arquivo de notícias maio / junho 2010

 

O universo do dramaturgo espanhol é levado ao palco nesta nova montagem do Teatro Kaus I Foto: Divulgação

 

O Grande Cerimonial apresenta um Casanova às avessas em texto de Arrabal

Quarta-feira, 23.06.2010

 

A peça O Grande Cerimonial, do dramaturgo espanhol Fernando Arrabal, está em cartaz todas as quartas e quintas-feiras em São Paulo, para contar a história de Cavanosa e suas relações contraditórias com sua mãe, mulheres e bonecas, em uma montagem do Teatro Kaus dirigida por Reginaldo Nascimento.

 

Cavanosa na verdade é um Casanova às avessas que todas as noites seduz uma mulher e a leva a seu quarto, onde estabelece um rito tresloucado de amor, que não passa de um projeto, uma fantasia extraída de seus sonhos. O texto, inédito, é levado ao palco com as atuações de Alessandro Hernandez, Amália Pereira, Deborah Scavone e Alessandro Hanel, que exploram o trabalho corporal, empregando grande força física e emocional na montagem.

 

A peça traz para cena o mundo claustrofóbico do autor e estabelece um jogo permanente entre o belo e o grotesco, a vida e a morte, o sonho e a realidade, a fantasia e os pesadelos, de cinco personagens: além de Cavanosa, se encontram a mãe, Sil, o amante e Lis. "Revelamos na montagem um pouco do universo de Arrabal, vestido com as cores da ciência, da filosofia, da rebelião, do humor, do sofrimento, do amor e da imaginação sem limites", afirma Nascimento.

 

Na concepção da montagem, o grupo optou por uma linguagem híbrida que transita com o absurdo, o surrealismo e o expressionismo. "Busquei construir interpretações fortes, trabalhadas numa partitura física que apresenta uma gestualidade bem definida para ampliar as possibilidades de comunicação num espetáculo onde o não olhar amplia a capacidade de ver de fato quem somos e para onde vamos", conta o diretor.

 

O Teatro Kaus Cia Experimental foi criado em 1998 por Nascimento (que além de diretor é também ator) e pela atriz e jornalista Amália Pereira, para dar continuidade aos estudos e pesquisas sobre a dramaturgia nacional, que tiveram início dois anos antes, em São José dos Campos. Depois de realizar o projeto Brasil em Cena, uma Trilogia do Teatro Nacional, com a montagem dos textos O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna, O Cocô do Cavalo do Bandido, de Chico de Assis, e Oração Para Um Pé de Chinelo, de Plínio Marcos, o grupo se estabeleceu definitivamente na capital paulista.

 

Serviço

 

Direção: Reginaldo Nascimento I Texto: Fernando Arrabal

Elenco: Alessandro Hernandez, Amália Pereira, Deborah Scavone e Alessandro Hanel

Temporada: até 1 de julho, quartas e quintas-feiras, às 21:00

Duração: 100 minutos I Recomendação: 14 anos

Local: Teatro Augusta - Sala Experimental I Capacidade: 50 lugares

Endereço: Rua Augusta, 943, Cerqueira César I Telefone: 3151-4141

Ingressos: R$ 30,00 e R$ 15 (estudantes, maiores de 60 anos e classe teatral)

 

Marins atua ao lado de Jannete Tomiita em uma cena em que ela sai de dentro de um porco I Foto: Divulgação

 

Demônios e Maravilhas: o estranho mundo de José Mojica Marins I Parte 2 de 5

Quinta-feira, 17.06.2010 I Autor: Jorge A. Grajales I Tradução: Sergio Palacios

Originalmente publicado na revista Cinefagia, entre 18.09.2003 e 16.10.2003

Esta matéria em espanhol

O episódio com o vendedor de batatas não seria a única vez em que Marins teria aproximações com o mundo dos mortos. Anos mais tarde, aos quinze, quando passeava com um amigo seu, sua bicicleta se decompôs na frente do cemitério e, com horror, ambos viram como varias luzes resplandescentes se alçavam sobre as tumbas dos mortos. Este é um fenômeno conhecido como fogo fátuo, mas para os impressionáveis meninos eram as almas dos mortos que estabam dispostos a invadir o mundo. Dadas estas experiências e vivendo em um país impregnado com magia e misticismo, resultado da mistura de grupos raciais e religiosos, não é de estranhar que os filmes de José Mojica Marins, especialmente seus filmes de terror, reflitam um singular e rico folclore que não se parece a nada que se tenha filmado no país.

Ao fazer dez anos de idade, Mojica Marins pediu de presente uma câmera de 8 mm e com ela se preparou para dirigir seu primeiro filme, chamado O Juízo Final. Influenciado pelos quadrinhos de "Buck Rogers", "Flash Gordon" e outros títulos de ficção científica, assim como pelos sermões sobre o juízo final que escutava na igreja, este filme narrava como seres de outros planetas chegavam à Terra em féretros voadores para levar aqueles que eram bons, enquantos as pessoas más eram paralisadas e transformadas em vermes.

