgem, com aulas práticas e teóricas de libertinagem. Após o período de aprendizado, a mãe da jovem chega ao palácio dos libertinos para tentar resgatá-la, quando então é confrontada pelos mentores da jovem e por ela mesma.
Texto: Rodolfo García Vázquez, a partir da obra homônima do Marquês de Sade.
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Phedra D. Córdoba, Andressa Cabral, Luana Tanaka, Beto Bellini, Marta Baião, Diogo Moura e Henrique Mello
Quando: domingo 05; a partir de 10/07, sextas, 21:00
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.: (21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e terceira idade)
Duração: 80 minutos
Lotação: 130 lugares
Classificação: 18 anos
Temporada: 05 a 17 de julho de 2009

Os 120 Dias de Sodoma
 

Sinopse: Inspirado no romance do Marquês de Sade, a montagem, que contou com críticas favoráveis da imprensa e grande adesão do público, está em cartaz desde maio de 2006. O espetáculo trata de questões filosóficas e políticas colocadas pela obra sadeana, em um contexto brasileiro de corrupção e decadência das instituições sociais.
Texto: Rodolfo García Vázquez, a partir da obra homônima do Marquês de Sade
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Beto Bellini, Marta Baião, Ruy Andrade, Antônio Campos, Marcelo Tomás, Angrey Fiel, Carolina Angrisani, Danilo Amaral, Diogo Moura, Erika Forlim, Henrique Mello, Mauro Persil, Patrícia Santos, Rodrigo Souza, Rafael Mendes, Samira Lochter, Tiago Martelli, Luana Tanaka, Robson Catalunha, Luiza Valente e Marcelo Jacob
Quando: sexta 03 e sábado 04; a partir de 11/07, sábados e domingos, 18:30
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.: (21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e terceira idade)
Lotação: 130 lugares
Duração: 120 minutos
Classificação: 18 anos
Temporada: 03 a 19 de julho de 2009

Foto: Blog da BacanteJ
ustine


Sinopse: Última parte da trilogia dos Satyros para os textos de marquês de Sade, a peça conta a história da pura, religiosa e inocente personagem Justine (Andressa Cabral), que acaba se envolvendo em experiências de crime, tortura e depravações que testarão seus valores morais e de conduta, enquanto sua irmã, a bela e libertina Juliette (Erika Forlim), realiza uma trajetória cheia de sucessos e prazeres.
Texto: Rodolfo García Vázquez
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Andressa Cabral, Erika Forlim, Marta Baião, Carolina Angrisani, Antônio Campos, Danilo Amaral, Diogo Moura, Eduardo Prado, Marcelo Jacob, Gisa Gutervil, Henrique Mello, Luana Tanaka, Luisa Valente, Marcelo Tomás, Mauro Persil, Robson Catalunha, Rodrigo Souza, Ruy Andrade, Samira Lochter e Tiago Martelli
Quando: sábados e domingos, 21:00
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.: (21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e terceira idade)
Lotação: 130 pessoas
Duração: 80 minutos
Classificação: 18 anos
Gênero: Tragicomédia
Temporada: 04 a 19 de julho de 2009

Foto: Marcelo MaffeiLiz


Sinopse: Utilizando-se de um tom farsesco e de abstrações, a peça propõe uma profunda reflexão sobre a tristeza, a solidão e os erros implícitos na arte de governar. Os personagens Raleigh e Marlowe fundam um antro de perversão chamado A Escola da Noite, onde questionam a anestesia de Deus e a soberania de Elizabeth I.
Texto: Reinaldo Montero
Direção: Rodolfo García Vázquez
Elenco: Cléo De Páris, Ivam Cabral, Fábio Penna, Germano Pereira, Brígida Menegatti, Alberto Guzik, Silvanah Santos, Phedra D. Córdoba, Tiago Leal, Julia Bobrow e Chico Ribas
Quando: sextas, sábados e domingos, 21:00
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.: (21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e terceira idade)
Lotação: 130 lugares
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama
Temporada: 24 a 26 de julho

Monólogo da Velha Apresentadora
 

Sinopse: Uma velha apresentadora de TV surta porque sua empregada foi sequestrada e começa a falar verdades no ar, acabando por contar sua vida, que não é nada edificante.
Texto: Marcelo Mirisola
Direção: Josemir Kowalick
Elenco: Alberto Guzik
Trilha sonora: Ivam Cabral
Iluminação: Rodolfo García Vázquez
Assistência de direção: Chico Ribas
Quando: sábados e domingos, 18:30
Onde: Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto, Rua Humaitá, 163, Tel.: (21) 2266-0896
Quanto: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudantes, classe artística e terceira idade)
Lotação: 130 lugares
Duração: 40 minutos
Classificação: 14 anos
Gênero: Comédia
Temporada: 25 e 26 de julho

 

 

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www.aldeiacultural.com