arquivo de notícias março / abril 2010

 

A atriz atualmente vive no México e se prepara para filmar o longa que escreveu I Foto: arquivo da artista

 

Marianna Burelli: "Adoro estar na América Latina, aqui eu me sinto em casa"

Quinta-feira, 22.04.2010 I Esta matéria em espanhol I Todas as entrevistas

 

Nascida na Venezuela em um dia como hoje (22 de abril), a atriz Marianna Burelli está pronta para enfrentar aquele que é seu maior desafio até agora: protagonizar um longa que escreveu e no qual também trabalha como produtora, uma habilidade que descubriu ao se encarregar da realização de seu prórprio curta, Vuelve a Mí (Volte para Mim), que deu origem à coprodução internacional Trace, cuja filmagem está prevista para este ano.

 

Trace será dirigida pelo mexicano Álvaro Curiel e representa uma nova etapa na carreira da atriz, que durante muito tempo trabalhou no teatro da Inglaterra, onde se formou e viveu por mais de seis anos, além de ter se apresentado em países como Bélgica e Escócia. Sua mudança para o México coincidiu com seu encantamento pelo cinema, arte à qual se aproximou ainda em Londres, quando começou a rodar seus primeiros curtas e a alimentar o desejo de atuar para as telas.

 

Desde que chegou ao México, Marianna não parou de trabalhar em diferentes projetos audiovisuais, como No One Dies of Love, Férias no Éden, De Morte Natural e A Roleta dos Sonhos, entre outros. Além disso, formou parte do elenco da UNAM (a principal universidade mexicana) que apresentou com sucesso a peça Sonho de Uma Noite de Verão, que hoje caminha para sua terceira temporada.

 

Na entrevista concedida há três semanas para o ALDEIA CULTURAL, a atriz — que estudou durante dois anos na Suazilândia, um pequeno país ao sul da África, descubrindo ali sua paixão por interpretar — fala da sua trajetória sobre o palco e em frente das câmeras, conta como foi trabalhar em Londres sendo latino-americana e do projeto que leva adiante e que pretende filmar no segundo semestre deste ano.

 

 

Entrevista I Marianna Burelli, atriz e produtora

 

"Estudar atuação já te coloca numa categoria bastante pequena e dura, porque é um meio muito competitivo, há pouca demanda e muitos atores".

 

"Vir da Venezuela tinha suas vantagens, mas também era preciso saber como aparar as arestas pra não se machucar".

 

"Adoro filmar na Inglaterra, adoro os atores ingleses, eles têm um tom que eu gosto muito, mas também adoro vir para a América Latina e poder ficar".

 

"México está muito bem localizado, há muitíssimo trabalho, então eu tenho tudo aqui".
 

 

ALDEIA CULTURAL (AC). Como você começou a estudar teatro?

MARIANNA BURELLI (MB). Primeiro eu fiz teatro na Suazilândia. Ganhei uma bolsa aos 16 anos para estudar lá e comecei a estudar teatro, foi a primeira vez que fiz isso. Tinha uma professora de teatro inglesa que me disse que se eu queria me dedicar ao mundo do teatro e do cinema, fosse para a Inglaterra, que ela iria me recomendar. Eu já tinha uma vaga numa universidade para estudar Sociologia e História, mas para não deixar de me candidatar para a escola de teatro, a East 15 Acting School, fiquei e me aceitaram nesse mesmo dia. Foi assim como "e agora, o que eu faço?". Então, decidi fazer Teatro, estive três anos lá, fiz um curso de teatro físico na Polônia, durante uns meses, nas férias. E uma vez terminados meus estudos de teatro em Londres, montei uma companhia que se chamava VIP Theatre. Montamos uma peça para o nosso projeto final, Caviar & Chips, e nos inscrevemos no Festival Internacional de Teatro de Edimburgo, fomos aceitas, e fizemos uma temporada de um mês lá. Foi incrível, porque estávamos eu — que sou venezolana —, uma amiga minha, que é meio grega, meio irlandesa, e outra menina, que é inglesa. E então fizemos um trio muito explosivo, que funcionava muito bem na peça, era muito divertida, uma tragicomédia, e eu interpretava uma cubana ilegal em Londres, meio prostituta, meio louca. Foi incrível, assinamos um contrato com a Warner Brothers, porque éramos o único espetáculo cômico do festival, sem ser stand-up, de mulheres. Porque havia muitos desses, mas todos eram de companhias masculinas. Como éramos as únicas, se interessaram muito, vieram nos filmar e tivemos os sketches da nossa peça na página do Time Warner Online em 2006. Fizemos uma temporada em Londres, estivemos em muitos teatros da cidade, como o Hen & Chickens, o Canal Café e o Soho Theatre. E nos convidaram para abrir o primeiro teatro em língua inglesa de Bruges, na Bélgica, para fazer uma temporada de quinze dias neste teatro. Estivemos lá, foi tudo ótimo, tivemos críticas muito boas, e depois retornamos a Londres, fechamos uma temporada na cidade, e aí decidi que meu tempo lá já tinha acabado e que queria fazer um pouco de cinema. E então conheci um diretor de cinema mexicano, Ernesto Contreras, que me ofereceu um ingresso para a sua première aqui no México, para o seu filme Párpados Azules (Pálpebras Azuis). Ele veio para a última sessão da minha peça na Inglaterra. E me disse: "Marianna, te convido para a première do meu filme, você conhece gente no México e vê como vão as coisas". Eu fiquei um mês e percebi que aqui no México a interação com as pessoas era muito mais fácil que na Inglaterra. Retornei para a Inglaterra em março de 2008. Fiz o primeiro curta que eu dirigi e escrevi, Vuelve a Mí, o produzi com dois amigos, um produtor mexicano, e um inglês que era o supervisor do roteiro. Também o protagonizei. Viajei para Nova Iorque, editamos o curta e o enviei a muitos festivais. Passou por vários, um deles foi o Festival de Cinema Latino-Americano de Moscou, tive contato com uma pessoa que se chama Aleksey Chernyshev. Ele adorou o curta e o apresentou no Festival de Moscou e no Festival de Minsk. Então eu tinha a ideia de escrever uma versão para um longa. E durante a influenza no México, foram dias e dias de claustro, eu não sabia o que fazer, me desesperei, então eu falei: "Vou começar a escrever a versão longa deste curta". Eu já havia lido vários livros de roteirização, mas não tinha me atrevido a escrever. E comecei a escrever, terminei uma versão e pensei que queria que fosse uma conexão Venezuela-Inglaterra. Inscrevi o projeto para desenvolvimento de roteiro no CNAC (Centro Nacional Autônom de Cinematografia), que é a organização de cinema nacional da Venezuela, e não me deram nenhum dinheiro, então eu falei: "Tá, então, vou fazer uma coprodução com o México". Quando eu vi o trabalho do Álvaro Curiel, falei: "É ele". Dei o meu roteiro pra ele, que me mostrou seu trabalho, tinha terminado seu primeiro filme, O Encouraçado, também tinha trabalhado como assistente de direção em milhares de coisas, entre elas um filme com a Tilda Swinton, Julia (de Erick Zonca, 2008). É o diretor mexicano com mais trabalhos de assistente de direção e o diretor mais jovem com maior número de séries dirigidas. É muito bom, então eu pensei: "Tá, vamos conversar". Leu meu roteiro e me disse: "Adorei a história, Marianna, mas há erros". Aí eu falei: "Não, eu tenho que me mexer, já tenho o diretor, tenho que continuar me movendo". Fui para a Inglaterra para visitar meu supervisor de roteiro, com quem tinha trabalhado anteriormente no curta, Adam Dahrouge, e nos trancamos semanas na casa dele trabalhando no roteiro. Retornei ao México, com um draft muito mais decente, mostrei a versão do roteiro para o Álvaro e ele me disse: "Agora sim vamos trabalhar". E então uns dois meses depois ele me chamou para contar que já tinha conseguido o dinheiro no México, já tínhamos uma produtora, e agora estão decidindo na Inglaterra se me dão o dinheiro para o filme, porque o inscrevi no Art Council, para que nos ajude com a parte inglesa. Então é incrível, deram-se todas as circunstâncias para que houvesse este interesse internacional na produção. Se tudo sai bem, o shooting schedule (filmagem) está planejado para começar dia 13 de setembro em Londres. Filmaríamos seis semanas ali, retornaríamos em outubro e no começo de novembro faríamos mais três semanas de filmagens no México.