Assombrado pelas ideias do filho, o pai de Mojica Marins convidou vários de seus amigos, incluindo o sacerdote local, para a exibição do filme. Terminada a sessão, o padre recomendou tratamento psiquiátrico para o garoto e decidiu expulsá-lo das aulas dramáticas da igreja. Este seria o primeiro de vários incidentes que Marins teria com a Igreja. Mas o pequeno Mojica não desanimaria. Pelo contrário, já que continuou filmando uma grande quantidade de curtas em 16 mm, a maioria deles com temáticas de horror (alguns dos quais voltaria a filmar para a serie de televisão "Além, Muito Além do Além") e alguns outros que em certa medida retratavam a cotidianeidade e realidade de seu povo de classe operária, como Os Lugares Por Onde Eu Passei (sua segunda aventura fílmica, com duração de 20 minutos, que capturava em celuloide lugares e amigos de Vila Anastácio), Fantasia Cinematográfica (um breve documentário de 15 minutos que explora a magia do cinema a través das salas de exibição da Boca do Lixo) e Greve dos Vagabundos (sobre os mendigos que vão parar no palco de um importante evento cultural e que aproveitam a ocasião para pedir ao povo que dê oportunidades de trabalho aos mendigos, afirmando que a falta de cultura não é um defeito).

Estas aventuras fílmicas haviam preparado o ainda jovem Mojica a se lançar à direção de seu primeiro longa em 35 mm. Titulado Sentença de Deus, o projeto ficou inacabado devido a uma série de desgraças: a atriz principal se afogou em uma piscina, sua substituta morreu de tuberculose durante as filmagens, e uma terceira foi atropelada e perdeu uma perna. Mojica decidiu cancelar a produção definitivamente. Anos mais tarde conheceu uma escritora, Aldenoura de Sá Porto, e juntos converteram o roteiro em uma novela, que era vendida em espetáculos circenses onde se projetavam as cenas que chegaram a ser filmadas.

Seu seguinte projeto, No Auge do Desespero, foi também atingido pela desgraça; a filmagem teve que ser interrompida quando uma tempestade destruiu todo seu equipamento, incluindo a câmera. Seria apenas em 1959, quando contava com 23 anos de idade, que Marins realizaria seu primeiro longa-metragem completo: A Sina do Aventureiro, o primeiro faroeste brasileiro e o primeiro filme realizado em Cinemascope nesse país. O longa foi visto pela Igreja como um ataque a moral devido a uma cena em que duas mulheres eram vistas nuas (em uma distância de 100 metros da câmera) tomando banho em uma cascada, e foi aí que iniciou-se uma campanha para proibi-la, especialmente nas menores cidades do Brasil, onde a Igreja tinha mais poder.

Para não ter mais problemas com a Igreja, Marins decidiu fazer um filme que fosse do agrado desta. O resultado foi Meu Destino em Tuas Mãos, uma história sobre jovens perdidos que voltam ao caminho do bem graças a um sacerdorte. O filme foi um verdadeiro fracasso e seus produtores perderam dinheiro. Seu seguinte projeto, Geração Maldita, atravessava vários problemas de produção que desanimavam Mojica. Na noite do dia 15 de outubro de 1963, preocupado por todos esses problemas financeiros, agravados pelas dívidas geradas por publicar uma série de fotonovelas, que o haviam deixado em bancarrota e obrigado a se mudar com a família da sua esposa, Mojica teve um pesadelo. Ou uma visão. Nela, uma figura sem rosto e vestida completamente de preto o arrastava até uma caverna, onde contemplou uma gigantesca lápide com seu nome gravado nela, assim como a data de seu nascimento e a de sua morte, que se recusou a ver. Foi então que viu o rosto dessa sinistra figura de preto que não parava de rir de forma macabra e percebeu que era ele mesmo. A experiência o impressionou tanto que quando acordou já tinha a ideia e o título para um novo filme, e a trama e o personagem principal gravados em sua mente. Abandonando completamente o projeto de Geração Maldita, Marins se dedicou a reunir os fundos necessários para filmar À Meia-Noite Levarei Sua Alma, filme que teria sua estreia em 9 de novembro de 1964.

O filme em preto e branco se concentra em Zé do Caixão, o dono de uma funerária de um vilarejo pobre, conservador e profundamente católico. Em total contraste a eles, Zé é um homem abertamente ateu e blasfemo sem nenhum sentido da moral e ética que não seja a sua própria, e que desfruta de provocar a comunidade. Vestido sempre de preto e com unhas bastante longas, Zé está obcecado em ter um filho que continue seu legado e sua maneira de pensar. Infelizmente, Lenita
sua esposa não pode tê-los, então Zé presta atenção em Terezinha, que tem todos as condições para ser a mulher ideal que possa ter um filho seu. Mas ela é a noiva de Antônio, o único amigo verdadeiro de Zé. Isto não é algo que o detenha, de tal forma que depois de urdir um plano no qual assassina Lenita e Antônio, fica com o caminho livre para se aproximar de Terezinha. Ao resistir às investidas de Zé, a moça é estuprada por ele e se suicida, mas não sem antes amaldiçoá-lo e prometer arrastar sua alma ao inferno. Desiludido por sua morte, Zé continua buscando a mulher ideal que dê a luz ao seu filho. Esta aparece a véspera do Dia dos Mortos na forma de uma jovem e atraernte visitante que, assim como ele, tem uma visão ateia do mundo. Sem perder tempo, Zé se oferece para acompanhá-la a casa da tia a quem visita, localizada perto do cemitério local. No caminho eles se cruzam com uma velha bruxa, que adverte Zé que à meia-noite a maldição de Terezinha será cumprida…

Filmada em um pequeno set durante duas semanas, À Meia-Noite... se tornou um filme atípico no Brasil por várias razões. Não apenas é o primeiro filme de terror realizado na região, mas também uma com visão muito pessoal e atitude profundamente sacrílega carregada de imagens bastante explícitas e atrevidas para a época. E ainda que Marins não mostre grandes virtudes técnicas, o filme conta com momentos bem resolvidos, especialmente as cenas finais no cemitério e a procissão de mortos filmada em negativo. Outro ponto a seu favor é a atmosfera gerada ao longo de todo o filme e seus evocativos créditos iniciais, nos quais Zé do Caixão aparece recitando um monólogo sobre a vida, a morte e a religião, para depois abrir passo à velha cigana fazendo um sinal de advertência ao público sobre a natureza do filme, muito similar às introduções do Guardião da Cripta ou da Velha Bruxa nas histórias dos títulos de terror dos gibis como "Tales from the Crypt" ou "The Vault of Horror", que sem dúvida foram uma influência para Mojica Marins.

Apesar de suas atemorizantes cenas sem precedentes de sexo, violência e sadismo, o aspecto mais perturbador de todo o filme está na figura de Zé do Caixão, um vilão que
ainda que pareça contraditório é honesto e direto, crente de tudo o que diz e faz. De certa forma, é como o Zaratustra de Nietzsche: um homem além do bem e do mal, que acredita nos fatos e nas ações. Um verdadeiro existencialista. Zé sustenta que o propósito da vida é vivê-la, enquanto os habitantes da cidade vivem prisioneiros de suas próprias superstições e medos. Assim como a filosofia satanista proposta por Anton La Vey, se veste completamente de preto e protege as crianças, luta pela inocência e pureza, buscando sempre o filho perfeito através da mulher superior. E, no final das contas, quer fazer do mundo um lugar mais pacífico para morar, sendo sua filosofia não se importar que cem pessoas morram se um milhão estão seguras.

Talvez por isso Mojica não encontrou ninguém que quisesse encarnar o personagem e o terminou interpretando. Tomando de improviso a capa negra do cuidador do 'estudio' que estava envolvido com cerimônias de candomblé e aproveitando as unhas longas de seus polegares que havia deixado crescer desde que era criança, Mojica deu vida a Zé do Caixão, a quem complementou com uma cartola e um medalhão. Seria a solução mais simples que Mojica teria para esta produção cheia de problemas financeiros e na qual tudo parecia conspirar contra si: os atores se recusavam a trabalhar com as aranhas caranguejeiras e os técnicos diziam que era impossível construir o cenário em um estúdio tão pequeno. E quando não eram os criadores, era a polícia, que chegava atendendo as queixas dos vizinhos. Para terminar as filmagens, Mojica não teve mais remédio que vender tudo o que possuía: roupa, móveis, quadros, o carro da família e sua casa, pelo qual sua esposa teve que voltar a morar de novo na casa dos seus pais. E para finalizar, no último dia da produção, quando Mojica não dispunha mais de recursos para continuar, os atores não quiseram trabalhar devido ao tempo ruim. O diretor se enfureceu e os obrigou a terminar na mira de um revólver, o mesmo que utilizava no longa.

Mesmo com a censura de várias cenas exercida em algumas cidades pequenas, o filme se tornou um sucesso. Lamentavelmente, Marins nunca viu um centavo desse dinheiro, já que para terminar de pagar suas dívidas e levar comida para sua família, teve que vender todos os direitos do longa. Ao longo da sua vida, Marins se encontraria em situações similares, graças a sua obsessão em fazer cinema.

 

José Mojica Marins personifica o personagem Zé do Caixão no filme Encarnação do Demônio I Foto: screenshot

 

Demônios e Maravilhas: o estranho mundo de José Mojica Marins I Parte 1 de 5

Quinta-feira, 03.06.2010 I Autor: Jorge A. Grajales I Tradução: Sergio Palacios

Originalmente publicado na revista Cinefagia, entre 18.09.2003 e 16.10.2003

Esta matéria em espanhol

Se existe, é porque há uma razão para que exista. (Finis Hominis)

Brasil, 1964. Um golpe militar derrubou o governo tornando o clima cultural da região perigoso e gélido graças à censura e a repressão. Entretanto, nas ruas de São Paulo gestava-se um movimento cinematográfico underground que, tomando seu nome emprestado da Boca do Lixo paulistana, se conheceria como cinema do lixo. Conformada por intelectuais de esquerda e cineastas pertencentes ao pós-cinema novo, a proposta do cinema do lixo era ir contra as crescentes produções refinadas do cinema novo, colocando em seu lugar uma forma de fazer cinema que fosse barata, crua e provocante.

Contudo, alguns anos antes, um cineasta brasileiro já vinha realizando esse tipo de filmes: José Mojica Marins, o homem que praticamente foi o criador do cinema de horror no Brasil, artífice do personagem cinematográfico mais famoso dessa região, um coveiro ateísta chamado Zé do Caixão, que se tornaria um verdadeiro ícone da cultura popular brasileira. Descrito como uma mescla de Russ Meyer, Luis Buñuel e Mario Bava, o cinema de José Mojica Marins é muito estranho, mistura de surrealismo e expressionismo, nihilismo nietzcheano e culpa cristã, horror gótico e primitivismo terceiro-mundista. Mas se seu cinema ultrapassa os limites do estranho, sua vida o faz ainda mais.