ALDEIA CULTURAL (AC). Você vai ter um papel no filme?
MARIANNA BURELLI (MB). Sim, eu sou a protagonista (risos). Porque na verdade eu queria fazer um papel que eu gostasse. O problema que encontrei, e como eu certamente muitos, é que sempre, pelo menos na Inglaterra, eu fazia o papel da viciada latino-americana, a viciada, a viciada... Como se na América Latina apenas houvesse gente drogada e mulas, cocainômanas, sei lá. Então eu falei: "Eu quero fazer o papel de uma pessoa normal , que sofre, que ri, que tem problemas, como qualquer outra, e que não seja tão importante a nacionalidade". Como diz meu diretor, tomara que eu possa atuar tão bem como o escrevi, tomara que não fique mal comigo mesma.


ALDEIA CULTURAL (AC). Quando você saiu da Venezuela não tinha a ideia de ser atriz?
MARIANNA BURELLI (MB). Não, de jeito algum. Eu queria estudar História e Filosofia, ou algo assim. Mas quando cheguei na Suazilândia, tinha que escolher. O programa que a gente fazeia se chama International Baccalaureate (IB), é como o pré-universitário, te prepara em um nível muito alto, então, você tem que escolher seis matérias, três de nível alto e três de baixo. Lógico que eu não queria escolher Física nem Química, isso eu tinha claro na minha cabeça. Já estava em Literatura Inglesa, História Universal, e faltava uma alta. Então eu tinha Artes, que tinha Artes Plásticas ou Teatro; ou Física, Química,
Matemática, e falei: "Nem louca eu entro aí porque não vou sair nunca". Então um amigo meu falou: "Entra em teatro, que está incrível". E foi assim. Entrei no teatro porque não tinha outra opção. E fiquei lá.


ALDEIA CULTURAL (AC). E aí você partiu para a Inglaterra.
MARIANNA BURELLI (MB). Sim. Eu não queria fazer teatro clássico, isso não me interessava muito. Então minha professora disse: "Tem uma escola que é maravilhosa, é teatro contemporâneo, East 15 Acting School". E então eu me candidatei. E nada... tivemos todo um dia de testes e, nesse mesmo dia, no final da tarde, me disseram: "Estamos te oferecendo um lugar no curso de Teatro Contemporâneo: você aceita ou não?" Você tinha que decidir nesse mesmo dia. Eu disse que sim. E pronto, fiquei ali.

 

ALDEIA CULTURAL (AC). Quanto tempo você esteve lá?
MARIANNA BURELLI (MB). Estive um total de seis anos e meio, dos quais três foram estudos de universidade. E logo fundei minha companhia de teatro e fiquei mais três anos e um pouquinho mais. Também trabalhei com a BBC, com rádio, fiz dublagens, montei várias peças de teatro, fiz vários curtas. Fiz um curta com um finlandês que se transformou num média-metragem, tornou-se toda uma ousadia; chama-se Fles, acho que ele está passeando pelos cinemas na Finlândia. Fiz outro curta com um francês, fiz o meu e alguns outros. E quando comecei a fazer curtas eu percebi que também adorava o cinema.

ALDEIA CULTURAL (AC). Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas vivendo em Londres?
MARIANNA BURELLI (MB). Antes que nada, estudar atuação já te coloca numa categoria bastante pequena e dura, até para os ingleses, porque é um meio muito competitivo, há pouca demanda e muitos atores. Todo mundo é ator, claro, as melhores escolas do mundo, tirando algumas dos Estados Unidos e do Leste Europeu, estão em Londres. Então você pode imaginar; gente de todos lugares do país e do mundo vai estudar teatro lá. Claro, você sai, e se dá conta de que não há trabalho, que o trabalho que existe é muito mal remunerado, então entra num conflito de sair desse mundo de teatro e de fantasia por três anos, de algo muito esperançador você sai para uma realidade que é muito fria, muito dura. Não apenas encontrei essa realidade com a qual nos encontramos todos os atores que nos graduamos, mas também com essa questão de que 'não sou inglesa'. E sim, havia uma lembrança diária de que eu não era inglesa e não podia optar pela mesma quantidade de trabalhos dos outros, e ainda que meu sotaque fosse muito limpo, neutro, não podia fazer o sotaque de Liverpool, nem de Manchester, então eu me sentia um pouco limitada. Além disso, nesse momento os latino-americanos não estávamos considerados como uma minoria étnica, o  que significava que os meios de comunicação não tinham a obrigação legal de contratar um certo número de latinos. Há mais ou menos três meses, acabam de aceitar isso, agora os latinos têm certos direitos nos meios de comunicação, nas peças de teatro, na Companhia Nacional. Naquele momento eu não entendia muito bem por que era tão importante, mas claro que é. Por exemplo, o National Theatre, a companhia nacional da Inglaterra, tem, por lei, que contar com atores hindus e dos países árabes, porque eles são uma minoria étnica em Londres; senão, seria discriminação racial. Hoje isso acontece com os latinos, incrível! Agora os latinos, sim, por lei, têm que formar parte da comunidade em todos os sentidos. Será muito mais fácil para os latino-americanos ter um espaço. No entanto, nunca me faltou trabalho. Tinha uma agente que se mexia bastante, e trabalhei
na rádio com a BBC muitas vezes; claro, era a latina, você sabe. Mas eu acho que era isso, essa luta, não sei, étnica, era como conseguir seu espaço e perceber que o fato de vir da Venezuela tinha sim suas vantagens, mas também era preciso saber como aparar as arestas para não se machucar.

ALDEIA CULTURAL (AC). O fato de ter se envolvido com roteiro, produção e direção de curtas teve a ver com a falta de mercado ou foi fruto de uma inquietação que já vinha desde antes?
MARIANNA BURELLI (MB). Na verdade eu acredito que foi a vontade fazer algo bacana. Sem pensar muito, eu disse: "Quero fazer um curta", mostrei a história para um amigo produtor e ele me disse: "Vamos fazer, eu o produzo junto com você". Então foi assim: "Ok, e agora, o que a gente precisa?". Fui me instruíndo na medida que ia passando o tempo. Quando percebi, já estava como produtora, diretora, atriz. É um trabalho muito forte, além do que apenas eu e meu produtor estávamos pagando os custos, sozinhos e do nosso bolso. Tudo era muito interessante, gosto mais da produção que da direção. Dirigir e atuar, acho que esse combo junto pode ser muito problemático. Mas eu me dei conta que tenho facilidades para produzir, me mexo, falo com gente, consigo coisas... Foi incrível descobrir isso.


ALDEIA CULTURAL (AC). Chegando ao México você fez vários curtas, o primeiro deles foi No One Dies of Love. Como foi esse trabalho?
MARIANNA BURELLI (MB). Cheguei ao México em outubro e em novembro já estava filmando o curta, que agora está viajando por festivais. Acho que vai ao Chile, também à Rússia, porque o contato que eu tive no Festival de Cinema Latino-Americano da Rússia me chamou, aparentemente tenho um clube de fãs lá, o que eu acho muito engraçado. O curta-metragem é como um poema visual, é voz em off o tempo todo, o personagem não fala, e é uma menina que quando a conhecemos está no bottom, no fundo de todos os fundos, destruída de amor, ou seja, tem um mal de amor muito forte e toma um remédio que diz broken heart (coração partido) e faz uma viagem a todas suas experiências amorosas. Há uma cena na piscina, que é como citando desde o momento de quando você descobre o amor, desde a inocência. Foi uma cena difícil porque nunca me disseram que eu tinha que ficar nua até o dia em que filmamos, e eu queria morrer, mas ficou super bonito e então ela vai passando por todas as etapas de amor e de amores que tenha tido com homens e mulheres. Foi muito legal. Fernanda (Rivero), a diretora, meio que deixou  o curta em algum momento mas agora voltou a trabalhar com ele. A gente fez a voz em off em espanhol também: mandamos em espanhol para a América Latina e em inglês para os Estados Unidos e Europa. Então ele tem duas versões e está incrível.


ALDEIA CULTURAL (AC). E depois você fez outros curtas, também esteve no longa A Roleta dos Sonhos. Você tem feito muitos trabalhos no México...
MARIANNA BURELLI (MB). Sim, muitos, a verdade é que o ano passado foi bem cheio de trabalho, foi incrível. Também estive em uma produção muito grande de teatro, Sonho de Uma Noite de Verão, uma adaptação em espanhol de Shakespeare, que se apresentou no Teatro da Universidade Autônoma do México (UNAM), em um dos maiores e mais lindos teatros da cidade, o Miguel Covarrubias. Era um projeto muito interessante porque a UNAM, depois de muitos anos, quis apostar pela união das três cátedras: dança, teatro e música. Puseram-se de acordo e fizeram uma seleção gigante, em todo o país, para
escolher os atores e dançarinos; a orquestra já estava eleita. Depois de um período de quatro dias de testes, me disseram que eu era parte da companhia e começamos a ensaiar. Ensaiamos a peça por três meses e nos apresentamos pouquíssimo, mas o público ficou super feliz, nos pediram uma segunda temporada e agora estão preparando a terceira para fazer uma turnê pelo país.