Quando tinha três anos foi sequestrado por um grupo de ciganos. Aos 10, foi expulso da escola católica por filmar um curta em 8 mm no qual os bons eram levados ao céu em um caixão voador e os maus eram transformados em vermes. Antes de fazer 15 anos, Marins já tinha filmado 20 curtas e fundado seu próprio 'estúdio' em um galinheiro. Aos 17, teve que interromper seu primeiro longa devido às trágicas mortes de três atrizes que iriam interpretar o papel principal.

Durante a década de 60 dirigiu cinco das maiores bilheterias do país (e das quais não viu nenhum centavo), teve seus próprios programas de TV, quadrinhos, e gravou alguns discos relacionados com o personagem Zé do Caixão, do qual teve também produtos que iam desde aguardente até desodorantes ("Desodorantes Mistério: espanta qualquer odor"). Dirigiu faroestes, comédias musicais e pornochanchadas, gênero no qual teve a distinção de filmar a primeira cena entre uma mulher e um cachorro no Brasil. Passou um tempo na prisão, se candidatou ao Congresso como deputado, fundou sua própria igreja e sua escola de cinema e teve 23 filhos com sete mulheres diferentes. José Mojica Marins foi também o cineasta mais censurado e perseguido da história do Brasil e o único realmente independente em seu país.

Filho de pais espanhóis, José Mojica Marins nasceu em 1936 depois de uma gestação de onze meses, atraso ocasionado por uma condição irregular na barriga da sua mãe. Sendo seu pai toureiro e sua mãe cantora de tangos, a família vivia percorrendo várias cidades do Brasil, até que o roubo de seu filho por ciganos os levou a abandonar a vida errante e se assentar definitivamente no bairro de Vila Anastácio, em São Paulo. Ali, depois que a sociedade protetora de animais conseguiu que a festa fosse proibida no país, dedicaram todo seu tempo a administrar o cinema do bairro, chamado Santo Estêvão, que pertencia a um primo do Sr. Mojica, e para cujo fim tiveram que ir morar nele, atrás da tela de projeção. Foi lá onde, com pouca idade, Mojica Marins se interessaria pelas imagens em movimento.

Com a idade de 7 anos, Mojica começou a nutrir forte interesse nos quadrinhos (chegou a ter uma das maiores coleções dessa região) e nos fenônemos sobrenaturais, especialmente com aqueles relacionados à morte, graças a um acontecimento que o marcou para a vida toda. Conta ele que perto de onde morava havia uma quitanda de batatas cujo dono sempre contava relatos sobre a morte, sobre como as pessoas depois de morrer iam ao céu, onde havia muitos animais e aquelas podiam se comunicar com estes. Um dia, esse senhor morreu e toda a cidade foi ao funeral. Inconsolável, a viúva chorava e gemia dizendo que só os bons morriam enquanto os maus continuavam vivos. Seus filhos sugeriram então que todos rezassem para que seu pai voltasse, coisa que todos fizeram, inclusive o próprio Marins e três de seus amigos. Grande seria a surpresa para todos quando, durante suas orações, o corpo dentro do caixão começou a se mexer. Como se nada tivesse acontecido, o homem se levantou do féretro, ainda com o algodão na boca e nas fossas nasais, ao tempo em que todos os presentes fugiam, incluindo a esposa, a mãe, os filhos e o sacerdote. No lugar apenas permaneceram Mojica e seus três amigos, curiosos por saber o que havia ocorrido. Obviamente o homem não estava morto, mas sofria de catalepsia, algo que na época era totalmente desconhecido na região. No final, a esposa abandonou o homem, alegando que este não era seu marido, senão o mesmo demônio que havia se apossado dele. Ninguém mais retornou à quitanda para comprar batatas e ele teve que ir morar em outra cidade, mas os rumores acompanharam o comerciante e este acabou sendo enviado a um manicômio, onde morreu dois anos depois. Tais eventos marcariam Mojica para sempre.

 

Pornô de Autor é uma comédia onde a tensão sexual aparece entre um grupo de amigos I Foto: Divulgação

 

Começa na Argentina nova edição do festival de diversidade sexual e gênero

Quinta-feira, 20.05.2010 I Esta matéria em espanhol

 

Terá início hoje em Buenos Aires a terceira edição do Libercine — Festival Internacional de Cinema Sobre Diversidade Sexual e Gênero (ver cartaz), que se prolongará até o dia 26 na capital argentina, para em seguida ter lugar em La Plata, de 28 a 30 deste mês, com a proposta de se somar à reflexão a respeito da produção cinematográfica, razão pela qual terá mesas de debate, além de duas mostras fotográficas.

 

A programação de filmes está composta pela seção competitiva, longas e curtas fora de competição e apresentações especiais. Na disputa pelos prêmios na categoria de longa e média-metragem, se encontram as ficções Plano B e Pornô de Autor e os documentários Ocaña - A Memória do Sol, Princesa da África, Rosa Pátria, Santas Putas e Senhorita Sol. A sede bonaerense é o Espaço Incaa Km 0, Cinema Gaumont (Av. Rivadavia, 1635), enquanto a platense é o Espaço Incaa Km 60 (Passagem Dardo Rocha, rua 50, entre 6 e 7).

 

Longas e médias-metragens finalistas

 

Plano B
Origem: Argentina I Duração: 105 min.