ALDEIA CULTURAL (AC). ¿Você tem planos de filmar na Venezuela?
MARIANNA BURELLI (MB). Acabo de fazer um casting, me chamaram de Los Angeles, da produtora Hook Brothers, são uns venezolanos que vivem lá e acabam de fazer um roteiro que se chama Papita, Maní, Tostón (Batatinha, Amendoim, Crouton). Não sei se você sabe que quando se joga beisebol na Venezuela, os vendedores gritam "batatinha, amendoim, tostão", é a única coisa que se escuta no estádio. É como uma versão de Romeu e Julieta. Romeu é quem torce para os Leones (Leões) de Caracas e Julieta torce para os Navegantes de Magallanes. O beisebol é gigante na Venezuela, é como o futebol no Brasil. Então me falaram pra fazer esse casting, eu entrei em contato, não pudemos nos ver na Venezuela em dezembro, fui para lá em 14 de março, até o 19, fiquei cinco dias e fiz o casting em Los Angeles para o personagem principal do filme, que está esperando a resposta do CNAC. Se tudo sai bem, será filmado em agosto.

 

ALDEIA CULTURAL (AC). Mas você terá no México a sua base central, certo? Você vê seu futuro na América Latina?

MARIANNA BURELLI (MB). Pelo momento sim, o México está muito bem localizado, há muito trabalho, então eu tenho tudo aqui, você sabe. E eu adoro a América Latina, me sinto muito mais em casa do que me sentia na Inglaterra, muito mais. Eu vejo meu futuro com base na América Latina, viajando muito também. Por exemplo, esta situação do filme é ideal, uma coprodução com a Inglaterra; adoro filmar lá, adoro os atores ingleses, eles têm um tom que eu gosto muito, mas também adoro poder vir até a América Latina e ficar aqui.

 

Fotos: Payasos (curta, direção de Jorge Hernández Aldana), La Última Navidad (peça de teatro, escrita por Mariana Burelli e dirigida por Fernanda Rivero), Fles (média-metragem, direção de Sakari Laurila), Trace (longa de Álvaro Curiel, escrito por Marianna Burelli, póster provisório) e Sueño de Una Noche de Verano (peça de teatro, dirigida por Juliana Faesler). Ver imagem de perfil ampliada.

 

Cidade Desmanche é a proposta apresentada pelo grupo paulistano Teatro de Narradores I Foto: Divulgação

 

Companhias de sete países latino-americanos se apresentam gratuitamente

Terça-feira, 20.04.2010

 

Esta noite tem início a V Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo, que será realizada no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e no Espaço Maquinaria, ambos na capital paulista. O evento, que se prolongará até o domingo (25), terá a participação de dez companhias de sete países, além de debates e atividades paralelas.

 

Todas as sessões serão gratuitas e as bilheterias serão abertas duas horas antes de cada espetáculo. O Centro Cultural São Paulo, onde estão as salas Jardel Filho e Adhemar Guerra, está localizado na rua Vergueiro, 1.000 (Liberdade). Já o Espaço Maquinaria fica na rua Treze de Maio, 240 (Bela Vista).

 

20 de abril I 18:00 I Sala Jardel Filho
Companhia Tryo Teatro Banda I Santiago I Chile
Espetáculo: Pedro de Valdivia: la Gesta Inconclusa I Classificação: 13 anos
Sinopse: Humorístico e trágico, com canções e muitos instrumentos executados ao vivo — instrumentos indígenas mapuches, guitarrão chileno, charango e outros mais conhecidos como violino e acordeón —, três jograls dão vida a esta história onde se representam os primeiros anos da conquista do Chile, tendo como fio condutor as cartas que o conquistador Pedro de Valdivia enviou ao Rei da Espanha Carlos V.

21 de abril I 18:00 I Sala Adhemar Guerra
Grupontapé de Teatro I Uberlândia-MG I Brasil
Espetáculo: Estranhas Galinhas I Classificação: 16 anos
Sinopse: A peça, escrita por Fernando Limoeiro, é inspirada no conto "Um senhor muito velho com suas asas enormes", de Gabriel García Márquez, e resgata traços da religiosidade e da cultura popular mineira. Vivendo isoladas dos olhares do povo, três irmãs devotas e seguidoras de São Roque se vêem diante do imprevisível e buscam em outros olhos a cumplicidade de cada momento daquela semana de carnaval em Santo Antônio dos Conjurados.

21 de abril I 19:00 I Sala Jardel Filho
Companhia Henrique Artes I Luanda I Angola
Espetáculo: Hotel Komarca I Classificação: 18 anos
Sinopse: A história de sete detidos que vivem as emoções e paixões dentro de uma cela, onde o medo e a coragem pela sobrevivência andam de mãos dadas. Um recheio de comédia e melodrama, na qual a encenação e enredo se unem para criar uma sólida análise sobre o cotidiano dos presos, suas angústias e aspirações.

22 de abril I 18:00 I Sala Jardel Filho
Companhia El Bachín Teatro I Buenos Aires I Argentina
Espetáculo: Teruel y La Continuidad del Sueño I Classificação: 16 anos
Sinopse: A obra põe em relevo o destacado papel que artistas e intelectuais do mundo todo assumiram na guerra contra o fascismo e nos questiona sobre a função da arte. A ação se passa em Teruel (Espanha), em fevereiro de 1938. A cidade foi recuperada pelos franquistas, mas há resistência dos republicanos. Aí está um grupo de artistas na frente da batalha, de brigadas internacionais que se negam a deixar a cidade enquanto preparam um espetáculo para levá-lo à capital (Madri).

22 de abril I 18:00 I Espaço Maquinaria
Companhia Teatro de Narradores I São Paulo-SP I Brasil
Espetáculo: Cidade Desmanche I Classificação: 14 anos
Sinopse: Na peça, seguimos duas trajetórias que aos poucos vão se cruzando. De um lado, um ex-presidiário que está à procura dos elos perdidos: a mulher com quem viveu antes da prisão, a cidade que já não reconhece. De outro lado, um coreano que integra um esquema de falsificação de documentos e manutenção ilegal de bolivianos na cidade. Com o esquema desarmado pela polícia, passa a ser perseguido por esta e os bandidos que integravam o esquema ao mesmo tempo. A busca de um e a fuga de outro se confundem e produzem um encontro inusitado. Nesse duplo percurso, figuras do centro da cidade atravessam. Uma banda acompanha esse movimento, dando corpo e som à dupla narrativa. Cidade Desmanche é a imagem para essa cidade onde as relações se desfazem, onde os destinos confundem busca e fuga, onde a vida já não responde pelo nome.

23 de abril I 21:00 I Sala Adhemar Guerra
Grupo Rapsoda Teatro I Bogotá I Colômbia
Espetáculo: Rosita Contratodo I Classificação: 12 anos
Sinopse: Criação coletiva resultado da colaboração entre a escritora Diana Raznovich (Argentina), a diretora Margarita Borja (Espanha) e o Grupo Rapsoda da Colômbia. A personagem da jovem Rosita se desmembra em três perfis, a aérea, a terrestre e a amortalhada, que transita pela saqueada região da Catatumbo para revelar as vivências que atravessam as mulheres vítimas do tráfico sexual.

23 de abril I 21:00 I Sala Jardel Filho
Grupo Cuatrotablas I Lima I Peru
Espetáculo: Los Ríos Profundos I Classificação: 16 anos
Sinopse: É uma leitura coral e dançada baseada no livro de José Maria Arquedas ("Los Ríos Profundos"). Inspirando-se em um coro grego, quatro atores representam um Coro Arguedeano, criando seu próprio coro andino. Através de suas ações cantadas e dançadas, interpretam o protagonista, Ernesto, um menino de 13 anos, confuso por seus descobrimentos do mundo, e da relação complexa com seu pai, e dão vida aos Ernestos adultos: o Arguedas professor universitário, o Arguedas de pesadelos e insônias, às mulheres presentes e matriarcais.

24 de abril I 17:00 I Sala Adhemar Guerra
Companhia de Teatro Sim Por que Não? I Florianópolis-SC I Brasil

Espetáculo: Livres e Iguais I Classificação: 6 anos
Sinopse: Este é um trabalho de teatro de formas animadas inspirado na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Cenas do duro cotidiano das grandes cidades, onde pessoas são obrigadas a sobreviver do lixo, a disputar um lugar para morar, onde há falta de trabalho, são entremeadas por imagens de lirismo e poesia.

24 de abril I 21:00 I Sala Jardel Filho
Companhia Teatro Avante I Miami I EUA
Espetáculo: Aire Frío I Classificação: 16 anos
Sinopse: Esta montagem, de Virgilio Piñera, é uma versão de um clássico da dramaturgia cubana dos anos de 1960. Revela momentos essenciais da vida da família Romaguera, pela memória da personagem Luz Marina: o passo do tempo, a visão da atualidade dessas figuras — ícones da cultura e do teatro cubano — eternizadas pelo autor em um gesto, um olhar, uma voz que nos chega de longe até nossas vidas de hoje.

25 de abril I 19:00 I Sala Jardel Filho
Grupo Harém de Teatro I Teresina-PI I Brasil
Espetáculo: Raimunda Pinto, Sim Senhor! I Classificação: 16 anos
Sinopse: Montada pela primeira vez em 1992, o espetáculo, de Francisco Pereira da Silva (Chico Pereira), traz como tema o êxodo rural e conta a história de uma jovem cearense, feia, pobre, leporina (lábio defeituoso) e subdesenvolvida, que consegue 'vencer na vida' longe de sua terra. A história se passa num cenário da Segunda Guerra Mundial, em 1942, no subúrbio de Fortaleza, mas o eixo geográfico é instável e logo ela se encontra viajando pelo mundo.

 

O diretor José Padilha já tem o material e pode começar a montagem do filme I Foto: Luiz Fernando Carvalho

 

Filmagens do longa Tropa de Elite 2 concluíram esta semana no Rio de Janeiro

Sábado, 17.04.2010 I Esta matéria em espanhol

 

Concluíram na quinta-feira as filmagens de Tropa de Elite 2, longa-metragem de José Padilha que dará continuidade à saga do Capitão Nascimento, personagem encarnado pelo ator Wagner Moura e que se converteu em um fenômeno popular no Brasil há três anos, quando o primeiro longa foi lançado no país.

 

Em outubro de 2007, Tropa de Elite estreou nos cinemas brasileiros amparado em uma grande campanha publicitária e em algumas polêmicas que envolveram a produção, como a venda massiva de cópias pirateadas que invadiram as ruas das principais cidades do país dois meses antes da sua apresentação em salas. A violência policial, a tolerância das ONGs com o narcotráfico para poder se instalarem nas favelas e a cumplicidade da classe média com a exploração infantil pelos traficantes foram alguns dos assuntos abordados no longa, que teve cerca de 2,4 milhões de espectadores e ganhou o Urso de Ouro em Berlim no ano seguinte.

 

A sequela começou a ser filmada na metade de janeiro e a previsão é de que a estreia ocorra em agosto deste ano, mas os treinamentos com os atores tiveram início em novembro de 2009. Entre os exercícios, houve simulações de invasões de favelas e testes de tiro. Assim como aconteceu na primeira entrega, Fátima Toledo foi a responsável da preparação de elenco. Por sua vez, o artista marcial Rickson Gracie esteve a cargo das aulas de jiu-jitsu.

 

Desta vez, a trama mostra o Capitão Nascimento quinze anos depois do final do primeiro longa, cansado e às voltas com os problemas do filho adolescente. O agora coronel busca um sucessor na tropa de elite da polícia militar carioca, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), que cresceu ao mesmo tempo em que ocorre a formação de milícias na cidade. O roteiro é assinado novamente por Bráulio Mantovani (Cidade de Deus) e a fotografia está outra vez nas mãos de Lula Carvalho, tal como aconteceu no filme anterior.

 

Com um orçamento de quase R$ 16 milhões, Tropa de Elite 2 já é uma das produções mais caras da história do cinema brasileiro, perdendo apenas para Lula, O Filho do Brasil, que custou dois milhões a mais. Além de Moura, integram o elenco do filme os atores André Ramiro, Maria Ribeiro e Milhem Cortaz, que já estiveram na primeira parte, e que agora contam com a companhia de Tainá Müller, Irandhir Santos, Seu Jorge e Pedro Van Held.

 

Além do seu trabalho como atriz, Chamila também tem entrado em áreas como a direção I Foto: Galut Alarcón

 

Chamila Rodríguez: "Adoro as novas gerações de diretores do cinema chileno"

Quinta-feira, 08.04.2010 I Esta matéria em espanhol I Todas as entrevistas

 

Desde a 'Chinesa' de Deitada Olhando as Estrelas, no cinema, até a Julieta de Desordens Mentais, no teatro, passando por uma diversa gama de personagens, a atriz chilena Chamila Rodríguez tem transitado por diferentes caminhos que a levaram inclusive, em tempos recentes, a escrever, produzir e dirigir seus primeiros curtas, ainda que sua atividade principal continue sendo a atuação, especialmente sob a direção de alguns dos principais realizadores do seu país.

 

Apesar de ter nascido em Londres (Inglaterra), a atriz foi criada na América Latina, pois com apenas seis anos se mudou junto com a família para países como a Costa Rica e a Nicarágua, onde passou a maior parte de sua infância e adolescência. Chegou em 1991 ao Chile, país no qual se estabeleceu definitivamente e onde também iniciou seus estudos de atuação e sua carreira profissional, que desde meados da década passada já soma mais de 60 trabalhos no cinema, no teatro e na televisão.

 

Reconhecida como uma das atrizes jovens mais importantes do Chile atualmente, Chamila conseguiu manter uma carreira sólida longe das novelas, focando seu trabalho no cinema e no teatro, apesar de poder ser vista regularmente em unitários apresentados por diferentes emissoras de TV. Além disso, há alguns anos estreou na direção de curtas, tendo realizado dois até hoje: Escuro Voo Compartilhado e Mudo Coração.

 

Na entrevista, a atriz — que recentemente apresentou Mudo Coração na 9ª Mostra Cinema e Mulheres da América Latina — fala de suas colaborações com os diretores Raul Ruiz e Valeria Sarmiento, da sua nova faceta de realizadora e do momento pelo qual atravessa a cinematografia chilena.

 

 

Entrevista I Chamila Rodríguez, atriz e realizadora

 

"Sinto que o cinema e o teatro no Chile, em geral, mostram a profundidade das realidades que se vivem aqui".

 

"Não gosto da 'fama' e menos ainda da 'fama chilensis'".

"
Eu acho interessante a evolução que o cinema teve no Chile. Antes se estreavam dois ou três filmes em um ano e hoje mais de 25".

"Gosto do carinho das pessoas quando me reconhecem nas ruas, mas eu vivencio isso com a alegria da simplicidade".

 

 

ALDEIA CULTURAL (AC). Um dos primeiros filmes que você rodou na carreira foi Tendida Mirando las Estrellas (Deitada Olhando as Estrelas, em uma tradução livre). Curiosamente, este filme estreou quase uma década depois da filmagem. Como você recorda a sua participação no longa e o que tem para contar sobre ele?
CHAMILA RODRÍGUEZ (CR). Tendida Mirando las Estrellas observa a marginalidade feminina, onde habita 'Chinesa', meu personagem, uma prostituta do lúmpen, que depois de anos atrás das grades, sai para continuar traficando seu corpo em um submundo de Santiago, o 'Unicórnio', no começo dos anos 90, no preciso momento em que se começava a respirar o ar ambíguo da 'democracia' desenhada como resultado de 17 anos de ditadura militar. É então que a Chinesa ama e entrega seu destino à protagonista, Nieves, interpretada por Paulina Urrutia, uma assassina que mata para proteger seu pequeno irmão. Juntas tentam escapar buscando a liberdade.