Gênero: Ficção I Diretor: Marco Berger
Sinopse. Bruno sofre o abandono da sua noiva; atrás do seu rosto calmo e displiscente, sua mente planeja uma vingança fria e doce. Ela, moderna, o continua vendo de vez em quando, mas tem outro namorado, Pablo. Então Bruno se torna amigo de Pablo com a ideia de fazer a relação ruir, talvez apresentando a ele uma outra mulher. Mas no caminho surge a possibilidade de um plano B, mais eficiente ainda, que colocará em dúvida sua própria sexualidade.

 

Pornô de Autor
Origem: Argentina I Duração: 85 min. I Gênero: Ficção I Diretor: Marcelo Mónaco
Sinopse. Um grupo de amigos se reúne na casa de um deles na prévia de uma festa de disfarces em que a consigna é: "os homens se vestem de mulheres e as mulheres de homens". Durante essa prévia o dono da casa mostra a seus amigos seu primeiro curta, Pornô de Autor, uma história sobre dois adolescentes e a relação de um deles com o irmão maior do outro. O conceito do curta acaba se transferindo, inevitavelmente, ao grupo de amigos.

 

Ocaña, A Memória do Sol
Origem: Espanha I Duração: 90 min. I Gênero: Documentário

Diretores: Juan José Moreno e Manuel Huete
Sinopse. Ocaña, símbolo da contracultura na Espanha dos anos setenta, volta através de depoimentos, fotografias e imagens inéditas do artista, que representa a explosão artística e festiva que coincidiu com os anos finais da ditadura de Franco. O documentário, resultado de dois anos de trabalho, aborda todas as facetas de José Pérez Ocaña: sua provocação, sua festa permanente, seus quadros de virgens andaluzas e seu compromisso com os direitos dos homossexuais.

Princesa da África
Origem: Espanha I Duração: 80 min.

Gênero: Documentário I Diretor: Juan Laguna
Sinopse. Marem é uma jovem bailarina senegalesa. Sônia também se dedica à dança e, apesar de ser espanhola, está apaixonada pelo encanto que a África tem. Estas duas mulheres têm um vínculo em comum, Pap Ndiaye, pai de Marem e esposo de Sônia na Espanha. Quando ambas realizam seu sonho, percebem que nada é como imaginavam. Este é um documentário que reflete a história real de duas mulheres em busca dos seus sonhos, mas também suas frustrações ao descobrir que suas ideias sobre o paraíso estavam erradas.

 

Rosa Pátria
Origem: Argentina I Duração: 90 min. I Gênero: Documentário I Diretor: Santiago Loza
Sinopse. Nestor Perlongher foi poeta, sociólogo e ativista político nos anos 70. Foi um dos criadores da Frente de Liberação Homossexual, organismo que escandalizava os setores de direita e incomodava a esquerda machista. Santiago Loza compila essa história, em um documentário que conta com depoimentos de amigos, colegas e companheiros. As ideias revolucionárias daquele poeta poderiam se sintetizar no slogan: "Não temos que liberar o homossexual, mas sim liberar a homossexualidade".

 

Santas Putas
Origem: Chile I Duração: 57 min.

Gênero: Documentário I Diretora: Verónica Quense
Sinopse. Quatorze femicídios acontecem no desértico norte chileno, na comuna de Alto Hospício; e durante os dois anos e meio em que ocorreram, o Estado, que deveria proteger, não o fez. Cinco familiares contam, depois de vários anos, como as autoridades e a comunidade em geral maltrataram tanto suas desaparecidas como a eles próprios. Os fatos revelam da forma mais crua as aristas que conformam uma atroz cultura misógina.


Senhorita Sol
Origem: México I Duração: 85 min. I Gênero: Documentário I Diretora: Beatriz Osorno
Sinopse. Opiniões, critérios e histórias de vida se entrelaçam neste documentário que exibe a dualidade dos seus personagens. É a história de todas aquelas mulheres que fazem possível o impossível, que enfrentam dia a dia uma luta constante diante da rejeição e da condenação; é a vida de mulheres que pisam firme em um mundo que as encerra e que, sem importar o azul de seus ancestrais caminhos, partem pela metade o muro social que as encaixota em doentes bonecas rosas.

 

Quatro bailarinos criadores e um músico dividem a cena no espetáculo I Foto: Rogério Ortiz/Detalhe do cartaz

 

Depois do Acaso encerra apresentações este fim de semana em Porto Alegre

Domingo, 16.05.2010

 

O Grupo TATO fará a última apresentação de Depois do Acaso, de Fernanda Carvalho Leite, este domingo em Porto Alegre, com uma sessão às 20:00, na Sala 209 da Usina do Gasômetro. Além da própria diretora, Lindon Shimizu (indicado ao Açorianos de Dança como melhor bailarino em 2009), Luciano Tavares e Viviane Lencina fazem parte do espetáculo.

 

Depois do Acaso estreou em janeiro na Sala Paissandu da Galeria Olido, a convite da Prefeitura de São Paulo, no II Encontro Internacional de Contato Improvisação. É um desdobramento do espetáculo Ato ao Acaso, desenvolvido ao longo do ano passado, também na Usina. O coletivo de dança da Sala 209, do qual o Grupo TATO é gestor junto a Eduardo Severino Cia. de Dança, foi homenageado com o Prêmio Joaquim Felizardo, da Prefeitura de Porto Alegre, entregue em abril aos destaques da cultura em 2009.