 

AC. Depois disso, você trabalhou em vários outros longas, com destaque para a sua participação em projetos de Raul Ruiz e Valeria Sarmiento. Como aconteceu esta colaboração frequente com ambos realizadores?
CR. Com Raul Ruiz, foi primeiro através da minha personagem China, no filme Tendida Mirando las Estrellas. Raul viu o filme e gostou muito do meu trabalho. Depois eu o conheci em sua casa, onde passamos vários momentos interessantes de conversas sobre a vida e o cinema, rodeados de bons amigos e suas duas belas mulheres, sua mãe, dona Olga, e Valeria, sua companheira. Com o tempo Raul me convidou a interpretar dois personagens diferentes em um rádio-teatro que ele escreveu e dirigiu, "Cinco Sentidos", uma homenagem à nossa poetisa Gabriela Mistral. E depois veio meu grande sonho, ser dirigida por ele no cinema: La Recta Provincia (A Reta Província), escrita e dirigida por ele, aí interpretei 'A Viúva' e 'A Moça'. Foi uma experiência maravilhosa, cheia de magia e aprendizagem; estou muito agradecida de ter vivido algo tão lindo. Finalmente La Recta Provincia foi filme e série de televisão, quatro capítulos de uma hora para a Televisão Nacional do Chile. Depois sua esposa, Valeria Sarmiento, me convidou para interpretar um
personagem no seu novo filme Secretos (Segredos). Ela tem seu estilo, muito diferente de Raul, tirou o melhor de mim para esse personagem, nos entendemos com uma fluidez deliciosa. E o último que fizemos com Raul foi Litoral, escrito e dirigido por ele, aí eu interpretei o personagem protagônico Amelia López, que na verdade era uma e muitas mulheres ao mesmo tempo, um personagem atemporal, onírico, trágico.


AC. Quando você iniciou a carreira, o Chile era um país que produzia pouquíssimos filmes; hoje, no entanto, a produção chilena é pujante, apesar de ainda existirem mil problemas na hora de concretizar um projeto. Que leitura você faz da evolução da cinematografia em seu país? Você gosta do que é realizado atualmente no Chile?
CR. Eu acho interessante a evolução que o cinema teve no Chile. Antes estreavam dois ou três filmes por ano, e hoje mais de 25. Indaga-se em filmes de autor, não só comerciais, e isso é muito bom. Sinto que o cinema e o teatro no Chile, em geral, mostram a profundidade das realidades que se vivem aqui. Adoro as novas gerações de diretores, com ideias frescas e valentes; José Luis Torres Leiva com El Cielo, la Tierra y la Lluvia (O Céu, a Terra e a Chuva), Pablo Larraín em Tony Manero, Sebastián Silva em La Nana (A Empregada), e Huacho, de Alejando Fernández.

 

AC. Você também experimentou o roteiro e a direção em dois curtas. Como foi para você essa experiência? Você está interessada em seguir esse caminho, por exemplo, escrevendo ou dirigindo um longa?

CR. Em 2001 adaptei e produzi a peça Oscuro Vuelo Compartido (Escuro Voo Compartilhado) e depois de uma temporada de mais de quatro anos, dirigi um curta homônimo, como uma homenagem à trajetória do dramaturgo e autor do texto original, Jorge Díaz. Foi encerrar um ciclo importante na minha vida e queria deixar isso registrado. Em 2008 escrevi, dirigi e atuei em Mudo Corazón (Mudo Coração), inspirado no livro póstumo "En el Mudo Corazón del Bosque" (No Mudo Coração do Bosque), de Jorge Teillier, como una homenagem ao autor e um protesto contra a destruição dos bosques austrais do nosso país. Esse foi um trabalho mais íntimo e silencioso. Não há diálogos no filme, apenas sons dos bosques mais austrais do Chile e a atuação acompanhada de uma menina que me fez indagar na pureza que ela leva dentro. Atualmente sou co-realizadora do documental biográfico En Beneficio Propio (Em Benefício Próprio), sobre a vida e a trajetória do ator nacional Luis Alarcón, escrito e dirigido por Galut Alarcón.

 

AC. Em outro espaço, o teatro, você tem interpretado personagens sempre muito intensos, com forte carga dramática. De todos eles, ¿qual foi o que te deu maior satisfação e qual foi o mais difícil de fazer?
CR. Eu atuei em diversas peças de teatro, como Gata em teto de zinco quente e O Zoológico de Cristal, de Tennessee Williams, A Casa de Bernarda Alba, de Federico García Lorca, O Burlador de Sevilha, de Tirso de Molina, Escuro Voo Compartilhado, de
Jorge Díaz, Desordens Mentais, de Eugenia Prado, e A Negra Ester, de Roberto Parra, entre outras. O personagem que eu mais gostei de fazer foi 'A Gata', de Tennessee Williams, e o mais difícil Julieta, na peça Desordens Mentais, escrita por Eugenia Prado e dirigida por Alejandro Trejo.

AC. ¿Você sente que é uma atriz famosa ou não costuma reparar nisso? Qual é o lado bom e, em contrapartida, o ruim de ser uma pessoa conhecida, cujo trabalho se expõe publicamente?

CR. Não gosto da 'fama' e menos ainda da 'fama chilensis'. Amo minha profissão, sou atriz de teatro e cinema. Cada dia é uma aprendizagem, cada personagem um novo desafio. Gosto do carinho das pessoas quando me reconhecem nas ruas, mas eu vivencio isso com a alegria da simplicidade.

AC. ¿Em que projetos você está envolvida atualmente?
CR. Como atriz, em um telefilme que será dirigido por Ignacio Agüero para (o canal) Chilevisión, em uma série para HBO dirigida por Pablo Larraín, "Foragidos", e em uma trilogia de curtas, escritos e dirigidos por Galut Alarcón. Já filmamos um, chamado Anônimo. E como atriz, em dois filmes dos quais falarei em breve.

 

Fotos: filmes Segredos e Mudo Coração e cartaz de O Céu, a Terra e a Chuva.

 

Esta é a terceira temporada da peça apresentada pela Companhia de Arte Atores de Anga I Foto: Divulgação

 

O Santo Cupido procura desvendar a hipocrisia das diversas máscaras sociais

Quinta-feira, 01.04.2010

 

A Companhia de Arte Atores de Anga continua com a terceira temporada da peça O Santo Cupido, que é levado para o palco pela diretora Maithê Alves, com um texto de Paulo Moraes que faz parte da longa tradição da comédia de costumes no Brasil, mas com uma abordagem satírica permeada de alusões às divindades gregas e um espírito anticlerical somado à intenção de desvendar a hipocrisia atrás das máscaras sociais das personagens.

 

O espetáculo mostra uma pequena cidade no interior de São Paulo, em plena década de 30, que serve como cenário dos medos e inquietações que despertam os mais intensos sentidos revolucionários de uma sociedade individualista e ambiciosa. Os interesses pessoais parecem estar acima de qualquer significado espiritual e a chegada de dois farsantes termina sendo o estopim desses conflitos.

 

Utilizando as imagens de um padre e um seminarista, os dois forasteiros começam a despertar intrigas e velhas confrontações. Em pouco tempo, o último consegue ter todos aos seus pés, até mesmo figuras antes intocáveis, como o coronel que manda na cidade. Com sua esperteza, Eros transforma a vida de alguns moradores do local, para ensinar aos jovens truques e malícias de assuntos que eram considerados proibidos, com o fim de atingir seus objetivos pessoais.

 

O elenco da peça, anteriormente montada em 2007 e 2008, está integrado por Alex Homs, Cax Nofre, Cristiano Dramasi, Dani Abelin, Gabriela Portieri, Paulo Moraes, Rafael Hernandes e Ricardo Damaro. A proposta da companhia é desenvolver trabalhos inéditos, apostando principalmente em uma nova dramaturgia, escrita pelos própiros integrantes do grupo.

 

O Santo Cupido está em cartaz no Teatro Bella (antigo Teatro X, Rua Rui Barbosa, 399B, Bela Vista, São Paulo). O telefone para reservas é o 9402-8673 e o do teatro é 3283-2780. As apresentações se realizam aos sábados, às 20:00, e aos domingos, às 18:00. Os ingressos têm um custo de R$ 20,00.

 

A peça questiona como seria o comportamento de cada um se não existissem os outros I Foto: Adalberto Lima

 

Suspensão fala da necessidade vital das pessoas de ter a presença das outras

Sábado, 27.03.2010

 

A temporada do espetáculo Suspensão, da Trupe Acima do Bem e do Mal, de Ribeirão Preto, no Espaço dos Satyros 1, está próxima a ser concluida, restando a realização de apenas mais cinco apresentações na capital paulista, com sessões às sextas-feiras e sábados, até 10 de abril.

 

Dirigida por Mateus Barbassa e com texto de Lucas Arantes, a peça conta com as atuações de Fernanda Lins (Ela), Davi Tostes (Ele), Ademir Esteves (Avô), Maria Angélica Braga (Sidarta) e Lucas Chaves (Gregório), na pele de cinco indivíduos entediados e neuróticos. Numa época sem a delimitação do tempo, as pessoas deixaram de existir, restando apenas Ela, Ele e o Avô no mundo.

 

No prólogo, os personagens passam os dias procurando vida, mas não encontram ninguém por onde passam e, por consequência, essa procura deixa de fazer sentido. O que no começo era motivo de alegria vai se transformando logo em tédio, medo, neurose e desespero, devido à ausência do outro, da população, que até então existia e implicava significado par a vida de cada um deles.

 

Em suma, a peça questiona o que seria das pessoas sem a existência das outras, que dão sentido à vida. O espetáculo, que busca a reflexão do público sobre a importância dos outros e da sua influência sobre os nossos atos, vem recolhendo boas críticas desde sua estreia. Jefferson Del Rios, de O Estado de S. Paulo, afirmou que se trata de "um espetáculo original, de clima intenso", enquanto Marici Salomão (dramaturga e jurada do Prêmio Shell) considerou a montagem 'ousada' e o texto 'surpreendente'.

 

Serviço


Direção: Mateus Barbassa I Texto: Lucas Arantes I Produção: Trupe Acima do Bem e do Mal
Elenco: Fernanda Lins, Davi Tostes, Ademir Esteves, Maria Angélica Braga e Lucas Chaves
Quando: sextas e sábados, às 21:30
Onde: Espaço dos Satyros 1 I Praça Franklin Roosevelt, 214
Quanto: R$ 20,00; R$ 10,00 (estudantes, classe artística e terceira idade); R$ 5,00 (oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt)
Lotação: 70 lugares I Duração: 80 minutos I Classificação: 18 anos.

 

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O espetáculo apresenta nove personagens que sofrem de dupla personalidade I Imagem: detalhe do cartaz

 

Grupo Cortina da Alma apresenta peça que reflete sobre a emoção e a razão

Sexta-feira, 19.03.2010

 

A Companhia Cortina da Alma estreia neste sábado (20) a peça O Vermelho e o Negro, com direção de Egbert Mesquita e texto de Valdir Ferreira, inspirado em um livro de Stendhal e suas interpretações sobre a razão e a emoção.

 

Em um hospício do século XXI, pessoas comuns acreditam ser personagens históricos e literários. Todos sofrem de dupla personalidade e oscilam entre os extremos da razão e da emoção. Assim, Cléopatra, Dom Quixote, Dimitri Karamazov, Hamlet, Machado de Assis, Madame Currie, Julieta, um detetive e um psiquiatra compõem o curioso mosaico de personagens deste espetáculo.

 

Partindo da reflexão sobre a crise comportamental que vive a atual geração no mundo globalizado, onde o ter é mais significante que o ser, a peça resgata o núcleo mais inacessível da alma humana e aborda a crueldade de homens e mulheres com relação ao julgamento alheio. A doçura e o sofrimento fazem parte do universo dos personagens, oferecendo a oportunidade ao público de rever seus conceitos e procurando provocar nele conflitos e emoções variadas.

 

O texto segue a proposta da companhia, que tem como objetivo penetrar no centro de questões complexas de forma envolvente e didática, com o fim de promover o desenvolvimento do senso crítico, criar referenciais individuais para um bem coletivo e levar a sociedade a adquirir ações mais solidárias, segundo explica seu diretor. Além de ser professor de Educação Artística e Artes Cênicas e desenvolver projetos no teatro, Mesquita trabalha em uma ONG com foco em crianças e adolescentes.

 

Para a atriz Clarrissa Ferreira, o texto da peça e a direção de Eigbert proporcionaram ao elenco conhecer a razão e a emoção que habitam em cada um dos atores, e a partir disso acessar o núcleo mais profundo da personagem. "[Foi] um processo inteiro, difícil, frágil e ao mesmo tempo corajoso, onde todos nós resolvemos nos despir para resgatar sensações amortecidas pelo árduo cotidiano. Diante desse mundo individualizado, percebemos o quanto estávamos distantes da ternura, da consciência coletiva e de um olhar terno e doce com os que têm dificuldades imensas em articular de forma equilibrada a consciência e a sensibilidade", afirma.

 

A temporada de O Vermelho e o Negro, cujo elenco conta com Camila Smith, Clarissa Ferreira, Danilo Andrade, Débora Ferruço, Fabio Porto, Filipe Silveira, Matheus Toniazzi, Priscila Tessuto e Santiago Silva, se prolongará até maio, com apresentações todos os sábados. As sessões terão início às 19:00, no Hotel Cambridge, que está localizado na Rua Álvaro de Carvalho, 35, em São Paulo. Os telefones para contato e reservas são o (11) 3101-2537 e o (11) 3104-9397.

 

Peça leva aos palcos uma adaptação dos textos Querô, O Abajur Lilás e Navalha na Carne I Foto: Divulgação

 

Espetáculo baseado em três obras essenciais de Plínio Marcos reestreia hoje

Sábado, 13.03.2010

 

O Grupo Sombrero de Teatro e a Cooperativa Paulista de Teatro apresentam a partir deste sábado, 13, uma nova temporada do espetáculo Grito!, cujo texto é uma adaptação de três obras fundamentais de Plínio Marcos: Querô - Uma reportagem maldita, O Abajur Lilás e Navalha na Carne.

A peça, que ficará em cartaz até 13 de junho deste ano, na Oficina de Atores Nilton Travesso (Teatro Irene Ravache), é a terceira montagem do grupo, que antes apresentou o monólogo Lamento por Ignacio Sánchez Mejías (2007) — baseado em texto homônimo de Federico García Lorca —, e Homens de Papel (também em 2007), do próprio Plínio Marcos.

 

O espetáculo conta a história de Querô, um menor abandonado, que luta, a seu modo, para livrar-se de um destino de miséria e de injustiças. Constrói-se, então, um universo repleto de seres em busca de um pouco de afeto, amor, dignidade e até mesmo  humanidade, no qual muitas histórias de sofrimento apontam, livres de qualquer julgamento, as inúmeras facetas e potências do espírito humano, característica primordial da obra de um dos maiores dramaturgos brasileiros.

 

Nesta montagem, morte e vida, desespero e esperança, agressividade e delicadeza se tocam, comungam e caminham lado a lado, demonstrando que, por mais que a alma, uma e outra vez, tangencie um desses sentimentos, o ser humano é complexo, dono de desejos puros e espurcos; às vezes, incompreensíveis. Além do 'grito' de angústia e de liberdade social que se eleva das personagens, há o 'grito' íntimo, secreto, que identifica cada alma, numa anelante busca de si mesma.


Ficha Técnica
Textos: Plínio Marcos
Adaptação, Direção e Concepção Artística: Sérgio Milagre I Co-Direção: Zaqueu Machado  Assistência de Direção, Gestual e Corpo: Rico Malta I Supervisão Geral: Nilton Travesso  Preparação Corporal, Teatro-Dança Butoh: Sérgio Milagre

Preparação Vocal: Flávia Cruzatto I Produção Executiva: Laila Pas e Daniela Persan

Produção de Espetáculo: Daniela Gomes I Cenografia: Sérgio Milagre e Daniela Gomes

Figurinos: Daniela Gomes, Flávia Cruzatto, Aline Oliveira e Dorival Barreiros 

Visagismo e Maquiagem: Rogério Magalhães I Sonoplastia: Sérgio Milagre

Direção Musical: Ana Paula Ramos e Maria Fernanda Poli
Assessoria de Imprensa: Zaqueu Machado e Edson Lima (O Autor na Praça)

 

Elenco
Aline Oliveira I Andréa Brito I Bruna Brito I Cíntia Moreira I Daniela Gomes I Daniela Persan

Denise Jordão I Dorival Barreiros I Fernando Sahium I Flávia Cruzatto I Guilherme Nullius

Juh Victor I Laila Pas I Leonardo Bizerra I Lucas Faria I Maycon Cunha I Marcos Paschoal

Marcelo Vila'Nato I Marcelo Nascimento I Sérgio Mathias I Sérgio Milagre I Sergio Valentim

Vitor Schelp I Zaqueu Machado

Serviço
Oficina de Atores Nilton Travesso I Teatro Irene Ravache
R. Capote Valente, 667 I Pinheiros I Telefones: 3088-1258 / 3081-5493 I Página web
Dias e horários: sábados, às 21:00 e domingos, às 19:30

Temporada: de 13 de março a 13 de junho de 2010
Ingresso: R$ 30,00 I Desconto para 3ª idade e estudantes: 50% (meia) I Aceita cheque
Duração: 90 minutos I Faixa etária: 16 anos I Capacidade: 120 lugares
Estacionamento conveniado: Hotel Mercury (Rua Capote Valente, 500)

 

A Alma Boa de Setsuan é um dos espetáculos do evento teatral, que tem ingressos gratuitos I Foto: Divulgação

 

Festival Ibero-americano de Teatro de São Paulo começa hoje no Memorial

Segunda-feira, 08.03.2010

 

A terceira edição do Festival Ibero-americano de Teatro de São Paulo, organizado pela Fundação Memorial da América Latina, começa hoje e vai até o dia 14. Todos os quinze espetáculos principais têm entrada franca. Participam do Festibero montagens teatrais de Cuba, Portugal, Espanha, Brasil, Argentina, Peru, Uruguai, Colômbia e México. Confira as sinopses dos espetáculos.