A partir de estruturas que vão de solos simultâneos a duos, trios e quarteto, o espetáculo é desenhado em coreografias instantâneas norteadas pelos objetivos e imagens de cada cena. Alguns motes estão determinados, outros são fruto da inspiração do momento do artista. A companhia estimula o desconhecido e a surpresa do presente, oferecendo ao público uma dança relacional, ora acrobática, ora sensual, poética ou divertida.

O foco do trabalho é o contato improvisação, uma forma de movimento pós-moderno onde há intensa fisicalidade interativa e espontânea, baseada no instinto e no toque, compartilhando peso, equilíbrio e energia cinética. Em parceria, o músico Guenther Andreas (que toca cravina, instrumento elétrico de cordas criado a partir do stickbass) desenvolve temas jogando com os movimentos dos bailarinos (e vice-versa) e harmonizando com as temáticas em improvisações.

 

Serviço

Concepção, cenário e direção: Fernanda Carvalho Leite
Bailarinos criadores: Fernanda Carvalho Leite, Lindon Shimizu (indicado ao Açorianos de

Dança como Melhor Bailarino em 2009), Luciano Tavares e Viviane Lencina

Música: Guenther Andreas (Prêmio Açorianos 2008 de Melhor Trilha Sonora e indicado ao mesmo prêmio em 2009)

Iluminação: Luciana Hoppe I Assessoria de Imprensa: Creuza Barreto I Fotos: Rogério Ortiz

Local: Sala 209 da Usina do Gasômetro
Ingresso: R$ 15,00 (inteira), R$ 8,00 (estudantes, artistas, idosos e assinantes do Jornal Correio do Povo)

 

O longa-metragem de Alexandre Carvalho acontece ao vivo em cada sessão I Foto: Divulgação/Detalhe do cartaz

 

Curtinhas brasileiras: Fluidos em SP, mostra audiovisual no RJ e oficina na BA

Sexta-feira, 14.05.2010

 

Fluidos terá três últimas apresentações durante a Virada Cultural

O primeiro longa-metragem realizado ao vivo, Fluidos, será exibido pela última vez durante a Virada Cultural (15 e 16 de maio) na cidade de São Paulo. Posteriormente o filme entrará em cartaz nos cinemas em versão finalizada. Dentro da sala a pessoa assiste um filme como outro qualquer; do lado de fora, equipe e elenco constroem a história que é captada por câmeras, transmitida para a edição em tempo real e a projeção simultânea na sala de cinema. Personagens, pessoas reais, cotidiano, ensaio e realidade, plateia e cenário, tudo coexiste. Fluidos mostra o cotidiano de três relacionamentos que têm em comum a dependência pela imagem sintética e a instabilidade de um presente fugaz.
Enquanto um casal torna-se escravo de seus próprios fetiches, uma mulher encontra o marido apenas pela internet e um garoto expõe sua vida num programa de televisão sensacionalista. A experiência do CineVivo não se resume à tela. Aqueles que querem acompanhar o que acontece do lado de fora, podem tanto presenciar as cenas sendo executadas, ou participar delas como figurantes, quanto acompanhar o processo de edição ao vivo, que acontece em uma mesa fora da sala de cinema. A improvisação, necessária e parte integrante do 'ao vivo', bem como a adaptação a qualquer horário, espaço físico ou condição climática, faz com que cada apresentação (filme) seja uma experiência única. Dirigido por Alexandre Carvalho e com roteiro deste em parceria com Rodrigo Ribeiro, o longa terá um elenco formado por Francine Souza, Gus Stevaux, Mário Ilha, Silvia Pecegueiro, Tânia Granussi e Tatiana Eivazian. As sessões ocorrerão no Cinesesc, na Rua Augusta (próximo ao metrô Consolação), às 18:00 do sábado, 02:00 da madrugada e às 15:00 do domingo; os ingressos custam R$ 4,00 (inteira), R$ 2,00 (meia: aposentados, idosos, usuários, professores e estudantes) e R$ 1,00 (comerciários).

 

Mostra Audiovisual William Juvencio acontece no Rio de Janeiro

O Espaço Cinema Nosso apresenta neste sábado, a partir das 18:30, a terceira edição da Mostra Audiovisual William Juvencio, com a exibição dos filmes Vodoo (direção: Rosario Boyer), Gerenciador do Universo – Parte 1 (direção: William Juvencio), Dificuldade Total (direção: William Juvencio), Minha Catarse (direção: Marcus Curvelo) e Sinfonia das Ondas (direção: turma 2009/1 de Cinema Básico do Cinema Nosso). Além dos filmes, haverá debates com os diretores, show de stand up e improvisos com o ator e diretor Ary Aguiar Jr. e a apresentação de Rodrigo Gallo e William Juvencio com as músicas "Você Tem Valor", "Gerenciador do Universo" e "Eu Amo Essa Cidade", e canções de bossa nova, funk, jazz, pop, música instrumental e MPB. O Espaço Cinema Nosso fica na Rua do Rezende, 80, Lapa, Rio de Janeiro, RJ. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2505-3300, e ingressos antecipados comprados pelo site.