 

Programação

 

8 de março - segunda-feira - Brasil
20:30 Abertura oficial - Auditório Simón Bolívar - sala 1
21:00 Monólogo "O Ator", de Chico Assis, com Lima Duarte, São Paulo, Brasil

Auditório Simón Bolívar - sala 1

21:30 "A Alma Boa de Setsuan", de Bertolt Brecht, direção de Marco Antonio Braz

com Denise Fraga, Brasil - Auditório Simón Bolívar - sala 1

 

9 de março - terça-feira - Uruguai e Argentina
19:00 "Rodando", de Alejandro Acobino e Germán Rodríguez, Cia. Rodando Teatro

Buenos Aires, Argentina - Auditório Simón Bolívar - sala 2

21:00 "Los Padres Terribles", de Jean Cocteua, direção Alberto Zimberg, Montevideo

Uruguai - Auditório Simón Bolívar - sala 1
 

10 de março - quarta-feira - Peru e Brasil
19:00 "As viúvas", de Arthur de Azevedo, Grupo Tapa, Brasil

Auditório Simón Bolívar - sala 2

21:00 "La importancia del abrazo", Cia. Komilfó Teatro, Lima, Peru

Auditório Simón Bolívar - sala 1
 

11 de março, quinta-feira - México e Colômbia
18:00 "Tom Pain", de Will Eno, Entre Piernas Produciones, Cidade do México, México

Praça da Sombra/Circo Tubinho

19:00 "Tu Ternura Molotov", de Gustavo Ott, Cia. Fundacion Teatro Nacional, Bogotá

Colômbia - Auditório Simón Bolívar - sala 2

21:00 "A Tempestade e os Mistérios da Ilha", de Shakespeare, Santa Estação Cia. de

Teatro, Porto Alegre, Brasil - Auditório Simón Bolívar - sala 1


12 de março - sexta-feira - Cuba e Brasil
19:00 "Sonho de uma noite de verão", de Shakespeare, Grupo Rotunda, Campinas, Brasil

Auditório Símón Bolívar - sala 2

21:00 "Final de Partida", de Samuel Beckett, Cia. Argos Teatro, Havana, Cuba

Auditório Simón Bolívar - sala 1
 

13 de março - sábado - Espanha e Brasil
17:00 Dez anos sem Plínio Marcos - Homenagem - tarde de autógrafo do livro "Bendito

Maldito-uma biografia de Plínio Marcos", de Oswaldo Mendes

18:00 "Balada de um Palhaço", de Plínio Marques, Cia. Arte & Fatos, Goiás, Brasil

Praça da Sombra/Circo do Tubinho

19:00 "As Troianas Vozes da Guerra", inspirada em Eurípedes, Cia. Núcleo Experimental

São Paulo, Brasil - Auditório Simón Bolívar

21:00 "Gris Mate", Inãki Rikarte, Cia. Katu Beltz, Países Bascos, Espanha

Auditório Simón Bolívar
 

14 de março - domingo - encerramento - Portugal e Brasil
19:00 "Homem das Cavernas", São Paulo, Brasil - Auditório Simón Bolívar
21:00 "Lost in Space", |Inspirado em "Alto Mar", de Slawomir Mrozek

Cia. Kind of Black Box, Lisboa, Portugal - Auditório Simón Bolívar

 

O filme de Juan José Campanella fez história e obteve o cobiçado prêmio em Los Angeles I Foto: Divulgação

 

El Secreto de Sus Ojos ganha o Oscar de melhor filme em língua estrangeira

Segunda-feira, 08.03.2010 I Esta matéria em espanhol

 

O cinema argentino chegou lá outra vez. Se antes a cinematografia latino-americana contava com apenas uma estatueta do Oscar na categoria de melhor filme em idioma estrangeiro, graças ao triunfo em 1985 de La Historia Oficial (A História Oficial), de Luis Puenzo, agora já são dois prêmios para contar e somar. El Secreto de Sus Ojos (O Segredo dos Seus Olhos) acaba de ser anunciada com a vencedora, surpreendendo a crítica especializada, que considerava o longa germano-autríaco A Fita Branca como o favorito.

 

O filme do realizador Juan José Campanella, que foi o encarregado de subir ao palco para receber o troféu, recebeu desde sua estreia um aluvião de críticas favoráveis e apoio do público, que reconheceu os muitos méritos desta produção, protagonizada por Ricardo Darín e Soledad Villamil. Junto a eles, Pablo Rago, Guillermo Francella e Javier Godino compõem um sólido elenco que dá muita solvência ao longa-metragem.

 

Campanella, que tem vasta trajetória como diretor de cinema e também de séries nos Estados Unidos, já havia conquistado uma indicação ao Oscar anteriormente, com El Hijo de la Novia (O Filho da Noiva), em 2002. Na ocasión, o filme ficou entre os cinco finalistas mas não obteve o prêmio, de tal maneira que tiveram que passar oito anos para que o realizador portenho fosse pela sua revanche.

 

Esplendidamente filmada, El Secreto de Sus Ojos conta com uma história ambientada em duas épocas: o presente, no fim dos anos 90, quando Benjamín Espósito (Darín), um ex-oficial de justiça, retorna a Buenos Aires para reconstituir o passado e assim escrever sua novela; e os anos 70, quando o estupro e assassinato de uma jovem professora (interpretada por Carla Quevedo) muda o rumo de sua vida e o obriga a se distanciar de Irene (Villamil), por quem nutre uma paixão correspondida mas jamais concretizada.

 

Entre as várias cenas de destaque do filme uma deverá ser especialmente lembrada durante muito tempo. Um plano sequência de cinco minutos no qual se mostra uma tomada aérea do estádio do clube Huracán durante um jogo contra o Racing. Depois a câmera se aproxima aos jogadores e em seguida se posta no meio da torcida da Academia, concluindo com uma feroz perseguição, tudo isto realizado sem cortes.


Com o triunfo, o cinema argentino ratifica o grande momento pelo qual atravessa há anos, com incontáveis prêmios ganhos ao redor do mundo e grande reputação adquirida em festivais e entre seu próprio público. Darín demonstra uma vez mais que é o ator de maior prestígio hoje em seu país e Francella anota um enorme ponto na carreira com sua soberba interpretação, mérito próprio e também do diretor que o escolheu. Em resumo, um filme que já entrou para a história grande do cinema latino-americano.

 

Ricardo Darín e Magaly Solier protagonizam longas latino-americanos indicados para o Oscar I Fotos: Divulgação

 

Filmes de Argentina e Peru competem esta noite por consagração no Oscar

Domingo, 07.03.2010 I Esta matéria em espanhol

 

Esta noite, quando se realize a entrega do Oscar, em Los Angeles (Estados Unidos), dois países latino-americanos viverão a expectativa de ter filmes locais premiados como melhor longa em língua estrangeira: a Argentina, com El Secreto de Sus Ojos (O Segredo dos Seus Olhos), de Juan José Campanella, e o Peru, com La Teta Asustada (A Teta Assustada), de Claudia Llosa.

 

No caso da Argentina, não seria a primeira vez que um longa-metragem desse país recebe a disputada distinção, uma vez que La Historia Oficial (A História Oficial), de Luis Puenzo, foi o único filme latino-americano até hoje a receber a estatueta, em 1985. Mais recentemente, El Hijo de la Novia (O Filho da Noiva), também de Campanella, esteve entre as cinco nominadas (2002), mas não terminou como vencedora.

 

El Secreto de sus Ojos tem nos papéis protagônicos os celebrados Ricardo Darín e Soledad Villamil [que já trabalharam juntos em outro longa do diretor, El Mismo Sol, La Misma Lluvia (O Mesmo Sol, A Mesma Chuva)], ao lado de um excelente reparto composto principalmente por Pablo Rago, Javier Godino e um irreconhecível e extraordinário Guillermo Francella, com um personagem muito distante ao que está acostumado a mostrar nas telas.

 

A trama apresenta um ex-oficial que retorna a Buenos Aires para reconstituir um crime ocorrido há 25 anos — o estupro e assassinato de uma jovem professora (Carla Quevedo) —, e assim também escrever um livro sobre os feitos, que incluem uma relação de amor jamais concretizada com sua chefe, a quem volta a encontrar. Além do grande elenco, o inegável talento de Campanella e um roteiro muito bem elaborado, o filme tem um dos mais impressionantes planos-sequência que se tenham filmado: uma cena magistral de cinco minutos que começa com a tomada aérea de um estádio onde se joga um Huracán-Racing e termina com uma incessante perseguição.

 

Por outro lado, o longa-metragem de Claudia Llosa é o primeiro da história do cinema peruano que consegue se instalar entre os finalistas. No entanto, o filme chega com o antecedente de ter ganho o Urso de Ouro no ano passado en Berlim, um reconhecimiento até então inédito para a filmografia local.

 

Tal como havia ocorrido em Madeinusa — a prometedora estreia da realizadora, que mora atualmente na Espanha e é sobrinha do escritor Mario Vargas Llosa —, o papel protagônico de La Teta Asustada fica a cargo da cativante Magaly Solier, que a esta altura é uma espécie de heroína muito querida em seu país, especialmente depois de seu discurso em Berlim, quando inclusive interpretou uma canção em quechua, idioma de origem indígena que é uma das línguas oficiais do Peru.

 

Uma das principais críticas ao segundo longa da diretora limenha é seu ritmo lento, característica difícil de cair no gosto das grandes audiências e que merece em alguns casos resenhas pouco favoráveis. Não obstante, desde que estreou, o filme vem fazendo um irretócavel caminho por festivais, acumulando conquistas em lugares como Guadalajara, Havana e Montreal. Uma improvável vitória hoje a converteria certamente na obra mais importante do cinema local e abriria mercado para um país ainda com pouca tradição nestes eventos, mas que conta com uma geração jovem que há algunos anos está conseguindo mudar esse panorama.

 

Ainda que o feito de ter dois títulos entre os indicados já significa um importante marco para o cinema do continente, é de consenso geral que será difícil trazer a estatueta para a América Latina, devido à forte seleção deste ano, que conta também com a israelita Ajami (de Scandar Copti e Yaron Shani), a francesa Un Prophéte (de Jacques Audiard) e a germano-austríaca Das Weisse Band (de Michael Hanneke).

 

Comédia de Cesar Ribeiro entra em cartaz em temporada que se prolongará até maio I Foto: Nelson Kao

 

O grupo Garagem 21 faz estreia livre de Fodorovska nesta quinta-feira em SP

Quarta-feira, 03.03.2010

 

Depois de apresentar as peças Sessenta Minutos Para o Fim e Somente os Uísques São Felizes, o grupo Garagem 21 realiza a estreia free do espetáculo Fodorovska (ver cartaz), que acontece nesta quinta-feira, 4 de março, às 22h30, no Espaço dos Satyros 2, na capital paulista.

 

A peça, cujo texto e direção são de Cesar Ribeiro, estará em cartaz até 27 de maio, todas as quintas-feira. Utilizando a linguagem de HQs e desenhos adultos, mesclando referências que vão de Foucault a South Park, esta comédia narra a história da Fábrica de Supositórios Brasil, que para comemorar seus 250 anos organiza uma festa de final de ano cuja atração principal é uma peça em que um homem passa seus últimos momentos cercado por personagens como uma mulher que só dorme, um coelho escritor e a estrela pop do Quirguistão Sonja Fodorovska.

 

No elenco, estão os atores Paulo Campos (Homem), Bira Honoratto (Enfermeiro 1), Sergio Silva Coelho (Enfermeiro 2/Sonja Fodorovska), Priscilla Maia (Velha 1/Cego)), Keli Viacelli (Velha 2/Cego), Nath Calan (Sono) e Ruth Souza (Coelho). Já a trilha sonora, escolhida pelo próprio diretor e autor do texto, conta com músicas de Rammstein, Dead Kennedys, Leonard Cohen e The Stooges.

Equipe
Texto, direção e trilha sonora: Cesar Ribeiro

Iluminação: Fábio Cabral, Cesar Ribeiro I Design gráfico: Daniel Lemos
Colaboradores: Bruno Gambarotto, Kenn Yokoi, Ulisses Sakurai
Fotos e filmagem: Nelson Kao I Assessoria de imprensa: Renata Lopes
Assistente de produção: Sergio Silva Coelho I Produção: Guto Mendonça
Realização: Garagem 21

Serviço
Temporada: de 4 de março a 27 maio de 2010 I Dias e horários: quintas-feiras, às 22h30
Gênero: comédia I Duração: 60 minutos I Censura: 12 anos I Lotação: 60 lugares

Ingressos: R$ 20 (classe e estudantes pagam R$ 10)

A bilheteria abre sempre 1h antes de cada sessão
Local: Espaço dos Satyros 2 (São Paulo) I Praça Roosevelt 134 I Telefone: 3258-6345

Lista Camarada e preço promocional para grupos

Aqueles que não puderem ir à estreia free e não forem da classe artística nem estudantes, podem enviar um e-mail com seu nome e o de seus convidados e o correio eletrônico de cada um deles solicitando sua inclusão na Lista Camarada. Com o nome na lista, válida para toda a temporada, cada pessoa paga apenas R$ 10. Já os grupos que estejam compostos por 20 pessoas ou mais contarão com ingressos individuais a R$ 5, bastando para isso entrar em contato através de e-mail também.  

 

Peça de Anderson Oliveira estreia no Rio com a promessa de 'matar o público de tanto rir' I Foto: Divulgação

Comédia faz reflexão bem humorada sobre os medos e mistérios da morte

Quarta-feira, 03.03.2010

 

Estreia nesta sexta-feira no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, a comédia A Morte Bate à sua Porta (ver cartaz), escrita e dirigida por Anderson Oliveira, que faz uma reflexão bem humorada sobre os medos e mistérios que envolvem a morte.

 

A montagem apresenta conflitos atuais e utiliza personagens bastante comuns para fortalecer a ideia de que se trata de um espetáculo com fácil identificação do público. A história começa quando o arquiteto e vítima Paulo (André Teixeira) recebe a visita da Morte (Anderson Oliveira) e descobre que está vivendo seus últimos instantes. Ele tenta de todas as formas convencê-la de que precisa de mais tempo, e mais tarde a histérica Julia (Talita Monteiro) e o oportunista Max (Fred Trotta) entram também em cena.

 

O texto é levemente inspirado no filme O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman. No espetáculo de Oliveira, a Morte aceita jogar uma partida, mas não parece disposta a deixar o protagonista burlar sua missão. Nenhum dos jogadores contava com a visita do primo sacana de Paulo, Max, e da histérica Julia, namorada da vítima, dois personagens tão ou mais excêntricos do que a própria Morte, e que também entram no jogo. O humor é o ingrediente principal desta comédia, que é a segunda escrita por Oliveira — a primeira foi Até Que a Sogra Nos Separe, apresentada anteriormente com sucesso na capital carioca.
 

A temporada se prolongará até 25 de abril, com apresentações às sextas e sábados (21:30) e aos domingos (20:30). Não recomendada para menores de 14 anos, a peça tem ingressos a R$ 40,00 e R$ 30,00 (inteira) e R$ 20,00 e R$ 15,00 (meia), de acordo com o dia da sessão. O Teatro Ipanema está localizado na Rua Prudente de Morais, 824, Ipanema; o telefone para informações é o 2523-9794.


Ficha Técnica

Texto e Direção: Anderson Oliveira

Elenco: Anderson Oliveira, André Teixeira, Fred Trotta e Talita Monteiro
Produção executiva: Alexandre Meirelles I Produção: R&A Produções
Assistência de produção e Administração: Ronize Carrilho
Assessoria de imprensa: Tatiana Pereira I Iluminação: Ricardo Grings
Cenários: Fabiano Rocha I Figurinos: Fernanda Zau
Trilha sonora: Felipe Nogueira I Fotografias: Júlio Teixeira

Serviço

Local: Teatro Ipanema I Rua Prudente de Moraes, 824 I Ipanema I Rio de Janeiro
Estreia: 05 de março I Término: 25 de abril
Horários: sextas e sábados, às 21:30; e domingos, às 20:30
Preços aos sábados e domingos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)

Preços às sextas-feiras: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia)
Classificação: maiores de 14 anos

 

 

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www.aldeiacultural.com