 

Restam poucas vagas para oficina de teatro para iniciantes em Salvador

Com duração de seis meses, a oficina de teatro para iniciantes que será orientada pelo arte-educador e diretor teatral André Mustafá, ainda recebe inscrições para as últimas vagas. Serão ministradas aulas práticas de corpo, voz, improvisação, interpretação, leitura e estudo de textos dramáticos, com aulas teóricas sobre a história do teatro da Grécia antiga ao século XIX. Também haverá apresentações em teatro, certificado e professores convidados. Os módulos serão os seguintes: técnicas de corpo e voz, técnicas de improvisação, técnicas de interpretação, técnicas de construção de personagens, técnicas de construção de cenas e cenas selecionadas. O investimento a ser feito é de R$ 80,00 (preço individual por mês), R$ 70,00 (preço para duas pessoas, cada) e R$ 180,00 (preço por 3 meses). Os telefones para maiores informações são o (71) 3384-2939 e o 8837-2943.

 

Natasha Yarovenko e Elena Anaya protagonizam o novo longa do diretor de Lucia e o Sexo I Foto: Divulgação

 

Julio Medem estreia seu novo filme Habitación en Roma nos cinemas espanhóis

Domingo, 09.05.2010 I Off-topic I Esta matéria em espanhol

 

O reconhecido realizador espanhol Julio Medem, diretor de longas como Vacas, Os Amantes do Círculo Polar e Lucia e o Sexo, estreou na sexta-feira seu mais recente filme, Habitación en Roma, no qual as atrizes Elena Anaya e Natasha Yarovenko interpretam duas mulheres que se encontram por acaso e vivem um romance no quarto de um hotel da capital italiana.

 

O longa de Medem é uma nova versão do filme chileno En La Cama (2005), de Matías Bize, mas com novos elementos e algumas diferenças substanciais na história, das quais a mais visível é a mudança de um casal heterossexual por duas mulheres. No entanto, o cineasta deixou claro nas entrevistas que esta não é a história de duas lésbicas, mas apenas de duas pessoas; uma narrativa que fala de "uma atração física na qual pouco a pouco, diante do imprevisto, começam a acontecer coisas mais profundas", explica.

 

Apresentado na recente edição do Festival de Cinema de Málaga, realizado em abril, o filme foi uma encomenda da produtora Morena Films, que comprou os direitos do longa-metragem de Bize e propôs a Medem fazer o remake. Foi então que o diretor teve a ideia de adaptar a história e é assim como criou os personagens Alba (uma lésbica espanhola que acaba de viver um episódio dramático com sua namorada) e Natasha (uma russa que está a ponto de se casar com seu noivo).

 

O filme é falado em inglês, espanhol, russo e euskera e tem uma duração de 109 minutos, expondo uma trama que transcorre em um período de 10 horas, o que supôs o desafio de construir um relato narrado sem elipse, com apenas dois personagens em um quarto. Entretanto, a produção — cujo orçamento é de 2 milhões e meio de euros — tem espaço também para a participação especial de Najwa Nimri e Enrico Lo Verso.

 

A viagem ao universo interior dos personagens, comum na cinematografia do diretor espanhol, uma vez mais se fez presente, o que requeriu grande entrega das atrizes, como reconheceu Anaya. "Foi a filmagem mais dura para mim, física e emocionalmente, um trabalho onde a sutileza de cada momento, através das coisas que contamos, precisava de uma concentração que eu acredito não ter tido na minha vida", revelou.

 

Habitación en Roma, que já está vendida para 30 países, também é considerado por seu realizador como o longa mais difícil de sua carreira, a exemplo do que acontece com Anaya e também com Yarovenko, que pondera o grau de exposição ao que se submeteram durante as filmagens. "Abrimos nossas almas e corações, pusemos tudo para fora, há muitíssimas emoções aí, nos despimos emocionalmente muitíssimo mais que fisicamente. A nudez neste filme no final passa para um segundo ou terceiro plano", garante a ucraniana.

 

Julio Medem

 

Conhecido pelo clima onírico de seus filmes, o cineasta Julio Medem nasceu em 21 de outubro de 1958 em San Sebastián e desde muito jovem começou a rodar seus primeiros curtas. Nos anos 80 passou a trabalhar como assistente de direção, editor e roteirista e em 1988 rodou o médio-metragem Martín, antes de realizar seu primeiro longa, Vacas (1992), pelo qual ganhou o Goya à melhor direção novel. Seus filmes de maior repercussão foram Os Amantes do Circulo Polar e Lucia e o Sexo.
 

Elena Anaya

 

A atriz palenciana Elena Anaya nasceu em 17 de julho de 1975 e tem uma vasta experiência em cinema e teatro, tendo estreado nas telas em meados dos anos 90, com os longas África e Família.  Sua primeira colaboração com Medem ocorreu no filme Lucia e o Sexo, no qual dividiu a cena com Tristán Ulloa. Também atuou nos filmes Lágrimas Negras, O Quarto Azul e Alatriste, entre outros, além de ter trabalhado em vários países, como Inglaterra, México, Estados Unidos e Canadá.

 

Natasha Yarovenko

 

Nascida em Odessa (Ucrânia), em 23 de julho de 1979, Natasha Yarovenko construiu até aqui toda sua carreira na Espanha, seu país de adoção e onde iniciou sua trajetória profissional em filmes e séries de televisão catalãs. Posteriormente apareceu também em séries de TV de alcance nacional como "Hospital Central" e "Lalola". Habitación en Roma é até o momento o papel mais importante da carreira da atriz, que anteriormente atuou em produções como Joves e Diário de uma Ninfômana.

 

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A procura desenfreada por fama e dinheiro move os vários personagens da peça I Foto: detalhe do cartaz

 

Cia Teatro de Febre estreia o novo espetáculo Sem Pouso No Tempo Surdo

Sexta-feira, 07.05.2010


Estreia hoje em São Paulo o espetáculo Voz Sem Pouso No Tempo Surdo, a mais nova montagem da Companhia Teatro de Febre, com direção de Luís Antônio e texto de Sérgio Spina, e que apresenta diversos personagens cujos sonhos, desejos e objetivos pessoais se encontram em conflito devido a busca desenfreada por fama e dinheiro.

 

Os personagens são interpretados por um elenco integrado por Carol Guedes, Danilo Rodriguez, Fernando Saba, Lineu Carlos Constantino, Natalia Najjar, Roberta da Fonseca, Sérgio Spina e Caio Martins. A produção executiva é de Caio Martins e a assistência de direção de Rodrigo Manzelli.  A peça, que ficará em cartaz até 25 de junho, mostra o desespero nos bastidores de um programa de TV sensacionalista, em que os produtores se veem obrigados a aumentar a audiência pressionados pela presidente da emissora.

 

Nesse contexto, aparecem Priscila, jovem escultora que abdica do seu dom para ganhar dinheiro; Donald, apresentador do principal programa da emissora, viciado em cocaína, idealista frustrado; Dim Jones, uma pessoa comum, em busca da fama a qualquer custo; Clayton, assistente de produção que perdeu a sensibilidade perante tudo e todos; e Vânia, presidente da TV e única filha do dono da emissora, um aposentado de 80 anos que amarga uma aposentadoria pela frustração de ver os rumos da televisão que criou.

 

Este é o quarto espetáculo da Companhia Teatro de Febre,  cujas anteriores montagens foram Cacto, Conta Gotas e 2 Horas da Tarde em Tóquio, que há dois anos lotou todas as sessões no Teatro Ópera Buffa, em São Paulo. O grupo, que é apontado pelo ator, diretor e dramaturgo Mário Bortolotto como um dos mais prósperos do cenário teatral paulista, também já realizou os curtas O Datilógrafo, Hiato, Vácuo, Camisa P e Um Prato, Um Copo, Uma Colher, além de se preparar para o seu primeiro longa.

 

Voz Sem Pouso No Tempo Surdo, que está recomendada para maiores de 14 anos e que tem duração de 70 minutos, terá apresentações todas as sextas-feiras, às 21:00, com ingressos a R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia). A temporada acontece no Teatro Commune (Rua da Consolação, 1218, telefone: 3476-0792) e o contato para maiores informações pode ser feito pelo número 9112-7852 (com Caio Martins) ou por e-mail.

 

A história mostra dois jovens que se conhecem em meio à uma manifestação estudantil I Foto: Nelson Aguilar

 

Comédia em cartaz no MuBe fala do amor nos tempos da ditadura militar

Sábado, 01.05.2010


A peça O Quê?! da Companhia Teatral Pinguém é Nerfeito, continua com sua temporada no auditório do Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), que inaugura assim seu espaço dedicado ao teatro, com a apresentação desta comédia urbana que fala do amor nos tempos da ditadura militar.

 

O espetáculo, que participou este ano do Festival de Teatro de Curitiba, mostra personalidades como o então presidente Costa e Silva e os líderes universitários José Dirceu e Luis Travassos. Todos surgem como personagens ocultos, em um cenário de acontecimentos verídicos, como o congresso da UNE em Ibiúna, a prisão dos líderes do movimento estudantil, o sequestro do embaixador americano, o decreto do AI-5 e a final da Copa de 70.

 

A trama apresenta dois personagens, Almir e Clarice, que se conhecem em meio à manifestação de estudantes de esquerda da Filosofia da USP e de direita do Mackenzie, na Rua Maria Antônia, em São Paulo, em outubro de 1968. A partir daí, uma série de situações conflitantes, hilárias e inesperadas acontecem, interpretadas pelos atores Affonso Lobo, Leandro Baião, Luana Escobar e Tatiana Marigo.

Segundo o diretor Leandro Baião, que participou do movimento quando estudante da PUC-SP, a criação do espetáculo foi baseada na pesquisa e elaboração de cada um dos personagens, na concepção estética e cênica e no modo de contar a história. De acordo com o também autor do texto, a peça é  uma "grande interação das artes, misturando o teatro, as artes plásticas e o cinema".


Quatro grandes painéis cenográficos de três metros de altura por cinco metros de largura, pintados à mão como quadros expressionistas, e um telão onde são vistas algumas cenas gravadas anteriormente fazem parte da montagem, corroborando o que diz seu diretor, que fundou a companhia em 2001, encontrando no cotidiano a inspiração para sua obra. "Os estudos para o desenvolvimento das peças são sempre baseados em comportamentos que vemos no dia a dia; desta forma, levamos ao público uma realidade próxima dele", comenta.

Serviço
Temporada: até 25 de junho, todas as sextas-feiras, às 21:00
Duração: 90 minutos I Censura: 12 anos I Gênero: Comédia
Local: Auditório do MuBE I Cidade: São Paulo

Endereço: Av. Europa, 218 (entrada pela rua Alemanha, altura no. 180), Jardim Europa
Telefone: (11) 2594-2601 I Telefones da cia.: (11) 9761-1215 e (11) 7546-9833
Lugares: 200 I Ingressos: R$ 30,00 / R$15,00 (meia-entrada)
Bilheteria: abre às 20:00 I Aceita cheque e cartões Visa e Mastercard.

 

 

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www.aldeiacultural.com